FregaBlog

sexta-feira, junho 19, 2009

Cidadão Comum

Muito se discute acerca do perfil médio do brasileiro. Aliás, nem se pode falar disso sem considerar as características regionais e a cultura predominante na formação de cada região. Menos difícil, porém, é estabelecer o perfil comum do cidadão brasileiro.
O cidadão comum tem um forte sentido patriótico, de brasilidade, sendo dos poucos temas capazes de indigná-lo e de levá-lo a agir sem medir conseqüências.
O cidadão comum é majoritariamente solidário e comove-se com facilidade, fato muito bem explorado pelos noticiários com o fito de garantir a audiência.
O cidadão brasileiro é burocrático, mitômano, porém iconoclasta, o que ratifica seu caráter contraditório e emocional.
O brasileiro é ordeiro, guardando sua insubordinação ou revolta entre quatro paredes, para as conversas de botequim ou desabafos cibernéticos. Isso é bem refletido com a conjugação da profunda descrença nos homens públicos, mas com forte sentimento de preservação das instituições.
Embora muito se diga ao contrário, o brasileiro é honesto, não é do tipo leva-vantagem a qualquer custo.O cidadão comum é tudo isso.
E, por isso mesmo, Lula falou grande verdade ao declarar que Sarney não poderia ser avaliado como cidadão comum, por sua história. O Barão de Curupu, exatamente por sua história, não é um cidadão comum, um brasileiro típico.
Infelizmente.

terça-feira, junho 16, 2009

Vascaínos e Flamenguistas

Pois é, de tanto viajar ao exterior, isso não deveria mais provocar a euforia do viajante em Lula. Vá lá, na primeira vez é comum. Na segunda e terceira, aceitável. Daí pra frente vira rotina, quase como pegar o ônibus pra ir pro trabalho.
Com todo mundo é assim, menos com nosso presidente.
Basta Lula meter o pé no aeroporto estrangeiro para ser acometido de bobice aguda, doença psicossomática de agente duvidoso. Uns cientistas afirmam tratar-se de cepa do virus quem-nunca-comeu-meladus. Outros garantem ser estritamente psicológica, numa síndrome identificada como imbecilitatus cerebralis.
Seja como for, nosso presidente quer bancar o engraçadinho, o palhacinho de auditórios, o popular das coletivas. E quebra a cara, muitas vezes.
Nesta última, confesso, fiquei tele-encabulado.
Comparar uma comoção popular como a que está ocorrendo no Irã a briga de torcidas foi demais.
Não adianta tentarmos entender o Irã pelos nossos parâmetros ocidentais, pela nossa visão conceitual de liberdade, democracia, igualdade. Os fundamentos da Revolução Francesa são diferentes da revolução dos aiatolás, essa sim mais identificada com o povo iraniano.
Mesmo lá, numa teocracia fundamentalista, pode haver divergências e, se parecidas na forma, na essência são profundamente diferentes das movimentações ocidentais.
Compará-las com torcidas de futebol, foi demais.
Fiquei envergonhado pelo nosso presidente, apesar da admiração que tenho por ele.

sexta-feira, junho 12, 2009

Corte no Senado

O senador Heráclito Fortes foi submetido a uma cirurgia bariátrica de redução de estômago. Muito chique, o senador.

Fico eu aqui, coçando a careca, a tentar ver os motivos senatoriais que o levaram à radical cirurgia .

De pronto, afasto qualquer interesse público, em se tratando de um dos líderes do PFL. Não, não esqueci o novo nome. Somente, tal qual à reforma ortográfica recente, mudar pra quê? Uma vez PFL, PFL até morrer (ou $er cooptado por outro partido ou por uma vaga de ministro do TCU). O único pensamento no público é espetar-lhe a conta.

Embelezamento, é possível. Supeitei que a digníssima consorte (com sorte?) o tivesse exigido para interromper intensa sudorese noturna que lhe viria acometendo, segundo uma manicure, a perceber, nas raras piauienses madrugadas, o vultoso senador a seu lado. Mil vezes a solidão, a viuvez ou a cadeia, segundo a assustada senhora. Afastei também essa hipótese, dado os conhecidos exageros da manicure, mocréia de língua afiada e venenosa, além de que a cirurgia não foi ministrada em conjunto a necessária lipoaspiração na papada, o urgente desbaste nas bochechas, a ablação labial que lhe tirasse o ar de príncipe submarino ou de baiacu, como queiram. Decididamente, não se tratou de beleza física, tarefa desnecessária por inútil e adamastônica. Além do que tem o senador inteligência e malandragem suficientes para compensar seus atributos físicos.

Por saúde, razão plausível. Exames haviam apontado traços de sangue na solução lipídica que lhe preenchia veias e artérias. Com o estômago reduzido, se é impossível diminuir a quantidade de buchadas-de-bode nos périplos eleitorais, ao menos a quantidade ingerida em cada um. E, ano que vem, a eleição vai ser fogo. Do jeito que vai, não tem fotoshoping que faça o senador bonito e simpático nos santinhos.

Talvez - e o mais provável - haja motivações de ordem política. Pressionado, porém impossibilitado, a proceder cirurgia bariátrica na dinossáurica Casa que secretaria, em ato heróico e altruísta, imolou-se pela causa.
Reduziu-se a si mesmo.

sábado, junho 06, 2009

Regras e Exceções

O SUS (Sistema Único de Saúde) é a mais recente tentativa de normalizar a atuação governamental na saúde pública, em atendimento ao preceito constitucional. É no ¨livrinho¨ que a consideraram direito do cidadão e dever do Estado. E eu nem estou aqui pra contestar o que escreveram os dignos constituintes pré-queda do Muro, embora alguns deles continuem vivos e em cima dele.
O fato é que o Estado tem a obrigação de facultar o atendimento médico e hospitalar aos cidadãos, sejam índios, negros ou brancos (por ordem de status social); ricos, remediados ou pobres (na mesma ordem). Não interessa nem se questiona se são usuários de planos de saúde, de seguros ou coisa parecida.
Quer dizer, não se questiona em termos.
O SUS busca ressarcimento dos planos de saúde pelos gastos incorridos com o atendimento dos cidadãos. De fato, não sei porquê.
A conseqüência real é que os usuários pagam duas vezes.
Na primeira, pelos impostos que custeiam o SUS. Na segunda, porque os valores absurdos que pagam aos planos de saúde têm embutido o ressarcimento ao SUS dessas despesas. As mensalidades poderiam ser menores, livrasse-nos Deus dessa gatunagem.
Fico espantado com a criatividade dos gestores públicos em extorquir os contribuintes ou de fazer graça com o chapéu alheio. Como se os usuários dos planos de saúde não tivessem o direito constitucional de valer-se do SUS.
Ou seja, o Congresso faz as regras. A burocracia, a exceção.