FregaBlog

quinta-feira, maio 29, 2008

Nova Tribo

Foi noticiada a descoberta de uma tribo ainda não contactada, no Acre.
Sei. Reconheço que tenho uma tendência quase atávica, irresistível mesmo, de ceticismo sobre qualquer declaração que advenha de líderes religiosos, sejam cardeais ou bispos de qualquer igreja, congregação, Funai ou Ibama. Soam-me todos mais falsos que nota de três Reais.
Custa-me crer, também, que essa tribo nunca tenha sido detectada por avião ou satélite, garimpeiro ou missionário.
É interessante também que começaram a atirar flechas no helicóptero. Não foi explicado na reportagem se sabiam que havia um cinegrafista a bordo, pronto para enviar as pitorescas imagens às redes de televisão. Não pareciam imagens caseiras, mas profissionais em muito boa qualidade. Pode ser que a Funai tenha um cinegrafista à disposição para cada sobrevôo. Recursos não lhe faltam.
Enfim, vou enfiar minhas desconfianças no saco, abandonar por um momento que seja minhas suposições de armação como prelúdio à criação de mais uma reserva indígena.
Vou fazer de conta que é verdade, que os paleolíticos selvícolas nunca tinham visto pássaro tão ventoso e roncador e que, em sua fome perene, pensassem haver topado com petisco misterioso mas bastante grande para ser moqueado e servir de alimento por várias luas.
Nesse caso, qual deveria ser a atitude do Estado?
Tão danosa como condená-los a permanecer na pré-história seria submetê-los à uma intoxicação de século XXI. É necessário, portanto, estabelecer e seqüenciar sua exposição em rítmo tal que lhes permita absorver os novos tempos, novas idéias.
A transição da prática de infanticídio tão comum nas tribos daquela região, eugênico ou social, para o Estatuto da Criança e do Adolescente há de ser paulatina. Da mesma forma, cautela na apresentação de novos deuses em paralelo ou em oposição aos seus (missionários, muita calma nessa hora) ou novos instrumentos e dispositivos (padres, cuidado com os facões). Seria uma crueldade fazê-los entender, de pronto, o cultivo agrícola; submetê-los à uma enxurrada de internets, parabólicas etc, a ponto de perderem o pé, a referência, os valores.
Crueldade equivalente a de isolá-los, cristalizando seus valores, suas crenças, sua miséria, sua alienação.
Supondo que não seja somente mais uma jogada de antroxiitas, que essa tribo perdida realmente exista, merece a proteção do Estado brasileiro. Como elo mais fraco, há que ser inserida em nossa sociedade na medida em que adquiram condição de nela coexistir com dignidade.
O processo deverá ser conduzido com o objetivo claro e precípuo: possibilitar-lhes exercer sua cidadania brasileira com plenitude. Esse processo passa, necessariamente, por educação, saúde, exposição gradativa aos meios e informações e a conscientização de que, mesmo sem o saber, fazem parte paritária de uma grande nação. São cidadãos de um grande País, que lhes assegura direitos e estipula obrigações. E que, muito além dos 100 ou 200 habitantes de sua aldeia, contam agora com a força solidária de quase 200 milhões de irmãos de nacionalidade.
Mas aí entra novamente o bichinho da descrença.
Duvido que seja essa a intenção da Funai.

terça-feira, maio 27, 2008

O Que Fazer?

