FregaBlog

segunda-feira, novembro 21, 2022

Sócios Ocultos

Alguns conhecem como laranja. Outros apenas preferem o anonimato por alguma razão pessoal. Um conflito de interesse que precisa ser ocultado, timidez, contorno de vedações ou impedimentos legais, pra inglês ver sem acreditar, quilos de motivos.

Institucionalmente, é aquele grupo que age com a força da corporação a que pertence, para influenciar, manipular ou até dominar parcelas ou a totalidade do Poder Político, ainda que mantidas todas as aparências de normalidade institucional. O famoso "as instituições estão funcionando", quando de fato estão instrumentalizadas para funcionar conforme o interesse do Sócio Oculto.
A anormalidade travestida de normalidade.

Texto em PDF disponível  pelo link

https://drive.google.com/file/d/1BNcZt86oRkBTuvbpwO-jD1sF4RGmSEje/view?usp=share_link



sábado, novembro 19, 2022

Sete Revezes e Uma Mentira

 Diziam os antigos que a gente põe e Deus dispõe. Sem ficar terceirizandoas providências e proteções, talvez os planejamentos com propósitos vis, malvados, sofram alguma resistência, quem sabe até derivados da própria energia desarmônica e quizilenta dos geradores de conflitos, dos invejosos, dos mentirosos, dos egoístas.
Seja como for, planos Dick Vigarista costumam dar errado.
No caso, sete planos, sete erros. Mas a mentira permanece.
Entenda melhor em https://drive.google.com/file/d/1Mdk_xOWppW8pqoO18lXj4R4Jo6kfsuGe/view?usp=share_link

domingo, novembro 13, 2022

A História se Repete?

 Lula venceu, é inquestionável. Mas Bolsonaro perdeu?

Reflexões sobre a conjuntura sócio-política frente ao predomínio das redes sociais como maior fator nunca até hoje visto para a comunicação de massa.
Ainda que a História se repita, seus efeitos serão os mesmos num mundo multipolar e de interrelações personalizadas, com direito a bolhas identitárias quebrando conceitos, pulverizando fronteiras, fortalecendo preconceitos?
Uma tentativa de sistematizar os últimos movimentos pós-eleitorais e de prospecção de futuro próximo. Opúsculo disponível em

https://drive.google.com/file/d/1WuzlMdWUb9vZ5svzWWCjl-aRbOjGXfUC/view?usp=share_link

domingo, novembro 06, 2022

Churras de Gambá Azedo - Parte I - Cenário Interno

 Lula venceu a eleição. Isso já aparenta estar pacificado, a turba desordeira tende a reduzir seu frenesi passada já uma semana, já cumpriu o papel determinado de gerar instabilidades.
Ainda há questões pendentes, o MP e o Judiciário precisarão se debruçar sobre as responsabilidades pelos atos antidemocráticos inconstitucionais, não como perseguição, mas como prevenção contra a recidivas de baderneiros e insensatos que ficam a pregar golpe de estado.
Esses não têm decência e nem nunca terão.

A questão maior é, figurativamente, o dia seguinte.
Vou admitir que os lobos solitários, viúvos dos mentores das desordens e arruaças não tenham sucesso em suas pulsões terroristas, quiçá homicidas. Passo por cima porque seria um fator tão grande de desestabilização a ponto de tornar imprevisível qualquer cenário. Que pode explodir como reação em cadeia, seja de apatia, seja de selvageria.
Vou partir, portanto, do princípio que Lula assuma o governo normalmente e materialize as composições necessárias à governabilidade. Esse é o ponto de partida.
E agora, José? Na metáfora de Delfim, é preciso abrir a quitanda com berinjelas e troco.

Não se pode desprezar que Bolsonaro, independente dos marechais que lhe manejaram nos últimos quatro anos e que iniciaram a forjar o mito há dez, sai dessa eleição com uma massa de apoiadores pessoais.
Alguma coisa em torno de 15% do eleitorado, o que é de fato muita gente. E gente ignorante e fanática, combinação ideal para qualquer regime fascistóide.
Ainda que repugne a idéia, há muitas semelhanças e coincidências com Munique no início da década de 1920.
Grupos fanatizados, líderes espertos, palavras de ordem como Deutschland über Alles (Alemanha acima de tudo) e Deutschland  Erwache ( Alemanha, acorda), um veículo para divulgar e difundir os interesses do grupo, Voelkischer Beobatchter. Generais e marechais cooptados, ações truculentas e intimidatórias contra adversários.
Uma turba seguidora mesmerizada pelo discurso de ódio antissistema, seleção de inimigos coletivos para mobilizações em nome da salvação nacional. Conforme escreveu Goebbels em 11 de março de 1932,  palavra Putsch ronda os ares.
Ein volk, ein reich, ein führer, bradavam.

