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quarta-feira, julho 19, 2017

Pequenas Tiranias

Um povo, tal como um cavalo no piquete, um cão no quintal ou uma vaca na mangueira, domestica-se, condiciona-se, adestra-se.
Com pequenas tiranias ao começo, aumentando-se a dose até sua perfeita e completa submissão. A partir daí, vira massa de manobra, exército de zumbis, escravo do condicionamento.
O conhecido mecanismo de prêmio-castigo, Pavlov já destrinchou esse assunto.
E nós com isso?
Em nossa história recente, últimos 50 anos,fomos amestrados.
Primeiro a ditadura. retirando pouco a pouco a capacidade de pensar e reprimindo a de se indignar. Reforma do ensino, a massificação do conceito de que oposição não permite contestação. Aquela domesticada, esta renovadora.
Uma geração criada nesse ambiente, predisposta a não se rebelar.
A segunda geração com esses conceitos internalizados, assume uma identidade entre revolta e vandalismo. Que se revolta é vândalo, numa repaginada do anterior carimbo de terrorista a quem era guerrilheiro.
O adestramento começa com pequenas tiranias até chegar à tirania completa. Até que se alcance a aceitação pessoal da rédea e bridão, do politicamente correto, da opressão considerada como normal.
Lá atrás, haverão alguns de se lembrar, cones no trânsito, desacato à autoridade, aumento do aparato repressor e do poder individual atribuído a "autoridades" nos levaram ao atual Temer e sua quadrilha.
Somos, hoje, um povo de sim-senhor, vacas de presépio, maria-vai-com-as-outras.
Um lixo de povo, apropriado a um país, antes promissor, aproveitável somente pelos donos do lixão.
O adestramento funcionou.
Grande parcela aplaude um julgamento sem provas, sem retringir-se à acusação, tirânico. Nada mais adequado à acomodação da tirania internalizada.
Ouvem-se também aplausos ao leilão e alienação das riquezas nacionais, ao fim dos direitos trabalhistas, 'a liquidação da solidariedade, da cidadania.
Viramos um povo de escravos. Escravos do medo, dos preconceitos, na inércia, da desesperança.
Um povo que internalizou que oposição é possível, mas contestação, ah, isso é terrorismo, coisa de baderneiros.
Esta a nossa sina.
O jogo não se ira com passeatas, com riminhas imbecis em palavras de ordem. O jogo só se vira pelo medo.
Medo que falta aos donos do grande lixão, mas que sobra nos catadores dos sobejos.
Medo de uma Place de la Concorde. Mas por que temê-la, se o povo foi domesticado?