Nas discussões sobre a questão indígena que estamos vivendo, recebi uma mensagem que me fez pensar. "Espero que estejas bem. A questão é preocupante e a pergunta que faço é a seguinte: E agora? O que nós brasileiros devemos fazer? Guerrear contra o mundo ou sentar logo para conversar?" Esta foi a mensagem.
A dita questão indígena é real e foi criada por nós mesmos, na ânsia da sociedade perfeita que inspirou a atual Constituição. A sublimação desse ideal findou por criar um aborto.
Na angústia de assegurar o respeito e os direitos fundamentais, fomos além deles. Ultrapassamos os limites do razoável e criamos dívidas imaginárias, eternas porque difusas, complexos de culpa ao trazermos, à luz do imaginário, fatos longínquos de conjunturas absolutamente diversas da atual. Importamos a história para condenarmo-nos, no presente, a nós mesmos .
A Constituição, ao garantir a indígenas a posse das terras que ocupavam imemoriavelmente à época da sua promulgação, cometeu um ato de justiça, convenhamos. Não seria razoável que essa terras fossem griladas, seus ocupantes expulsos. Não seria justo para os índios, assim como não o seria para os colonos, posseiros caboclos de terras ribeirinhas ou não, sem cercas, porteiras e títulos.
O erro foi a ingenuidade de não se estabelecer os limites de sua aplicabilidade. Uma boa intenção com uma péssima execução.
Rondon, ainda um ícone dessa questão, foi suplantado por antropólogos de visão não mais integracionista, porém isolacionista. Rondon foi o mentor do SPI. Os outros, da FUNAI. Mas demos crédito a que não o tivessem agido assim por má intenção. Todavia, demos azo à sua utilização por mal intencionados, e pior, ao abrigo da lei.
Não é possível imaginar que tão poucos índios efetivamente ocupassem áreas imensas. Especialmente sabendo-se que a cultura indígena cultiva o medo, o terror do desconhecido, a hostilidade das áreas distantes de suas malocas, o pavor da selva. E isso não é sem razão, pois as selvas não são os paraísos nem édens idílicos pintados pelos românticos ecologistas sonhadores.
As selvas, na cultura indígena, são povoadas de fantasmas e ameaças. Caaporas, anhangás, bóis-tatás e tantos outros seres habitam seu imaginário e os assobram.
A segunda geração desses antropólogos e ecologistas - os antroxiitas e ecoxiitas - convencidos na necessidade de preservar imensos jardins botânicos e antropológicos (à imagem dos zoológicos), aliados ao complexo de culpa imposto à sociedade brasileira por herdar um País construído à época das colonizações de novos mundos descobertos, exacerbaram a intenção do constituinte, convenceram-nos a todos, população e governos, de que estavam certos e ultrapassaram os conceitos de integridade do Brasil.
Desconsideraram, em seus propósitos, que essa integridade nacional não é somente de território, mas disso e de seu povo.
Primeiro, ensaiaram o conceito de nações indígenas. Termo bonito, com viés de politicamente correto, mas inadequado em seus reais termos. Deveríamos antes pensar em nação de brasileiros, respeitando as diversidades, porém continuando a obra construtiva de uma só nação. Não. Fomos tão bombardeados por políticos vazios em conteúdo e por massiva divulgação por editorias inconseqüentes que isso passou a ser natural para nós.
O passo seguinte foi aceitarmos - inclusive com aprovação do estrato mais bem informado - a demarcação de reservas que consideravam, lato sensu, que as áreas ocupadas constitucionalmente referidas incluiriam também todos os caminhos, migrações, ocupações temporárias ou mesmo vontades que essas tribos tivessem, ainda que artificiais. Os índios brasileiros, assim como os não índios, têm o direito constitucional de ir e vir. O que não dá, a nós e a eles, a posse sobre os caminhos.
Para piorar, técnicos da FUNAI exercitando o princípio maquiavélico de que os fins justificam os meios (princípio que alicerçou as grandes barbáries experimentadas pela humanidade) permitiram-se criar artificialmente fatos que justificassem seus objetivos. Assim foi criada a tribo ianomami, por exemplo. Assim foi fraudada a demarcação da Raposa-Serra do Sol.
Mas nós engolimos, ainda considerando que era uma ação politicamente correta.
Aí surgiram as ONGs internacionais. Pululam como larvas de mosca na serra mineralizada da amazônia, mas são absolutamente ausentes em áreas muito mais pobres e necessitadas de ajuda, como no nordeste. Coincidência?
Não! Com o pretexto de preservar, aproveitaram-se de nossa leniência ingênua para suprir-se, seja no campo da biotecnologia, seja no mapeamento de recursos minerais, por vezes raros e estratégicos.
Com o apoio direto de governantes, essas ONG praticaram atos que, se investigados decentemente, poderão ser comprovados um dia. O que já sabemos é que, por uma insidiosa campanha mundial por eles fomentada, começa a tomar corpo de que a amazônia é um assunto muito sério para ser deixada em mãos de brasileiros. Sempre a arrogância desses povos experientes em fomentar cizânias, guerras, segregações, divisões políticas artificiais, desde que sejam de seu interesse dominador. Basta ver o que fizeram com a África. Por curiosidade, olhem um mapa político daquele continente, as guerras civis que experimentam até hoje, os títeres que os governam e pensem sobre os crimes lá cometidos por essas mesmas potências, hoje com os olhos voltados para nós.
Isso tudo me leva a pensar sobre o questionamento que recebi e que, em seu bojo, vejo duas alternativas inviáveis. Abrir guerra contra o mundo ou sentar e conversar.
Guerra contra o mundo, não temos poderio para impor nossa integridade pela força. Aliás, o tivéssemos, essa campanha mundial não existiria, nem em sua versão mais dissimulada. Alguém está disposto a considerar que as reservas petrolíferas do Texas e Novo México, nelas incluídas as reservas indígenas de apaches, são assunto muito sério para ser deixadas em mão de americanos? Ninguém é louco para tanto.
Sentar e conversar? Até hoje não tomei conhecimento de algum diálogo produtivo entre o pescoço e a guilhotina. A eles não interessam em absoluto os aspectos preservacionistas. Não passam de pano de fundo. Interessam as riquezas que nós mesmos abandonamos por tanto tempo. Sentar e conversar significa somente concessão de nossa parte dos direitos que juramos defender. E seriam concessões sem fim, equivalentes às do chantageado ao chantageador.
O que fazer, então?
De verdade, nem mesmo sei. Mas não creio em qualquer ação que não comece, ao menos, por pararmos de brigar entre nós. Essas lutas que começam a tomar corpo somente nos enfraquecem, abrem brechas e flancos para ataques cada vez mais incisivos dos que têm interesse em nos dividir.
Abandonemos, de pronto, essa idéia de nações diferentes. Assumamos, só existe uma nação: de brasileiros. Sem distinção e raça, costumes, sotaques.
Depois, estabeleçamos de imediato a ocupação territorial. Até agora o Brasil usou suas forças para expulsar brasileiros. A Polícia Federal ufana-se em retirar garimpeiros, ignorando tratarem-se de modernos bandeirantes. Os governos esquecem-se que sua presença, nos garimpos, não registrados que sejam, é a ponta de lança de ocupação por brasileiros. Uti possidetis, ita possideandis. Isso nos garantiu a marcha para o oeste.
E forcemos a revisão dos dispositivos constitucionais e infra-constitucionais que assegurem a elementos plantados dentro das funais e ibamas da vida a deles valerem-se para criar enclaves, segregar povos, fazer eco e dar suporte às campanhas de que somos alvo. Seja por suas próprias crenças pessoais. Seja por recursos recebidos.
A sociedade brasileira, pela primeira vez, foi confrontada com essa triste realidade em razão da reação pela Raposa-Serra do Sol. O lençol foi retirado, as cortinas do palco abertas. Elementos da FUNAI e dos representantes das ONG fomentaram um incidente de sangue em Roraima. Não surtiu o efeito desejado por eles, não gerou a comoção nacional que imaginavam.
O STF, até então liminarmente adepto das correntes defendidas por tais agentes, retirou a venda dos olhos da justiça e resolveu refletir sobre o assunto.
Inconformados, multiplicaram-se incidentes indígenas no País. De norte a sul. O ensaiado ataque dos caiapós ao engenheiro da Eletrobrás desmascarou ainda mais os mentores. O padre do CIMI comprou os facões para o ataque. O bispo, estrangeiro, claro, declarou na televisão que facão não é arma. O braço do engenheiro que o diga.
No Mato Grosso do Sul, os terenas resolveram que sua reserva deve possui mais 400 hectares. Os guaranis optaram por fechar rodovias em São Paulo. Os tamoios, que a praia de Camboínhas, perto de Niterói, era deles. No Pará, decidiram por seqüestros de servidores públicos em razão da FUNASA estar devendo à ONG que executa a remoção aérea de índios para hospitais.
Em Brasília, invadem órgãos públicos com danças caricatas de guerra, brandem bordunas, facões e arcos, numa pantomima intimidatória. Ridículas, tanto a representação hilária como a postura de autoridades timoratas.
Em todos os casos, no entanto, não abrem mão das comodidades da civilização. Combatem hidrelétricas, mas querem energia. Combatem a civilização, mas exigem remédios e exames laboratoriais. Não andam descalços, nem nus, mas de sandálias havaianas ou botas e calças jeans. Não mais fazem seus instrumentos, mas usam facões e foices, tratores e arados, espingardas e antibióticos. Tudo pago pelo restante da sociedade. Por todos nós.
É justo que assim ajam. Que pleiteiem melhores condições de vida, de acesso à saúde e educação. É isso que todos nós brasileiros buscamos. Exatamente por isso tudo é que queremos exercer nossa cidadania com plenitude.
Exatamente por isso é que devemos considerá-los brasileiros, não um povo exótico que, por acaso, vive nas fronteiras nacionais.
Enquanto não pensarmos assim, não há defesa possível.

