FregaBlog

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Cadê o Problema?

Não sei se os dois ou três leitores perceberam as reações de Jobim e Vanucchi após a reunião com Lula. Jobim, com um nada a declarar, declarou tudo. Vanucchi, nada declarou, entrou rapidamente no carro e o máximo que se viu foi um semblante de decepção.

Lula, superando as melhores técnicas acadêmicas, possui o dom inato da liderança. Polido pelos embates sindicais e pelas várias correntes antagônicas dentro de seu próprio partido, Lula é um craque em ignorar a fermentação de crises, deixá-las esgotar-se por si mesmas e, já enfraquecidas, bater o martelo, deixando aos contendores a impressão de que ganharam no principal. Mesmo que tenham perdido.

Lula conseguiu retirar o caráter revanchista e incendiário do projeto vanuquiano sem transmitir a setores radicais, tanto os que o apóiam como da mídia e da oposição, o argumento de fraqueza, de medo frente às reações públicas.

Claro que Vanucchi sentiu que perdeu. Mas não lhe foi dado o argumento de sair do governo atirando, coisa que estava nos seus planos, provavelmente.

Por outro lado, Lula avocou a si a aprovação do resultado do debate em comissão específica a ser criada para melhor explicitar os temas e limites de sua aplicabilidade. Por ora, limitou-se a dar novo direcionamento à questão das violações no âmbito das instabilidades políticas do passado.

Outros enfoques do plano, com certeza, serão revistos. A questão do aborto, do esbulho, da raiva incontida ao agronegócio.

O PT é o único partido que conheço com inimigos filiados. A oposição, fosse minimamente competente, nem teria trabalho. Ele se encarrega de gerar seus próprios problemas, basta tudo estar correndo certinho.

E na solução, como efeito colateral, Lula ainda conseguiu preservar a Dilma de sua mancada. Tenho que tirar o chapéu.
Além do mais, o cara é sortudo. Não é que o terremoto do Haiti ocupou 100% das pautas semanais das tragédias jornalísticas? Ou seja, na desgraça deles, a mídia nativa esqueceu do tremor interno.

Mas, por falar em tragédia, parece que a característica petista, em realidade, é uma característica nacional. Hoje mesmo li o vaticínio de um cientista de que o Brasil também pode ter um terremoto de propoções haitianas.

Claro, se eles têm, porque nós não? Afinal, somos o país do futebol, dos saracotecos, da piada pronta. Só faltou ele declarar que não admitimos ficar pra trás. Se até o Haiti teve, nós também podemos ter. Lixem-se as teorias das placas tectônicas. Brasil acima de tudo e de todos.

Enquanto isso, uma certeza. Nós temos a solução. Inventem o problema, pelo amor de Deus!

terça-feira, janeiro 12, 2010

Mário Kosel Filho

Os "meninos" com menos de 50 provavelmente nunca ouviram esse nome. Dá pra entender, não tocam nele. É um assunto que ainda gera desconforto nos verborrágicos ex-guerrilheiros, agora defensores da democracia e dos direitos humanos.

Não que esse reposicionamento, esse revisionismo, para usar sua linguagem histórica, seja ruim. Pelo contrário, é até uma evolução, desde que honesta de intenções. O que não parece ser o caso de Vannuchi e sua turma incendiária.

Pois bem, Mário Kozel era apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes, que amava os Beatles e os Rolling Stones. Bem ao tipo de sua geração e de seus 18 anos.

Mário Kozel era sentinela do QG do II Exército em São Paulo, na hora errada. Os "vítimas" da VPR explodiram um caminhão com dinamite ao lado de Mário.

Dizer que Mário era torturador, que era agente da repressão, que foi vingança, só no eufemismo desses mentirosos. Mário Kozel é um dos exemplos do que Vannuchi tenta esconder ou desconsiderar como crime.

Ao menos, Vannuchi é coerente. Pelo mesmo motivo defende Battisti.

Só pra concluir.

O pai de Mário, dizem, morreu em depressão profunda. A mãe, mais forte, sobreviveu e a ela o Estado brasileiro concedeu uma pensão de R$ 300 40 anos depois. Tudo bem, Mário estava somente cumprindo seu dever constitucional do serviço militar, usava farda, nem merecia grandes homenagens na visão desses facciosos. Pelo plano de Vannuchi, talvez até seu nome seja retirado da praça fronteira ao prédio do QG. Já alguns de seus assassinos, comandados pelo PC soviético e apoiadas por Cuba, com campo de treinamento de guerrilhas e terror urbano no Vale do Ribeira, em São Paulo, foram premiados pela Comissão de Anistia (turma do Vannuchi) com R$400 mil de “atrasados” e R$1.700 de pensão. Isso porque militavam na Vanguarda Popular Revolucionária - VPR, grupo terrorista comandado por Lamarca - o mesmo traidor que a turma de Vannuchi queria promover a general post-mortem, com direito à milionária indenização.

Esse plano tem por objetivo cristalizar o conceito de que os conflitos eram a briga do lobo com o cordeiro, do pescoço contra a guilhotina. Definitivamente, não era. Só isso é suficiente para desmascarar os pinóquios de Vannuchi. Como a mentira não surge de per si, fica muito claro quem são os mentirosos.

Mas há uma ameaça ainda mais grave. Qual a posição de Dilma?

Lula faz o esforço de posicioná-la como continuidade de seu governo. Mas seu governo tem se caracterizado pela composição, às vezes até em excesso. Dará Dilma efetiva continuidade à política conciliatória de Lula? Teria a Casa Civil passado batido pelas más-intenções de Vannuchi ou participa delas? É mais do que necessário um posicionamento claro, sem o que sua candidatura fará água, afundará na suspeita. O que nos jogaria às fauces de outra turma, igualmente má-intencionada, capitaneada por FHC.

