FregaBlog

sexta-feira, agosto 31, 2007

Ah, bom! Tá explicado...

Você consegue entender isso?
Veja abaixo a tabela da vergonha:

Tabela Vítimas da seca / Índios da Amazônia
Quantos? 10 milhões / 230 mil
Sujeitos à fome? Sim / Não
Passam sede? Sim / Não
Subnutrição Sim / Não
ONGs estrangeiras ajudando Nenhuma / 350

A explicação para este absurdo:
A Amazônia tem: ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.
O nordeste não tem tanta riqueza, por isso não há ONGs estrangeiras lá, ajudando os famintos.
Enquanto isso, uma ONG estrangeira (principalmente do EUA) está gastando milhões de dólares para salvar o mico leão dourado.
Tente entender:
Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres.
Agora uma pergunta: Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito?
Ao entrar na página de uma ONG indigenista ,da qual não citaremos o nome, uma das primeiras coisas que se vê é o emblema da União Européia, que investe milhões de dólares na demarcação de reservas indígenas no Brasil.
Por quê?
Quando há tantos problemas de maior gravidade: terremotos em El Salvador e na Índia, a catástrofe em que vive a África, a seca no nordeste, a epidemia de AIDS, etc. E eles gastam milhões para demarcar reservas indígenas?? E que já são exageradamente grandes?
Por quê?
Para entender isso basta ler a frase abaixo:
"É nosso dever garantir a preservação do território da Amazônia e de seus habitantes aborígines para o desfrute pelas grandes civilizações européias." (Conselho Mundial de Igrejas Cristãs , sediado na Europa,1992)
Lute contra o selo verde aqui no Brasil, só compre produtos sem selo verde.
Selo verde é a mais nova forma de exploração da nossa Amazônia pelos países ricos!

Constituinte

Está se ensaiando na convenção do PT a abertura de discussão sobre uma assembléia constituinte, com objetivo de corrigir ou atualizar os dispositivos constitucionais que se mostraram desatualizados ou preencher as lacunas existentes.
Dentre os temas está a reforma política, em que está se incluindo, dentre outros assuntos como a fidelidade partidária e o financiamento público, uma proposta ainda inédita: a representação parlamentar unicameral, com a extinção do Senado.
É um ponto de vista interessante.
Filosoficamente, os deputados federais representariam a população de seus estados. Por isso sua bancada obedece uma lei de proporcionalidade indireta. Já o Senado seria a representação federativa, em que cada unidade tem o mesmo peso na composição da Federação. Daí a bancada ser composta de três senadores por Estado federado. Era de 2 senadores, até a manobra de Geisel.
Isso filosoficamente. Na prática, todos se consideram representantes da população de seus respectivos Estados, o que distorce ainda mais a proporcionalidade da representação. Além disso, excetuando um ou outro detalhe, pode-se afirmar que há uma quase superposição de atribuições entre Câmara e Senado.
Em princípio, sou favorável a um sistema unicameral num estado unitário. Numa Federação, embora a nossa seja só prá inglês ver, tenho algumas restrições.
Mas acho um tema importante, assim como a fidelidade partidária e o financiamento de campanhas, para ser discutido dentro dos partidos, para compor uma base ideológica a ser submetida à população nas próximas eleições. A decisão, em última instância, é da população.
E porque uma constituinte é importante? Lembremo-nos que só ela pode rever as cláusulas pétreas especificadas na própria constituição de 88. E o mundo mudou muito, de lá para cá.
Lamento, no entanto, que outros temas não tenham sido noticiados e que para mim são até mais importantes do que a composição legislativa:

- O fim da reeleição em todos os níveis do executivo, instituída na manobra articulada por FHC para continuar o desmanche em favor do capital estrangeiro;
- A possibilidade de uma única reeleição para a mesma função legislativa;
- A instituição do parlamentarismo;
- A instituição do voto distrital misto.
Saindo da reforma política, uma constituinte deveria rever as excessivas salvaguardas do art 5º, como a que impede a pena de morte e torna discutível a redução da maioridade penal, dentre outros assuntos.
Mas reconheço. Não dá para esperar tanto desses políticos que estão por aí.