domingo, maio 18, 2008

NY Times - De quem é a Amazônia?

O jornal americano The New York Times, em reportagem sob o título "De Quem É a Amazônia, Afinal?", de autoria de seu correspondente no Rio de Janeiro, afirma que "um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações que dividem o seu território" está causando preocupação ao Brasil.
Já em 1989, o ex-vice presidente americano Al Gore havia declarado que "ao contrário do que os brasileiros acreditam, a Amazônia não é propriedade deles, ela pertence a todos nós". "Esses comentários não são bem-aceitos aqui (no Brasil)".
Esse conjunto de declarações sobre o assunto ecoam as pressões que governos brasileiros sofreram e sofrem para promover a internacionalização da amazônia brasileira. São as mesmas pressões que reduziram a 20% a área economicamente aproveitável para as propriedades rurais na amazônia; que criaram parques e áreas de proteção infindáveis; que promoveram o deslocamento e assentamento de comunidades indígenas para instituir reservas em áreas de riqueza mineral estratégica; que reduziram Roraima a 54% de seu território; que expulsam brasileiros; que criam o conflito na chamada Raposa-Serra do Sol.
O Brasil vive momento dúbio. A comoção criada pela imprensa internacional, logicamente financiada pelos interesses econômicos envolvidos, decorre de intenso bombardeio de idéias na população global. Não tenho dúvidas que o habitante médio de todos os países com acesso às informações, do primeiro e do terceiro mundos, consideram que o Brasil destrói a amazônia, que chacina índios, que assassina trabalhadores rurais. A imagem de destruidor está formada, com ajuda de brasileiros, alguns éticos, outros nem tanto, a exemplo de Osmarina Silva, na formação, manipulação e difusão desses conceitos e na criação de factóides tipo Chico Mendes ou "nação" ianomami.
Enquanto o Brasil tenta - sem sucesso evidente - contrapôr-se a essa tendência de opinião, combate pelos biocombustíveis, como forma de conter o aquecimento global.
Nós mesmos, os brasileiros medianamente informados, adquirimos a sensação de que o Brasil não cuida da amazônia, de seu meio-ambiente, de sua natureza.
Se nós, na média, acreditamos nisso, como poderemos nos mobilizar em contrário?
Não faltará muito em que tenhamos correntes internas significativas a defender a internacionalização de nosso território. Nossa imprensa, majoritariamente dirigida a partir de São Paulo e Rio de Janeiro, não é capaz e nem interessada na difusão de nossos interesses.
Enquanto Guarujá e Ipanema forem brasileiras, tudo bem!
Viva a alienação!