Brasil Acima de Tudo, Acorda, Brasil, gabinete do ódio, rede de mentiras desqualificadoras de adversários. O discurso antissistema, a pregação de ódio e submissão, ou eliminação, de adversários. A trilogia salazarista Deus, Pátria e Família. Sob alguns condicionantes, na última semana presenciamos algumas dessas coisas.
  Quase todos conduzidos por militares em regimes autoritários e truculentos no séc. XX.
Impossível não correlacionar.

Culto à personalidade. Generalíssimo, Duce, Führer, Homem de Aço (Стальной человек), Pai dos Pobres.
Mito. 
Assustador correlacionar.

A vitória eleitoral não foi avassaladora. Ao contrário, sinalizou uma divisão virtualmente igualitária dos eleitores. Menos de dois por cento de diferença num universo de mais de 118,5 milhões de eleitores. Uma maioria muito pequena, uma minoria muito grande.
Por quatro anos foram pregados a discórdia e o conflito. As instituições democráticas foram permanentemente atacadas e efetivos das forças de segurança cooptados, a campanha midiática constante e permanente, mentirosa, destrutiva e demolidora de personalidades.
Inimigos foram escolhidos, mobilizações promovidas contra as escolhas.

 É evidente que esse histórico em conjunto com metade da população descontente, exatamente metade que foi o objeto da doutrinação destruidora e incentivada a se armar com clara intenção de impor sua vontade pela força, gera uma instabilidade ambiental que pode fugir ao controle, cm consequências imprevisíveis.
Lula venceu, porém Bolsonaro não perdeu.

E, como um complicador do cenário, essa divisão paritária não se refletiu nas eleições legislativas, original e majoritariamente alinhadas à candidatura derrotada para o Executivo. Um desafio a mais para o vencedor, não bastou conquistar o governo, necessita conquistar a governabilidade.

Então, no cenário interno não navegará em mar tranquilo. Será necessário atrair a parcela não fanatizada e a contaminada pelo discurso religioso fundamentalista, alguns com clara e evidente atuação mais terrena do que filosófica, mais pecuniária do que de bênçãos, mais política do que cristã. O tempo jogará a seu favor, desde que as ações sejam inclusivas e pacificadoras.
O segmento fanatizado, seja por ignorância política, seja por seu próprio viés fascistóide, esse continuará a praticar nas ruas e no parlamento suas ações de oposição, sem respeito aos fundamentos democráticos.
É a turma do vale tudo, até ditadura.
E o cenário externo?
(continua em http://fregablog.blogspot.com/2022/11/churras-de-gamba-azedo-parte-ii-cenario.html) 

Churras de Gambá Azedo - Parte II - Cenário Externo

 A figura de Lula como um dos líderes mundiais de maior representatividade criou uma onda de simpatia ao Brasil, após quatro anos de isolacionismo, truculência, alinhamentos automáticos e isolamento.

O próprio Chanceler, exonerado por ter criado um ataque injustificadamente truculento contra uma senadora, a gota d’água, expôs na formatura de novos diplomatas o seu orgulho do Brasil haver se tornado um pária no concerto das nações. Concerto na visão dele, globalista e abortista.
Os qualificativos às nações são enigmas a serem um dia, quiçá, decifrados.
O fato real é que o mundo se apressou no reconhecimento da eleição e impediu a tentativa de um golpe de estado que estava, tudo indica, gestado e pronto para eclodir. Não se pode desconhecer que o governo foi exercido de fato pelo consórcio dos marechais, o mesmo que forjou o mito.
(V. série de 8 artigos em  http://fregablog.blogspot.com/2022/08/de-proscrito-mito-parte-i-o-resgate-da.html)

Não obstante, as ações programadas para a desestabilização democrática foram desencadeadas, já não mais com o reforço da vitória do projeto autoritário nas urnas, mas em contestação às próprias urnas, ainda que as mesmas urnas tenham sufragado sua vitória majoritária para o Parlamento e em diversos Estados da Federação.
O reconhecimento internacional e a requisição de participação ativa de Lula em fóruns e reuniões bilaterais com outros governantes, mesmo antes de sua posse, ajudou a inviabilizar o golpe programado.