Ao contrário do que se diz na imprensa, quem está numa saia justa, numa sinuca de bico, não é Lula. Somos nós.

sábado, janeiro 09, 2010

Tchau

Na tentativa de criar mais um factóide, o ministro Vannuchi ameaçou pedir demissão caso seu programa de verdade parcial seja modificado de forma a permitir também a investigação dos crimes do terror da esquerda na ditadura de 64.
Isso só mostra que para esse fantoche o que menos interessa é a verdade. Interessa-lhe somente a versão, nesse caso, a versão de articipante da ALN, que seqüestrou e matou tanto a antagônicos como inocentes.
Para Vannuchi, pouco interessa se o combate à ditadura militar promovido no grupo em que participava era, em verdade, a defesa de um outro tipo de ditadura. Isso ele omite. Como sempre, é parcial e mentiroso.
Particularmente, duvido que Lula mantenha a proposta original dessa camarilha asilada sob as asas de Genro, o mesmo que ainda acha que Battisti é perseguido político. Lula não é burro nem incendiário. Além disso, tem sensibilidade política comprovada. Tomara que aproveite a ameaça do obeso e o mande às favas.
Assim sendo, o plano da verdade parcial não prosperará. Então, tchau, Vannuchi.
Até nunca mais. Se Deus quiser.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Inflação Bolivariana

Chavez I, o Bufão, tá conseguindo. O bolivar bolivariano (não é pleonasmo) conseguiu se desvalorizar frente ao decadente dólar americano, convalescente de uma crise que o atingiu às entranhas.
Como se vê, a inflação não é um fenômeno capitalista, nem comunista, nem qualquer coisa. É uma conseqüência da irresponsabilidade governamental, da prepotência fiscal, da incompetência de lideranças.
A moeda bolivariana foi desvalorizada por decreto, como é de praxe em ditaduras econômico-políticas. Desceu um degrau oficial de até 50% em relação à moeda americana. Menor ainda do que o valor reconhecido no mercado de títulos, que sinaliza uma desvaloriação de 70%.
A inflação, com causas razoavelmente conhecidas, gera efeitos absolutamente conhecidos. Ou o aumento dos preços com a perda da qualidade da moeda, ou a queda na oferta dos produtos. Chavez conseguiu ambas em sua tentativa de liderar nanicos. A inflação bate nos 25% a.a. e a única coisa que cresce na Venezuela são as filas de consumidores atrás de bens, escassos nas prateleiras.
O mal que esse ditadorzinho de meia-tigela causa à Venezuela levará décadas de esforço daquele povo para superá-lo. Isso, se conseguir.
Como se vê, não há riqueza natural - nem a petrolífera - que supere a pobreza de espírito.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Ano Novo, Velhos Tempos

Recém começa o ano e os velhos comportamentos ressurgem.
O noticiário de ontem explorou um tanto mais o tal Projeto Verdade, em gestação no chamado "ministério" de Direitos Humanos, do repulsivo Vanucchi.
Pra mim, isso não passa de balão de ensaio lançado por um grupo inconseqüente, sem visão histórica e disposto a correr o risco de incendiar o país. Digo balão de ensaio porque, como outros tantos, é lançado para testar a reação da opinião pública e de grupos de opinião. Se passar em branco, o risco de sua rejeição é menor. Quase uma pesquisa qualitativa, instrumento tão utilizado em marketing.
Porém, o balão furou, vazou, deu chabu.
O midiático Min. Jobim, tantas vezes criticado neste mesmo espaço, tomou posição que lhe honra as calças e a formação moral e jurídica: repudiou a tentativa, trombou com os trombadinhas e ameaçou abandonar o barco. Aumentou o respeito que vem conquistando, passo a passo, nos meios da segurança nacional. E meu também.
Vanucchi e seu bando inconformado e revanchista (Dilma, embora diga o contrário, incluída?), recolheu os flaps, deu motor e saiu de férias. Vanucchi e seu chefe Genro devem estar tomando um chopp e avaliando o estrago escondidos em Tramandaí ou Imbé. Lula, o negociador, já percebeu a mancada. Empurrou com sua crescente barriga para abril, de onde será remetido por Sedex pras calendas. De bobo, o Filho do Brasil não tem nada.
O Brasil sempre superou suas fases de quebra institucional com uma anistia pacificadora. Desde a independência, quando absorveu líderes que haviam se alinhado com os portugueses. Transitou pelas Regências, pelo segundo Império, com o exemplo fantástico de Caxias na Guerra Farroupilha. Pelos sucessores do caduco Deodoro e do tirano Floriano Peixoto, pelo ditador Vargas, por Juscelino, na tentativa de Aragarças. Assim também encerrou-se o período de 64.
As anistias são um recurso. O tempo é que promove a decadência.
Já passamos 30 anos da anistia. Anistia bilateral, pois assim como passou a borracha nos crimes cometidos em favor das instituições vigentes, também a passou nos que foram cometidos contra elas.
Terroristas de ambos os lados - porque ambos o eram - ganharam tempo para morrer em paz.
Vêm agora tipos do quilate de um Vanucchi querer rever o assunto, descaracterizar a anistia, limitá-la a somente um grupo de criminosos.
Aí se entende com mais clareza a razão desse mesmo grupo alienado considerar Battisti perseguido político. Como sempre na humanidade, há um grupo de idiotas que só consegue viver nos velhos tempos, com olhos grudados no retrovisor.
E o lamentável é que estejam infiltrados no governo.