sábado, maio 17, 2008

Cofrinho do Ministro

Confesso que tenho dúvidas sobre o tal Fundo Soberano do Brasil anunciado na semana passada. Reconheço que algumas medidas têm que ser tomadas para evitar o comprometimento do setor exportador brasileiro face à tendência do dólar virar fumaça. É necessário promover ações para interromper essa queda livre.

Por outro lado, o aumento dos preços das commodities e da produção nacional são vetores em sentido contrário pelo ingresso de divisas. Esse descompasso turbulento na economia mundial nos assombra com o surgimento de fortes pressões inflacionárias. Preços começam a disparar e a ferramenta reconhecida para refrear o consumo e reduzir a inflação de demanda tem o gosto amargo da pílula chamada taxa de juros. Porém, aumentando a taxa de juros, há um deslocamento do capital sem ética nem pátria, o que força para baixo a cotação do câmbio.

Quase sinuca de bico.

Se o Brasil liquidasse sua dívida interna com o excedente de divisas, o súbito ingresso de meio circulante jogaria a inflação às alturas. Investir esses recursos internamente também. A dívida externa, hoje, apresenta um saldo favorável ao Brasil.

A demanda interna de recursos para investimentos está 100% suprida pelo BNDES, que chega ao diletantismo de financiar até multinacionais. Visto por este prisma, só nos resta o financiamento de investimentos brasileiros no exterior.

Não sei, mas me dá a impressão que saímos de um quadro de inanição para um de indigestão.

Enquanto isso, vejo figuras que no passado não muito distante tiveram comportamento abjeto, arvorarem-se agora de vestais da moralidade e do conhecimento, donos da verdade a levantar suspeitas apriorísticas de bandalheiras e de financiamentos de campanha.

Refiro-me diretamente ao economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, a propósito de artigo publicado com o título de Cofrinho do Ministro.

O tal Gustavo (franco?) não pensava exatamente assim quando participou de toda a política desastrosa de FHC financiando uma pseudo estabilidade monetária à custa de um explosivo endividamento nacional. Nossa memória é curta, mas ainda se lembram da cotação fixa do dólar, artificial e irreal, mas sustentada pelo Sr Gustavo até a eleição do segundo mandato de FHC?
Tão artificial que, logo após ao estelionato dessa vitória, o dólar explodiu, o Sr Gustavo caíu, e maracutaias vieram à tona, tendo sido escolhido o Sr Cacciola como bode expiatório da vez.

Não quero e não posso contrariar o Sr Gustavo. Não quero por entender que, mesmo os piores cafajestes e bandidos têm direito à expressar suas opiniões. Não posso por falta de conhecimentos técnicos, esses abundantes em quem é um expert na manipulação de recursos, nos jogos bursáticos de balcão e de futuros. Mas posso contestar o Sr Gustavo em sua ética, em sua moral para fazer-se agora de juiz, de acima do bem e do mal.

Limite-se o Sr Gustavo (franco?) a especular, sua habilidade maior. A continuar a ganhar dinheiro com isso, como sempre fez. Mas limite-se a isso. Não vá o remendão além das sandálias.