Apagão Ferroviário

Não quero comparar a tragédia ferroviária em Nova Iguaçu com as aéreas nos últimos 12 meses, nem nem prejulgar suas causas. Até pela disparidade entre vítimas - 119 contra mais de 350.
Mas é interessante confrontar a repercursão na mídia. As tragédias aéreas tornam-se uma unaminidade nacional, com especialistas e chutadores a dar palpites sobre causas e responsabilidades. Nos ferroviários e rodoviários, não.
Certamente deve ser pela qualidade das vítimas, em sua maioria. Uns do andar de cima, outros do de baixo.
Seja como for, a malha ferroviária brasileira foi tenazmente demolida. Ainda na década de 70, a RFF operava com razoável eficácia, substituídas as marias-fumaças pelas diesel-elétricas. Porém já nessa época, deixara de ser o transporte da classe média-alta e os investimentos em melhoria e expansão minguaram.
Até então, e tomo por exemplo a malha da rede do Rio Grande do Sul, a RFFRS mantinha regularidade no transporte de cargas e passageiros em troncos ferroviários que cobriam quase todo o Estado, sendo o transporte rodoviário somente complementar, para a capilaridade do sistema. Foi tudo abandonado.
Posteriormente, os fomentadores das privatizações com o apoio da imprensa, transferiram todo o acervo à investidores privados, que prometiam a revitalização da malha.
Mentira!
O que fizeram foi aproveitar-se do último suspiro, recuperar seu capital com os rendimentos e terminar a ação de sucateamento.
No Rio, duas empresas, a Central do Brasil e a Leopoldina, agora privatizadas, operavam os ramais de transporte de massa para os subúrbios e entorno. E é nesses ramais que os acidentes estão se sucedendo com uma freqüência crescente. Ontem foi mais um episódio dessa novela.
Enquanto isso, os governadores Serra e Cabral firmam um protocolo para a implantação do trem-bala entre Rio e SPaulo. Claro, já deveria haver há muito tempo. O projeto, estimado em R$18 bi, deverá ser tocado por ambos os Estados. Acho correto.
Preocupa-me somente, frente ao histórico de Serra e à incógnita de Cabral que, logo após o poder público efetuar os investimentos, arrumem um investidor amigo para proceder sua privatização, como aconteceu com a Anhangüera, a Trabalhadores, a Ayrton Senna e restante da malha pública rodoviária nos locais que tiveram a infelicidade de serem governados pelo PSDB.
Enquanto isso, a Ferrovia da Soja ligando o norte de Mato Grosso ao entroncamento para o Porto de Santos, que estava sendo construída com recursos privados nacionais em empreendimento capitaneado por Olacyr de Moraes e Banco Itamaraty, foi torpedeada e falida porque o governo federal não fez sua parte combinada.
Talvez porque não fosse estrangeiro, senão FHC teria criado até alguma agência (des)reguladora para garantí-lo.

Férias do Purgante

O presidente provisório de Cuba foi à Itália jogar golf, num luxuoso clube situado em Porto Ercole, Toscana, freqüentado pelo "jet set" (ainda lembram dessa vetusta expressão?) internacional.
E daí?
O digno representante da macróbia família Castro, apesar de sua cara de quem tomou um porre com óleo de rícino, não teria direito a férias?
Direito e com tudo o que tem direito. Incluindo um sobrevôo de helicóptero, de mais ou menos uma hora, para melhor localizar e avaliar os 18 buracos do campo com 80 hectares, antes do jogo.
Quando cansou de jogar e das luxuosas instalações, continuou suas férias no sul da Itália, provavelmente na Sicília.
Claro, como é mentira o diz-que-me-disse de que a família teria acumulado incalculável fortuna pessoal nos 50 anos de ditadura - não faria sentido em um dirigente comunista - o passeio foi custeado pelo miserável povo cubano. Pensando melhor, foi ele quem pagou o pato e o passeio em qualquer das hipóteses.
Cuba vive sob um regime ditatorial e num boicote imbecil promovido pelos Estados Unidos, o que agrava a situação de penúria da ilha e de seus habitantes. Ao que parece, a troika não chega a ser atingida e não contém seus ímpetos epicuristas, nem por solidariedade ao povo.
Ao que dizem, a natureza em Cuba é paradisíaca, como de resto o Caribe. Vá lá que Raul Castro queira férias. Poderia gozá-las em Cuba mesmo, cujo mar não perde em beleza para o Mediterrâneo. Seria, no mínimo, menos agressivo à população que vive e sobrevive sob racionamento, até alimentar.
Aí a gente entende melhor porque tudo o que cerca os Castros é segredo de Estado. Desde a saúde física de Fidel até a saúde financeira de sua família. Como o governo detém os meios de comunicação em Cuba, prendendo e arrebentando quem ousar divulgar informações não pasteurizadas pelo Comitê Central, o cubano médio não sabe dessas estrepolias.
Para sua sorte, pois se soubesse e protestasse, poderia acabar no fundo de uma das masmorras políticas. E seu sacrifício não impediria que os Castros continuassem a flanar com o parco dinheiro dos cofres nacionais.
Com tudo isso faz sentido a frase atribuída a Churchil de que a democracia é um péssimo regime, mas ainda não formularam outro melhor.
A ditadura em Cuba ratifica isso.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Ético, Justo, Legal