Porém Lula enfrentará um mundo totalmente diferente de 2003, quando deu início a sua consagração internacional como grande estadista.
Era um mundo com hegemonia do maior império em força militar até hoje registrado na história da humanidade. De certa forma, esse fato também limitava os conflitos aos de interesse do próprio império. Quase uma reedição ampliada da Pax Romanae inaugurada por Otávio Augusto.
Era um mundo mais simples para a gestão de um país importante como o Brasil, mas periférico.

Nesses vinte anos o império entrou em decadência acelerada. Antagonistas surgiram e se fortaleceram. Não há mais hegemonia, a grande potência emergente, a China, já disputa a primazia. Forma-se um mundo multipolar.
A ascensão de Trump introduziu conflito nas relações internas e externas. Fez ressurgir uma extrema direita que se supunha extinta após a IIGG.

O mundo ficou mais perigoso e instável com Trump.
O Brasil, país com maior peso específico na América Latina e considerado como seu quintal privilegiado pelos Estados Unidos, experimentou também uma guinada para a extrema direita em 2018, com características ainda mais fascistóides.
O alinhamento foi automático e escrachado, a ponto de se abandonar a tradicional escola diplomática do Itamaraty e submeter-se direta e explicitamente os interesses estadunidenses. Pela primeira vez, exemplificando, um general brasileiro serviu em uma unidade estrangeira com subordinação direta a um general estrangeiro. Com direito à continência à bandeira estrangeira. Coisas inéditas aconteceram.

A derrota de Trump e posse de seu opositor Biden desguarneceu o governo brasileiro, que se já havia se isolado dos outros países. Deu início a uma fase agravada de ausência de política externa, inclusive quanto a nossos vizinhos, que tradicionalmente viam no Brasil o irmão mais forte.

Pois bem, ocorrem agora as eleições intermediárias parlamentares nos Estados Unidos, com forte probabilidade do partido de oposição ao atual presidente compor uma maioria.
Isso dificulta as ações do governo Biden e dão uma indicação de possível volta de Trump, ou, caso condenado pela baderna que promoveu na derrota eleitoral (e que Bolsonaro tentou repaginar em terras tupiniquins) o impeça de disputar a presidência, do trumpismo, que mostra sinal de força para fazer o próximo presidente dos Estados Unidos daqui a dois anos.

O governo brasileiro andará numa corda bamba.
Os interesses nacionais sinalizam que compor e fazer parte como ator no mundo multipolar trará vantagens significativas ao Brasil pela participação de acordos multilaterais.
O Brics ganhará força, surfar nessa onda é vantajoso para o Brasil. No entanto, será pressionado pelos Estados Unidos para manter-se em sua restrita órbita de influência.
E aí surge Bolsonaro como o agente da chantagem e será utilizado como uma espada de Dâmocles a assombrar o governo Lula. E com toda força pelo racha eleitoral.
O governo Biden se posicionou claramente contra o viés golpista que vicejava nos quartéis generais no Brasil. Era o plano, difícil não perceber isso.
A oposição do governo estadunidense foi o fator que aquietou nossos marechais golpistas. Mas o governo Biden pode jogar com esse trunfo, ameaçar soltar seus cachorros. Apoiar um golpe, por exemplo, não seria a primeira vez que um governo democrata o faria. E nem um republicano também. 

(V. análise de Roberto Garcia https://blogdopensamentocritico.blogspot.com/2022/11/a-diferenca-esta-na-diferenca-por.html)

Caso se configure a vitória Republicana para o Congresso em Washington, esse cenário fica mais factível.
E caso o trumpismo vença as eleições presidenciais, que ocorrerão em 2024 (as nossas municipais também), a exigência para alinhamento ideológico será de tal ordem que ficará insustentável.
Ou seja, independente do jogo de cintura de Lula, reconhecidamente um craque, haverá churrasco de gambá azedo no Torto.