Moral para aconselhar governos ele não tem. Salvo um novo governo tipo FHC.

sexta-feira, maio 16, 2008

O Particípio

Nem sei a razão de tanta celeuma sobre o vazamento de informações a respeito das despesas questionáveis no governo FHC. Até CPI criaram, tentando dar sobrevida por aparelhos a um assunto tão desinteressante.
Desinteressante porque banal, comum, habitual. Desde o golpe republicano de 1889, os governantes e seus apaniguados usam e abusam do dinheiro público para seu bem-estar pessoal. Até um sentido novo foi criado na língua pátria para o substantivo mordomia. E esse fato não é de um governo em particular, embora, reconheçamos, uns tenham abusado mais do que outros. Enfim, não é novidade para ninguém.
Não estou com isso a justificar os desmandos nem a desmerecer-lhes a gravidade e falta de ética que lhes dão origem. Só afirmo que não são novidades. Todo esse auê não passa de escândalo requentado.
Também não é novidade a sistematização em banco de dados dessas movimentações. Nada mais lógico nesses tempos informatizados. Creio que haja quem os prefira lançados em gigantescos livros, desordenadamente, como forma de evitar uma apuração mais rápida. O que duvido é que, no arcabouço da burocracia como um fim em que vivemos, alguém defendesse sua não catalogação.
Depois, enfrentamos o disse-me-disse: fez dossiê, não fez dossiê; dossiê existe, dossiê não existe; foi vazado com fins de ameaça, vazaram à revelia; etc etc. Coisa chata, discussão árida. Falta do que fazer.
Mais à frente, verificou-se que quem mandou para a imprensa sensacionalista, sherlocks de editorias para escândalos reais ou imaginários, foi um próprio correligionário de FHC. O teria feito sem autorização daquele? Com que objetivos?
Respondo que por politicagem pura, por interesses menores, pela luta nos bastidores de uma ação política menor. Fosse ao contrário, o Sen Álvaro Dias o teria denunciado do plenário e não se escondido na cortina do anonimato como fonte para a imprensa.
Por último, quem mandou para o senador?
Essa nem precisava tanta averiguação policial. Dois indícios conduziriam diretamente ao culpado.
O primeiro deles é a função. Bastava verificarem quem do TCU teria tido acesso aos dados. A velha guarda de servidores desse tribunal de exceção são useiros e vezeiros na prática de vazarem informações com objetivos políticos menores, pequenos como o tamanho de suas mentes. Vivem e respiram a politicagem à qual o TCU respira e vive. Não poucas vezes suas "auditorias" serviram - e servem até hoje - à perseguição pessoal, porém em nome da politicamente correta moralidade.
Por acaso, vejam que coincidência. Um desses luminares trabalhava lá, na Casa Civil. Por acaso, também, chefiava a área de controladoria, vejam só. Adivinhem, com esses elementos, quem poderia ter preparado, manipulado, extraído e formatado as informações?
Mas os indícios não param aí. O nome da figura - Aparecido - particípio passado do verbo que se tornou o símbolo do TCU. Aparecer, de fato, é a ação mais comum naquele tribunal. Aparecem, aparecem e, por milagre, desaparecem quando o assunto esgotou-se nos espaços da mídia.
Aparecido, o nome e indício.
Nesse tipo de crime, ao contrário dos romances policiais, não se procure o mordomo.
Procure-se a vinculação dele com o TCU.

terça-feira, maio 13, 2008

Paulo Flores

Recebi o texto abaixo, como mensagem, do Prof Paulo Flores. É uma visão atualizada de quem, mesmo sem conviver de perto com o problema em Roraima, mantém-se ligado com o que pode afetar nosso Brasil.

MEUS AMIGOS, TODOS NÓS SABEMOS QUE O QUE CIRCULA PELA INTERNET CARECE, MUITAS VEZES, DE COMPROVAÇÃO, IDENTIFICAÇÃO DE FONTES CREDENCIADAS, CREDIBILIDADE E QUE, SOBRETUDO É UMA MÍDIA QUE DÁ ESPAÇO A "PROFETAS DO APOCALIPSE" QUE DIVERTEM-SE AO VER O CIRCO PEGAR FOGO. ENTRETANTO, NÃO É DIFÍCIL FAZER UM EXERCÍCIO DE IMAGINAÇÃO E VISUALIZAR A POSSIBILIDADE DE UMA AÇÃO LOCALIZADA LÁ NO NORTE, COM INTERESSES DIVERSOS SIMPLESMENTE POR SE TRATAR DA REGIÃO MAIS RICA DO MUNDO. COMO SABEMOS TAMBÉM QUE SUA PRESERVAÇÃO SE DEU TÃO SOMENTE POR MERA CONSEQÜÊNCIA DE UM SECULAR DESCASO DOS SUCESSIVOS GOVERNOS BRASILEIROS, FICA FÁCIL PERCEBER A INVASÃO QUE SE PREPARA PARA ALI ACONTECER APROVEITANDO A BANDEIRA DA "PROTEÇÃO ÀS NAÇÕES INDÍGENAS"... iNVASÃO, ALIÁS, QUE SEGUNDO INFORMAÇÕES DESENCONTRADAS, JÁ VEM ACONTECENDO HÁ MUITO.