Esses três conceitos que norteiam a vida das sociedades organizadas às vezes entram em conflito, deixando-nos a duvidar da própria razão do Estado.
Em SP, o procurador assassino foi efetivado em suas funções e segunda-feira próxima retoma suas atividades no Fórum de Jales.
Que essa decisão é legal eu não duvido. Afinal, suas excelências do Ministério Público, do alto de seus títulos, diplomas e concursos, não tomariam coletivamente uma atitude ilegal. Porém, seria ético que não o fizessem. Justo seria condená-lo à morte.
Os 40 (coincidência?) no STF tiveram processo penal admitido por crimes vinculados ao chamado mensalão. Legal, sem dúvida. Justo, o processo irá dizer. Já no tocante à ética, temos que considerar a origem das investigações, no Congresso Nacional, onde há sensação de que são raros os exemplares que não praticaram atos semelhantes e que estão fora do indiciamento porque não foram descobertos.
O Rio vive uma guerra civil com os traficantes, preservando os compradores. É legal.
Justo seria que a guerra fosse estendida também, e principalmente, aos consumidores da droga, financiadores e única razão de ser do tráfico. Ético seria não conviver com essa contradição.
Os menores criminosos, a exemplo do recente assalto, seqüestro, estupro e assassinato de uma jovem em SP, em que o bandido tinha 17 anos, 11 meses e 27 dias na data do crime, têm o tratamento paternalista da sociedade e ficam detidos até os 21 anos, no máximo, saindo sem registro em ficha criminal. É legal.
O justo seria condená-los à pena máxima, preferencialmente à morte, retirando-os definitivamente do seio da sociedade e impedindo que reincidam no crime, o que ocorre em mais de 90% dos casos.
O ético seria a sociedade abandonar a hipocrisia e assumir uma postura mais dura aos criminosos e medidas de apoio social aos que, apesar de todas as dificuldades, da miséria, da deseducação etc, mantêm-se na boa trilha.
O Min Jobim, em solenidade a título de revelar um livro sobre mortos e torturados pelo regime instituído em 64, trouxe à luz episódios de nossa história recente e que têm resultado em indenizações vultosas. É legal.
O justo seria incluir nesse livro também o rol dos militares e civis assassinados pela guerrilha, os torturados pelos movimentos dito "populares e democráticos", os mortos por seus comparsas a título de justiçamentos, após julgamentos sumários.
O ético seria a pacificação tipo Caxias na Revolução Farroupilha e não dar asas a um revanchismo barato.
A oficialização do racismo no Brasil é legal. O sistema de quotas, importado dos Estados Unidos, desvia a atenção da inserção social para a racial, num propósito incabido em nossa conjuntura. Estão criando o problema para, depois, buscar a solução. Mas é legal.
O justo é considerar que todos os brasileiros são iguais em seus direitos, sem que haja um mais igual do que outro. Recentemente, dois gêmeos idênticos pleitearam a quota racial no vestibular da UNB. Um foi aceito, o outro não. Com a situação esdrúxula criada, a banca racial voltou atrás e considerou o excluído também negro. Mesmo assim, os dois foram reprovados. Melhor seria se tivessem dedicado-se aos estudos ao invés de tentar se beneficiar dessa lei de Gerson.
Já ético seria compensar desigualdades inatas em função das limitações, como no caso dos deficientes físicos ou mentais, ou das desigualdades sociais que condicionam a falta de oportunidade e de acesso. Não por raça, que não é defeito nem limitação para ninguém.
E assim, a cada conflito entre os conceitos, vamos duvidando das instituições, desacreditando dos poderes, caminhando por um túnel em que não se vê saída.
Com a prevalência do legal sobre o justo. Do justo sobre o ético.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Cansei

