segunda-feira, maio 05, 2008

Camisa de Sangue

Utilizando as melhores táticas de pressão, as ONG apoiadas pela FUNAI e pela igreja católica mais uma vez manipularam caboclos descendentes de indígenas em Roraima para tentar criar um fato consumado de esbulho e infringência às instituições.
Quiseram criar um fato para pressionar o STF. Um fato que comovesse à sociedade e que a distraísse do objetivo principal, que é a divisão do território nacional.
Tentaram ocupar na marra, com gritos, arcos e flechas. Foram expulsos à bala.
Quiseram um mártir, de preferência morto. Ganharam dez, porém vivos. Queriam uma camisa ensangüentada para brandir em passeatas na Esplanada dos Ministérios.
Segundo o CIR (Conselho Indígena de Roraima), entidade manipulada pelos interesses multinacionais, os índios construíam barracos no local quando foram abordados pelos atiradores de Quartiero, chamados pelo CIR de"jagunços". "As comunidades indígenas estavam construindo suas casas em sua terra, quando uma caminhonete e cinco motoqueiros chegaram atirando por todos os lados no sentido de impedir que os indígenas construíssem suas malocas", diz nota divulgada pelo conselho.
Procurado pela reportagem, Quartiero afirmou que seus funcionários apenas se defenderam. "Eles pediram para que os índios se retirassem, mas foram atacados com flechas e se defenderam", disse o prefeito.
Já, na visão do delegado Segóvia da Polícia Federal "Há duas versões: uma de que os índios teriam entrado na propriedade rural e sido expulsos a bala e outra de que ocorreu uma tocaia. Estamos buscando informações para saber qual é a verdadeira", ressaltou Segóvia. O delegado continua sem saber o que falar. Tocaia na terra dos outros? Será que reagirmos a um ladrão é tocaiá-lo em nossa própria casa?
O confronto tanto era inevitável que o CIR - ou terá sido a FUNAI? - levou inclusive um cinegrafista para gerar as imagens que pudessem ser utilizadas pela imprensa internacional sobre agressões aos povos indígenas no Brasil. O mais interessante eram os índios que apareceram. Todos vestidos, com boné e tudo, com ferramentas de aço, calçados. Enfim, nada que os diferenciasse de qualquer outro grupo de brasileiros daquela região. Mas com arcos e flechas, bordunas e outros instrumentos de ataque com os quais costumam aterrorizar ministros frouxos em Brasília.
Não querem aguardar a decisão do STF e declaram que se recusarão a atendê-la caso não lhes seja do gosto. E ainda dizem querer ser brasileiros.
Em paralelo, bloqueiam o acesso, o direito de ir e vir dos compatriotas. A ponto do governo de Roraima haver ingressado ontem no STF contra a FUNAI, tutora da comunidade indígena Waimiri-Atroari, fixada na divisa com o Amazonas, na região do Baixo Rio Branco. A alegação é de que os índios impedem o livre trânsito de pessoas nos rios Jauaperi e Macucuaú, ferindo o direito constitucional de ir e vir em uma via pública.
"A comunidade indígena Waimiri-Atroari está a exercer, de forma arbitrária, típico poder de polícia, quando não permite a trafegabilidade de pessoas pelos rios Jauaperi e Macucuaú, sob o argumento de pretender preservar sua população indígena e seus bens dos não-índios que trafegam por tal via fluvial", sustenta o governo na ação.
O governo requereu uma liminar por considerar haver risco iminente de conflito entre índios e a população ribeirinha, que teria nos rios bloqueados, conforme o órgão estadual, a "única" alternativa de transporte para chegar à área de extração de castanha, atividade de subsistência.
Está correto o Min Marco Aurélio, do STF, quando declarou em entrevista que a continuidade dessa política suicida levaria, no extremo, a devolver-se o Rio de Janeiro aos descendentes dos tamoios.
A grande realidade é que a marcha para a divisão territorial não está encerrada. Há interesses suportados por recursos financeiros internacionais. E você, católico, lembre-se desse financiamento quando der seu óbulo na próxima missa. Quem sabe não será utilizado lá?

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