UMA OUTRA COISA A SE CONSIDERAR SOBRE ESSA NAÇÃO INDÍGENA, É QUE SÓ NÓS, OS DITOS BRANCOS CIVILIZADOS, VEMOS OS ÍNDIOS COMO UMA COISA HOMOGÊNEA. DO PONTO DE VISTA ANTROPOLÓGICO OS ÍNDIOS NÃO SE RECONHECEM COMO UMA ETNIA ÚNICA. CADA TRIBO, CADA FAMÍLIA, DIGAMOS ASSIM, VÊ A OUTRA COMO ESTRANGEIRA. ANTES DA ACULTURAÇÃO ELES VIVIAM EM GUERRA PERMANENTE PELA POSSE DE SEUS TERRITÓRIOS. DÁ PARA PERCEBER O "BALAIO DE GATOS" QUE PODERÁ CONFIGURAR ESTA NAÇÃO INDÍGENA. SE NÓS NÃO CONSEGUIMOS LIDAR COM O PODER CONSTITUÍDO (DISPUTA DE PARTIDOS, POR EXEMPLO) IMAGINEM COMO VAI FUNCIONAR ISSO NA CABEÇA DOS "INGÊNUOS" INDÍGENAS QUE PRECISAM DE MILHÕES DE HECTARES DE TERRA PARA MANTEREM SEUS HÁBITOS DO PALEOLÍTICO SUPERIOR.

NÃO, MEUS AMIGOS, NÃO HÁ MAIS ÍNDIOS INOCENTES E DESVALIDOS NO BRASIL! HÁ SIM UMA MASSA DE MANOBRA À MERCÊ DE SUSPEITÍSSIMAS ONGS MANTIDAS COM POLPUDOS RECURSOS E ÁVIDOS ESTRANGEIROS QUE LHES FAZEM A CABEÇA E OS SEDUZEM COM A POSSIBILIDADE (IRREAL) DE TEREM O SEU PRÓPRIO PAÍS. LÁ ELES NÃO MAIS PLANTARÃO MANDIOCA E MILHO, MAS DESFILARÃO À BORDO DE TOYOTAS A MITSUBISHES, COM RELÓGIO DE OURO E ÓCULOS ARMANI...

É PRECISO CRIAR UM FORUM AMPLO PARA DISCUTIR O ASSUNTO COM SERIEDADE E PRESSIONAR O GOVERNO PARA QUE NÃO TENHAMOS UMA GUERRA SEPARATISTA NO BRASIL!

CORRIJAM-ME SE EU ESTIVER ERRADO. E, SE POSSÍVEL, EU GOSTARIA DE CONHECER A OPINIÃO DE VOCÊS SOBRE O ASSUNTO.

EM TEMPO, VEJAM NA LISTA DE ENDEREÇAMENTO QUE EU SÓ ENVIO ESTE e-MAIL PARA QUE EU CONSIDERO CABEÇA PENSANTE.

GRANDE ABRAÇO,

PAULO FLÔRES

segunda-feira, maio 12, 2008

Vento que Sopra Lá....Sopra cá

Os moradores locais da praia de Camboinhas, em Niterói, estão com os cabelos em pé. Descendentes de índios guaranis, que até pouco tempo trabalhavam como qualquer brasileiro, moravam como qualquer brasileiro, disputavam um lugar ao sol como qualquer brasileiro, descobriram o caminho das pedras.
Se vale para os descendentes indígenas de Roraima, por que não para eles?
Estão reivindicando o bairro, a título de reserva indígena.
Lá acampados há 3 meses, com três cabanas de palha e 38 membros, já deram até nome ao acampamento: Tekoa Itarypu e querem o reconhecimento que já obtiveram outras aldeias, como as de Bracuí (Angra dos Reis) e as de Paraty-Mirim, Mamamguá, Rio Pequeno e Itaxim, todas elas reconhecidas nos anos 90.
Alegam os descendentes dos guaranis que, por se tratar de um local de importância arqueológica com cinco sambaquis (cemitérios indígenas), têm direito de viver ali.
Os moradores locais estão se mobilizando, por meio da Sociedade Pró-Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas (Soprecam) para conseguir a rechaçar a pretensão, que, por sua parte, é apoiada pela Fundação Nacional do Índio (Funai). A mesma Funai de sempre, que fomentou a invasão de fazenda em Roraima em busca de uma camisa com sangue para brandir na ONU.
Assim se aproxima o vaticínio do Min Marco Aurélio, quando declarou que, pelo andar da carruagem, deveria se devolver o Rio de Janeiro aos tamoios.
Aliás, se depender da política suicida e irresponsável que está sendo conduzida com o apoio do atual governo, devolva-se todo o Brasil.
Lula, in extremis, pode aproveitar-se da cidadania italiana de sua mulher.
E nós?