Pois é. Eu também cansei.
Cansei de suportar um regime presidencialista que elege um ditador a cada quatro anos. Ditador porque só consegue governar cooptando congressistas com cargos e favores, para legislar com Medidas Provisórias. O que torna o Congresso uma casa de negócios, já assim classificada anteriormente por Ruy Barbosa.
Cansei de ver esses ditadores serem eleitos com o artifício de estelionatos eleitorais e que resultaram, só nos últimos 20 anos, em falaciosos planos econômicos que seqüestraram poupanças e arrestaram bois no pasto. Que geraram passivos quase impagáveis, como os do Plano Bresser. Que mantiveram cotação irreal sobrevalorizada de nossa moeda até a reeleição, mesmo que nos levasse à beira da moratória.
Cansei de ver o Brasil ser cada vez menos brasileiro, doando sua infra-estrutura e seu subsolo a grupos estrangeiros, chegando até a financiá-los com recursos do BNDES. Cansei de ver agentes desse mesmo capital reconhecerem haver chegado ao limite da irresponsabilidade para praticarem seus atos de lesa-pátria.
Cansei de ver a promiscuidade entre os três poderes, numa relação incestuosa para garantir sua parcela de poder pessoal e privilégios individuais.
Cansei de agüentar o ataque aos aposentados, aos desempregados, às "zelites" e aos cidadãos em geral, culpados nessa visão demagógica, em última instância, pelos desmandos governamentais.
Cansei de ver a máquina pública conduzida, até os escalões inferiores, por um loteamento sem técnica, contemplando partidos políticos de base aliada.
Cansei de ver os Tribunais de Contas terem seus ministros indicados dentre a classe política, a mais das vezes como prêmio aos não eleitos, já assumindo comprometidos com seus compadres políticos.
Cansei de ver as medidas protelatórias para punir ladrões do dinheiro público. O último e único condenado definitivamente foi PC Farias, se não me engano.
Cansei de ver o estado me proibir portar uma arma para minha defesa dos ataques dos que as possuem, à margem da lei. E que são defendidos com unhas e dentes pelos mesmos poderes instituídos e sustentados por nós mesmos.
Cansei de ver o Estado delegar a bandidos sentenciarem pena de morte a qualquer cidadão de bem que decida exercer seus direitos constitucionais.
Cansei de ver acusações vazias aos discordantes. Mino Carta é vendido, ou Civita, ou os Marinhos, ou os Frias, ou os Mesquitas etc., ou qualquer um que erga a voz em defesa de seu ponto de vista.
Cansei de ver abordarem a política como uma torcida por um time de futebol. Irracionalmente.
Cansei de ver acreditarem num salvador da Pátria que não seja a própria sociedade com pluralismo e liberdade de discordar, de criticar, de vaiar, de aplaudir
Cansei de empresários que só consideram negociata o negócio escuso do qual não participam. E de saírem às ruas bradando: "Cansei".
Cansei de ver políticos fora do poder dizerem-se cansados pelos mesmos atos e procedimentos que usaram, abusaram e lambuzaram quando eram maioria.
Cansei de ver políticos no exercício do poder dizerem-se atacados pelos mesmos atos e procedimentos que criticaram, obstruíram e acusaram quando eram minoria.
Cansei de parecerem bonzinhos e donos da verdade nos programas eleitorais, numa cara-de-pau de fazer inveja a qualquer passador de conto-do-vigário.

Cansei da incongruência, da contradição, do surrealismo.
Cansei de me considerarem com cérebro de gelatina e sem capacidade de pensar.
Cansei dessa calhordice toda.
Senhores, eu também estou cansado.

terça-feira, agosto 07, 2007

Aliados

Enquanto Lula realiza uma série de visitas a países da América Central para divulgar os biocombustíveis, Chavez faz visitas a alinhados e liderados na América do Sul para condenar sua utilização.
Esse movimento de mercadores é previsível e conhecido. O Brasil depende da adoção pelo mundo dos combustíveis de fontes renováveis. Chavez depende do petróleo para continuar e financiar sua revolução bolivariana, seja lá o que isso queira dizer.
Até aí, sem novidade. E o máximo que o ditador venezuelano conseguirá, se bem sucedido, será retardar o movimento, que é irreversível mais pela redução da dependência do Ocidente à vontade dos sheiks e aiatolás do que pela geração de riqueza em países empobrecidos e pelos efeitos ecológicos decorrentes.
A grande novidade é que Kirchner estava visivelmente constrangido com a presença de seu aliado de ocasião. Não queria dar à reunião o tom de apoio político à esposa-candidata. Teme que aparente um alinhamento, o que ele não deseja pelos dividendos eleitorais negativos.
A pauta do encontro foi reduzida a somente um dia.
Apesar disso, Chavez imobilizou um bilhão de seus bolivarianos petrodólares para adquirir títulos da dívida argentina, levando algum desafogo aos platinos.
Será que esse bilhão comprará o apoio da Argentina ao combate dos biocombustíveis?
Burrice deles se assim for.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Cumplicidade

