sexta-feira, agosto 31, 2007

Férias do Purgante

O presidente provisório de Cuba foi à Itália jogar golf, num luxuoso clube situado em Porto Ercole, Toscana, freqüentado pelo "jet set" (ainda lembram dessa vetusta expressão?) internacional.
E daí?
O digno representante da macróbia família Castro, apesar de sua cara de quem tomou um porre com óleo de rícino, não teria direito a férias?
Direito e com tudo o que tem direito. Incluindo um sobrevôo de helicóptero, de mais ou menos uma hora, para melhor localizar e avaliar os 18 buracos do campo com 80 hectares, antes do jogo.
Quando cansou de jogar e das luxuosas instalações, continuou suas férias no sul da Itália, provavelmente na Sicília.
Claro, como é mentira o diz-que-me-disse de que a família teria acumulado incalculável fortuna pessoal nos 50 anos de ditadura - não faria sentido em um dirigente comunista - o passeio foi custeado pelo miserável povo cubano. Pensando melhor, foi ele quem pagou o pato e o passeio em qualquer das hipóteses.
Cuba vive sob um regime ditatorial e num boicote imbecil promovido pelos Estados Unidos, o que agrava a situação de penúria da ilha e de seus habitantes. Ao que parece, a troika não chega a ser atingida e não contém seus ímpetos epicuristas, nem por solidariedade ao povo.
Ao que dizem, a natureza em Cuba é paradisíaca, como de resto o Caribe. Vá lá que Raul Castro queira férias. Poderia gozá-las em Cuba mesmo, cujo mar não perde em beleza para o Mediterrâneo. Seria, no mínimo, menos agressivo à população que vive e sobrevive sob racionamento, até alimentar.
Aí a gente entende melhor porque tudo o que cerca os Castros é segredo de Estado. Desde a saúde física de Fidel até a saúde financeira de sua família. Como o governo detém os meios de comunicação em Cuba, prendendo e arrebentando quem ousar divulgar informações não pasteurizadas pelo Comitê Central, o cubano médio não sabe dessas estrepolias.
Para sua sorte, pois se soubesse e protestasse, poderia acabar no fundo de uma das masmorras políticas. E seu sacrifício não impediria que os Castros continuassem a flanar com o parco dinheiro dos cofres nacionais.
Com tudo isso faz sentido a frase atribuída a Churchil de que a democracia é um péssimo regime, mas ainda não formularam outro melhor.
A ditadura em Cuba ratifica isso.

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