sábado, maio 10, 2008

Nêmesis

A mitologia registra uma entidade responsável pela execução da vingança dos deuses. Nêmesis, a executora do ódio, sem juízo de valor, sem avaliação crítica, sem julgamento. Sem ética, sem moral.
Ontem o resistente de Roraima, Paulo Quartiero, foi multado pelo IBAMA em R$ 30,6 milhões, algo como US$ 20 milhões, além de proibir qualquer atividade econômica nas fazendas da região.
A aplicação dessa multa, por alegados danos ambientais na Fazenda Reserva, é quase 10 vezes maior do que o valor depositado em juízo pelo INCRA a título de indenização pela desapropriação. Fica claro que um dos dois, pelo menos, está mentindo.
Mentiras à parte, o governo brasileiro também tem os instrumentos para executar seu ódio. A PF prendeu Quartiero; o INCRA o expulsa; o IBAMA o asfixia.
A vingança governamental encontrou sua Nêmesis.
É inquestionável o avanço obtido com algumas políticas públicas adotadas. Da mesma forma, a insistência na manutenção de uma política equivocada não pode ser ignorada.
Erros existem, é natural. Porém, a persistência nos erros, a utilização de todos elementos de força com pretextos subjetivos, ultrapassa os limites da burrice e avança sobre a má-intenção.
Parcelas significativas dos gabinetes governamentais, talvez incluído aquele célebre no terceiro andar do Planalto, destilam ódio ao capital, raiva a quem empreende, desprezo a quem produz.
São capazes até de fazer o jogo do capital internacional desde que combatam o produtor brasileiro. Irracionalmente.
A Fazenda Reserva não está em região de floresta, mas nos campos de Roraima. A amazônia não é homogênea, como querem e insistem em divulgar. E o dano ambiental alegado, mentiroso, significa a produção de 12 mil toneladas de arroz por ano. O Brasil, claro, localiza-se em Marte, longe, portanto, da crise mundial dos alimentos. E, cá entre nós, alguém consegue produzir em área degradada? Só mineradoras, claro. Mas alimentos, não!
Os produtores de Roraima e a população local cada vez mais miserável pela interferência federal vivem justo clima de revolta. Se o Brasil está dando claros sinais de que deseja Roraima como um parque zoo-antropológico e de fonte mineral para o capital internacional, com o coração partido admito que deveriam declarar sua independência do estado brasileiro, combatê-lo se necessário, assumir a condução de sua casa e promover seu desenvolvimento, determinar seu destino. Mutatis, mutandis, seguir o conselho de João VI a seu filho. Com essa política maldosa e suicida, mal-intencionada e destrutiva, que peguem as rédeas em suas mãos antes que outros aventureiros, na City ou Wall Street, o façam.
O atual governo de coalizão encabeçado pelo PT tem uma visão parcial da ação social. Vê as parcelas, esquece a soma; foca o capim, esquece a mata. Volta-se a grupos sociais, abandona a sociedade. É justo ao povo de Roraima, a continuar a ação odiosa de sua eliminação oficial, em desencadear sua secessão, a lutar por sua independência, mesmo sem armas, sem recursos, mas no legítimo objetivo de sobrevivência. Até as conseqüências últimas, pois tudo está lhes sendo tirado. Que não caminhem passivamente ao cadafalso.
Que não abram mão da honra, mesmo que na morte.

quarta-feira, maio 07, 2008

Até Quando?

O processo de expulsão dos brasileiros agricultores em Roraima está seguindo o rumo previsível. Infelizmente.

Hoje, o líder da resistência Paulo Quartiero está sendo transferido para Brasília e ficará preso nas dependências da PF. É a primeira vítima do esbulho patrocinado pelos traidores da Funai, abençoados pelos bispos e padres católicos a serviço de seus países de origem. O crime contra o Brasil se consolida cada vez mais sob nosso bovino olhar de complacência e cumplicidade.

Isso acontece porque são agricultores, não guerreiros. Aguerridos, sim, mas desconhecem as artimanhas das guerras e das políticas. Trabalham e produzem somente. Plantam e colhem. Imaginam que as instituições os protegerão e aí está seu grande erro.

O Brasil está acostumado a ser iconoclasta. A homenagear Zumbi e relegar Henrique Dias. Ambos eram negros. Ambos combatentes. Mas Henrique Dias lutou do nosso lado, diferentemente de Zumbi. Zumbi viroi herói nacional. Os exemplos não são poucos. Quem trabalha, produz, empreende, é bandido. Desde que não seja de uma multinacional; nesse caso recebe loas e aplausos, incentivos e portas abertas em gabinetes.

Em outra situação, Bento Gonçalves também foi preso, mas a guerra farroupilha não acabou. Além de aguerridos, os Farrapos eram também guerreiros. Nossos bentogonçalves de hoje são só agricultores. Proibidos de defender suas famílias, propriedades, produção. Isso, na visão desses agentes da traição, é crime.

Já o outro lado, que tenta promover o esbulho incentivado pela Funai, igreja católica e ONGs internacionais, não. Podem invadir, agredir, destruir, bloquear estradas, cuspir na Constituiçao e escarrar nos fundamentos democráticos, tem direito de fazê-lo. Segundo o quinta-coluna da Funai "não se pode interferir na terra deles". Terra deles, afirmou, não território brasileiro.

Hoje é Quartiero, amanhã ou depois, seu filho e mais 5 defensores do Brasil, já presos em Roraima.