Atribuído a Mino Carta, com quem às vezes concordo, e só às vezes, artigo que circula pela internet denuncia que o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros é uma versão rediviva do Movimento pela Família, com Deus, pela Liberdade, patrocinado por figuras reacionárias de reconhecido conservadorismo. Esse movimento pretenderia mobilizar a sociedade para promover uma oposição sem tréguas e quartel ao governo Lula.
Tenho recebido mensagens de apoio e de repúdio a tal movimento, escritas por pessoas a quem respeito pelo conteúdo de sua argumentação.
Tenho muitas restrições à condução governamental, assim como reconheço diversos pontos que me agradam.
Transcrevo, para contribuir no debate, artigo de Luiz Fernando Veríssimo, brilhante como sempre. Com muito mais competência e lucidez do que eu poderia me expressar, o texto reflete meu ponto de vista.

"Cumplicidade

Uma comprida palavra em alemão (há uma comprida palavra em alemão para tudo) descreve a "guerra de mentira" que começou com os primeiros avanços da Alemanha nazista sobre seus vizinhos. A pouca resistência aos ataques e o entendimento com Hitler buscado pela diplomacia européia mesmo quando os tanques já rolavam se explicam pelo temor comum ao comunismo. A ameaça maior vinha do Leste, dos bolcheviques, e da subversão interna. Só o facismo em marcha poderia enfrentá-la. Assim, muita gente boa escolheu Hitler como mal menor. Ou, comparado a Stalin, o mau menor. Era notório o entusiasmo pelo nazismo em setores da aristocracia inglesa, por exemplo, e dizem que até o rei Edward VIII foi obrigado a renunciar não só por seu amor a uma plebéia, mas pela sua simpatia à suástica. Não tardou para Hitler desiludir seus apologistas e a guerra falsa se transformar em guerra mesmo, todos contra o fascismo. Mas, por algum tempo, os nazistas tiveram seu coro de admiradores bem-intencionados na Europa e no resto do mundo - inclusive no Brasil do Estado Novo. Mais tarde estes veriam, em retrospecto, do que exatamente tinham sido cúmplices sem saber. Na hora, aderir ao coro parecia a coisa certa.
Comunistas aqui e no resto do mundo tiveram experiência parecida: apegarem-se sem fazer perguntas ao seu ideal, que, em muitos casos, nascera da oposição ao fascismo, mesmo já sabendo que o ideal estava sendo desvirtuado pela experiência soviética, foi uma opção pela cumplicidade. Fosse por sentimentalismo, ingenuidade ou convicção, quem continuou fiel à ortodoxia comunista foi cúmplice dos crimes do stalinismo. A coisa certa teria sido pular fora do coro, inclusive para preservar o ideal.
Se estes dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula, é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros. Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.
Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta."

