FregaBlog

domingo, abril 28, 2013

Darwin Tupiniquim

Trocar o que presta pelo que não presta. O saudável pelo podre. O futuro pela desesperança.
A escola de formação de criminosos, de insensíveis, de desrespeitosos pela vida, de tudo o que não presta.
Liquidar a juventude que signifique futuro digno. Arrancar a horta para cultivar ervas daninhas.
Nosso darwinismo ao contrário.
A evolução da involução.
Imola-se quem pode construir o futuro em benefício de quem não presta.
Não era só uma mulher digna, esforçada, que construiu sua carreira, que apoiava seus pais, que pensava poder viver como uma pessoa decente numa comunidade. Não, era audaciosa.
Não era só filha, irmã, vizinha. Era uma sonhadora. Acreditava que poderia viver de seu trabalho e dedicação à vida, a dentista.
Tinha no bolso o suficiente para comprar 6 pedras de crack. Preferia comprar pão com esse dinheiro adquirido com o fruto de seu trabalho. Alienada!
Como desprezou o conselho das autoridades togadas e fardadas? Como não dispunha de uma reserva que lhe pagasse a vida, não a transformasse numa tocha humana? Ou no churrasquinho de gente, na risada dos bandidos ao vê-la retorcer-se em dor na inquisição da impunidade, da heresia de somente querer viver.
Pagou o preço de ser decente. Numa terra que enaltece quem não presta, os únicos que sobreviverão na barbárie.
O assassino incendiário, coitadinho, menor de idade. Preferia que fosse velho, decrépito. Ao menos lhe restaria menos tempo de vida para executar suas maldades. Teremos que suportá-lo por mais 40, 50 anos, pois é menor de idade ainda. A não ser que morra de overdose ou de disputa pelo próximo cadáver.
É esta a nossa sociedade que involui. Que se aliena com camisetas com pombinhas brancas pedindo paz. A sociedade em que as autoridades dizem e insistam que não se reaja, que não se arme, que não revolte-se com a violência.
O discurso do magarefe para a boiada que conduz ao matadouro.
A defesa incondicional da transferência da culpa para as mazelas sociais. Além de assassinados, somos culpados também.
Ficam de marchas contra a corrupção, alienando-se de que a maior corrupção é de valores. Um país que insiste num ECA, na impunidade, numa menoridade penal absurda e irreal, que se inverte em seus valores mais básicos, de fato, não pode ter futuro
E assim, nessas teses antropológicas, comprovamos, pelo absurdo, que Darwin estava certo.

quinta-feira, abril 25, 2013

Rosnados

O clima é de confronto passional, de ciúme infantil por pirulitos, de rosnados selvagens pelo domínio do fêmur da caça.

Demonstrações de poder de fogo e de estragos nas hostes adversárias. Nossa democracia não merece isso, mas também não merece as soturnas figuras que se apossam dos poderes.

O STF defende sua primazia frente aos outros poderes, a ponto de ontem, o Min Gilmar (sempre ele) decidir sobre se um assunto pode ser pautado ou não para discussão no Congresso.
Já a Câmara, com todo o direito, decide que uma emenda constitucional é possível estabelecendo limites à ditadura do Supremo.

Dilma trucou o STF e perdeu um round. O Congresso, bastião último da representatividade popular, confronta-se. Com direito à judicialização da política, pois não faltam apelantes ao STF da mesma maneira como não faltaram aos generais em 64, tudo com os mesmos objetivos eleitoreiros menores.
Agora, como antes, repete-se a história.

Mas a realidade é que pouco estão se importando em aperfeiçoar o mal-feito constitucional, pouco estão se lixando com isso. A luta é menos surda e mais canina. Estão disputando um osso, que significa poder. Mostram-se mutuamente os dentes, rosnam, um cheira o rabo do outro pra sentir o tamanho da imundície.
Chegarão a um equilíbrio, cada um vendendo sua transigência pelo maior preço que o oponente estiver disposto a pagar. Estão-se aumentando os preços reciprocamente para a negociação.
Simples assim.

Mas isso não vai descambar pra uma crise institucional, não interessa a nenhum deles uma ruptura que force uma revisão dos poderes que já conquistaram, que ponha em risco sua boquinha, vitalícia ou não.
Irão chegar a alguma composição e se retirarão da rua lambendo suas feridas, autolimitando suas ambições de poder absoluto, postergando-as para momento mais propício.
E fica tudo por aí mesmo. Na grande pizza institucional criada no imbroglio de uma constituição porqueira.

terça-feira, abril 09, 2013

Podridão Exposta

Em tudo e por tudo, o episódio de hoje na CDHM da Câmara Federal contribui positivamente para a sociedade.
Vomita a podridão de nosso sistema político. A fratura exposta de um sistema mal desenhado, mal construído e mal gerido.
Perdemos, em 88, a grande oportunidade de temos uma Constituição que prestasse. Que nos impelisse para o futuro, que aperfeiçoasse nossa democracia, que lançasse as bases de um país decente.

Sim, vivemos período de exceção, em que a opinião poderia ser violada a critério do grupo gestor de plantão. Foi ruim, deixou cicatrizes.
Mas formularam uma Constituição revanchista. Fonte de impunidade, de corrupção. Constitucionalizaram além dos limites. Por pouco não definiram a cor do feijão que comemos com o arroz.
Exageraram.

E temos aí uma figura totalmente inadequada, não só para presidir uma comissão temática, mas até para ter assento no parlamento.
Eleito em um sistema proporcional por quociente obtido em círculo restrito e fanatizado, adquiriu credenciais, com seus cerca de 200 mil votos, para influenciar na vida que quase duas centenas de milhões. Chamam a isso democracia representativa?
E pior. Eleito nas regras do jogo, não há alternativa institucional que lhe retire de lá, a não ser a cassação do mandato parlamentar. E isso é muito improvável que aconteça e que seja homologado pela justiça, a quem recorreria da decisão certamente.

Na reunião de líderes ocorrida hoje, para figurar, encenar uma pressão para que renunciasse, jogou às fuças dos parlamentares que dois parlamentares condenados pela mais alta Corte participam de outras Comissões. Que os retirem, então. E todo mundo calou a boca, porque é verdade.
De todos os partidos, somente os líderes do PT, PSOL e PCdoB se manifestaram contrários à manutenção do atual presidente. O PSDB sequer compareceu à reunião, em sua melhor tradição murista e covarde. Os outros, ao menos, tiveram a audácia de se contrapôr à opinião pública que exige sua saída. O PSDB foge.

Enfim, tudo isso é até bom. Estamos num momento que, quanto mais desmoralizado esteja o Congresso, mais próximo estaremos de uma verdadeira democracia. construída a partir de um novo pacto federativo, com a desconstitucionalização dos inúmeros temas que não têm a menor razoabilidade em serem unificados no País, com o desengessamento das cláusulas pétreas que impedem a atualização e amplitude dos direitos individuais estipulados no Art 5º, com um sistema político que seja parlamentar e com voto facultativo e distrital.
Com a extinção de órgãos anacrônicos como a Justiça do Trabalho, Justiça Militar, Tribunais de faz-de-contas, dentre outros tantos.

E, principalmente, um Congresso decente, que não seja somente um balcão de barganhas.