Roraima está entregue a seu destino. Se abandonarem as enxadas e adotarem o arco e flecha que seja, poderão se salvar. Enquanto apostam na sapiência do STF que, aliás, já registra a manifestação de ministros preocupados com as conseqüências da traição governamental. Vamos ver.

Falta aos resistentes, no entanto, a intimidade com as armas, com as estratégias, com o combate. A eles não se assessora, não se ensina, não se treina. Não se ombreia nem se faz par. Formam um exército de brancaleone, desarmado, e tomara que sua garra supere isso.

No momento não se pode esquecer a lição de Churchil após Dunquerque, em discurso na Câmara dos Comuns: "Devemos ter muito cuidado para não conferir à saída dessa enrascada os atributos de uma vitória. Guerras não se vencem com evacuações."

Nossos brasileiros, que ainda resistem apesar de nós mesmos, retraíram-se, desmobilizaram-se, quando não deviam.

Acreditaram no Brasil. Erraram.

segunda-feira, maio 05, 2008

Camisa de Sangue

Utilizando as melhores táticas de pressão, as ONG apoiadas pela FUNAI e pela igreja católica mais uma vez manipularam caboclos descendentes de indígenas em Roraima para tentar criar um fato consumado de esbulho e infringência às instituições.
Quiseram criar um fato para pressionar o STF. Um fato que comovesse à sociedade e que a distraísse do objetivo principal, que é a divisão do território nacional.
Tentaram ocupar na marra, com gritos, arcos e flechas. Foram expulsos à bala.
Quiseram um mártir, de preferência morto. Ganharam dez, porém vivos. Queriam uma camisa ensangüentada para brandir em passeatas na Esplanada dos Ministérios.
Segundo o CIR (Conselho Indígena de Roraima), entidade manipulada pelos interesses multinacionais, os índios construíam barracos no local quando foram abordados pelos atiradores de Quartiero, chamados pelo CIR de"jagunços". "As comunidades indígenas estavam construindo suas casas em sua terra, quando uma caminhonete e cinco motoqueiros chegaram atirando por todos os lados no sentido de impedir que os indígenas construíssem suas malocas", diz nota divulgada pelo conselho.
Procurado pela reportagem, Quartiero afirmou que seus funcionários apenas se defenderam. "Eles pediram para que os índios se retirassem, mas foram atacados com flechas e se defenderam", disse o prefeito.
Já, na visão do delegado Segóvia da Polícia Federal "Há duas versões: uma de que os índios teriam entrado na propriedade rural e sido expulsos a bala e outra de que ocorreu uma tocaia. Estamos buscando informações para saber qual é a verdadeira", ressaltou Segóvia. O delegado continua sem saber o que falar. Tocaia na terra dos outros? Será que reagirmos a um ladrão é tocaiá-lo em nossa própria casa?
O confronto tanto era inevitável que o CIR - ou terá sido a FUNAI? - levou inclusive um cinegrafista para gerar as imagens que pudessem ser utilizadas pela imprensa internacional sobre agressões aos povos indígenas no Brasil. O mais interessante eram os índios que apareceram. Todos vestidos, com boné e tudo, com ferramentas de aço, calçados. Enfim, nada que os diferenciasse de qualquer outro grupo de brasileiros daquela região. Mas com arcos e flechas, bordunas e outros instrumentos de ataque com os quais costumam aterrorizar ministros frouxos em Brasília.
Não querem aguardar a decisão do STF e declaram que se recusarão a atendê-la caso não lhes seja do gosto. E ainda dizem querer ser brasileiros.
Em paralelo, bloqueiam o acesso, o direito de ir e vir dos compatriotas. A ponto do governo de Roraima haver ingressado ontem no STF contra a FUNAI, tutora da comunidade indígena Waimiri-Atroari, fixada na divisa com o Amazonas, na região do Baixo Rio Branco. A alegação é de que os índios impedem o livre trânsito de pessoas nos rios Jauaperi e Macucuaú, ferindo o direito constitucional de ir e vir em uma via pública.
"A comunidade indígena Waimiri-Atroari está a exercer, de forma arbitrária, típico poder de polícia, quando não permite a trafegabilidade de pessoas pelos rios Jauaperi e Macucuaú, sob o argumento de pretender preservar sua população indígena e seus bens dos não-índios que trafegam por tal via fluvial", sustenta o governo na ação.
O governo requereu uma liminar por considerar haver risco iminente de conflito entre índios e a população ribeirinha, que teria nos rios bloqueados, conforme o órgão estadual, a "única" alternativa de transporte para chegar à área de extração de castanha, atividade de subsistência.
Está correto o Min Marco Aurélio, do STF, quando declarou em entrevista que a continuidade dessa política suicida levaria, no extremo, a devolver-se o Rio de Janeiro aos descendentes dos tamoios.
A grande realidade é que a marcha para a divisão territorial não está encerrada. Há interesses suportados por recursos financeiros internacionais. E você, católico, lembre-se desse financiamento quando der seu óbulo na próxima missa. Quem sabe não será utilizado lá?