Fonte: Jornal O Globo, Editorial Opinião, Caderno A, 19/julho/2007

Faustão de Caracas

Aos domingos, as rádios e TVs venezuelanas brindam os cidadãos com um programa tragicômico: o Aló, Presidente.
Assistir o bufão, por quinze minutos que seja, deve disseminar uma dose quase letal de chatice, uma tristeza profunda, um desencanto com a criação divina. Ainda mais se for a única opção.
Digo isso em razão de nossos programas políticos obrigatórios, também monopsônicos a todos nós. Com o atenuante, claro, de algumas alterações nos efeitos especiais e alternância de atores, embora o enredo seja o mesmo. Ainda assim, são chatos, falsos e desnecessários.
Em nosso benefício, porém, são curtos. Dez minutos de nossas vidas, multiplicados por 150 milhões de brasileiros, equivalem a cerca de 40 vidas inteiras. Não é pouco, como perda de tempo. Mas, pessoalmente, suporto ficar com a TV muda durante sua transmissão.
Chavez, entretanto, superou-se. O último programa bateu o recorde de quase 8 horas de duração. Com direito à performance de "Adelita", interpretada, claro, pelo próprio presidente.
E o barrigudo comemorou a duração de seu programa. Quando foi informado de que a marca anterior havia sido superada, aplaudiu.
Aplaudiram, também, os presentes, platéia composta pela "troika" bolivariana, por alguns representantes diplomáticos estrangeiros (que devem ter xingado suas chancelarias até a 5ª geração) e pelo presidente da Câmara Legislativa cubana, elemento de reconhecida liderança, haja vista que foi democrática e unanimemente eleito por seus pares, todos militantes do único partido autorizado a funcionar em Cuba.
O ego desse coronelzinho é gigantesco, a ponto de eclipsar qualquer possibilidade de uma auto-crítica. Até porque criticá-lo é crime.
Nesse ponto, temos uma vantagem inqüestionável sobre os venezuelanos. Nossas opções passam, é verdade, pelo Faustão, Gugu e outros chatos do gênero.
Mas eles têm que suportar um chato-mór, sem opção.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Vaias

Parece que Lula desconcertou. Esperava aplausos e recebeu vaias, em movimentos que estão se sucedendo em todo o País.
Ora, o Pan aconteceu com sucesso em razão do empenho do governo federal em prestigiar o evento e o Rio de Janeiro. Mas foi vaiado.
O lançamento de obras e assinaturas de convênios, que trarão desenvolvimento local e regional também tem sido palco de vaias.
O Brasil está crescendo, todos os indicadores econômicos e sociais apresentam evolução, inclusive os de emprego e renda, e o Presidente recebe apupos.
Nunca a Polícia Federal desencadeou tantas operações e agiu com tanta liberdade de indiciar culpados por corrupção e o governo fica maculado como se a corrupção fosse dele.
Afinal, o que está havendo?
É lógico que há parcela significativa da população que não gosta do Lula. Cerca de 30%, de acordo com as pesquisas. As vaias desse conjunto deveriam ser abafadas pelos aplausos dos 70%.
Mas também é fato que a população espera sempre mais de seus governantes, além do que já fizeram. Isso vale também para os 70% que apóiam Lula.
E que, mesmo o apoiando, esperam dele atitudes mais firmes quanto ao loteamento de cargos; esperam dele mais ponderação nos improvisos; aguardam justificativas mais sólidas do que o "eu não sabia".
Já quase não resta dúvida quanto aos principais fatores que causaram o acidente em Congonhas. Talvez esse acidente ocorresse mesmo se todos os investimentos tivessem sido realizados a tempo, incluindo a reforma da pista.
Agora vem declarar que o governo não sabia da gravidade da crise aérea, que isso nunca foi debatido nas campanhas, que o sistema aéreo é como um paciente terminal de câncer que não sabe da gravidade de seu quadro e que mais parece um cachorro de muitos donos, que não sabe a quem obedecer.
Mas está bastante claro que houve um problema de gestão governamental. Lula preservou enquanto pode a presença de Valdir Pires, que não conseguiu implementar uma medida que fosse para reduzir o tráfego em Congonhas. Sancionou a criação da ANA(r)C, mais uma das malditas agências (des)reguladoras, retirando as atividades do âmbito do DAC. Deixou a VARIG ir pro bebeléu, sem uma ação efetiva de saneá-la, mesmo o Estado devendo-lhe substancial importância.
Não é isso que se espera de um presidente da república.
Quando indicou e manteve Carlos Wilson na Infraero, fruto de um loteamento de cargos no primeiro mandato e sob chantagem do PMDB, fechou os olhos à controvertida gestão, que saíu das páginas políticas para as policiais.
Isso ele não diz e não assume.
Manteve a inoperância senil de Valdir Pires com peninha, porque estava abalado pela recente viuvez.
Isso ele também não diz e não assume.
Está repetindo e amplificando os mesmos erros do primeiro mandato com o loteamento absurdo de cargos no governo e nas estatais. Com a indicação de Conde para Furnas, resultado da chantagem da ala do PMDB carioca conduzido por Garotinho e verbalizada por Eduardo Cunha (cujo currículo poderia ser folha corrida), espera o quê? Que tipo de governo quer realizar? Como deseja passar à história?
Por isso, os 70% que poderiam abafar as vaias não o fazem. E isso, ao invés de desapontamento, deveria ser considerado um sinal de apoio pelo Presidente.
Só os amigos indicam o melhor caminho.