segunda-feira, agosto 06, 2007

Faustão de Caracas

Aos domingos, as rádios e TVs venezuelanas brindam os cidadãos com um programa tragicômico: o Aló, Presidente.
Assistir o bufão, por quinze minutos que seja, deve disseminar uma dose quase letal de chatice, uma tristeza profunda, um desencanto com a criação divina. Ainda mais se for a única opção.
Digo isso em razão de nossos programas políticos obrigatórios, também monopsônicos a todos nós. Com o atenuante, claro, de algumas alterações nos efeitos especiais e alternância de atores, embora o enredo seja o mesmo. Ainda assim, são chatos, falsos e desnecessários.
Em nosso benefício, porém, são curtos. Dez minutos de nossas vidas, multiplicados por 150 milhões de brasileiros, equivalem a cerca de 40 vidas inteiras. Não é pouco, como perda de tempo. Mas, pessoalmente, suporto ficar com a TV muda durante sua transmissão.
Chavez, entretanto, superou-se. O último programa bateu o recorde de quase 8 horas de duração. Com direito à performance de "Adelita", interpretada, claro, pelo próprio presidente.
E o barrigudo comemorou a duração de seu programa. Quando foi informado de que a marca anterior havia sido superada, aplaudiu.
Aplaudiram, também, os presentes, platéia composta pela "troika" bolivariana, por alguns representantes diplomáticos estrangeiros (que devem ter xingado suas chancelarias até a 5ª geração) e pelo presidente da Câmara Legislativa cubana, elemento de reconhecida liderança, haja vista que foi democrática e unanimemente eleito por seus pares, todos militantes do único partido autorizado a funcionar em Cuba.
O ego desse coronelzinho é gigantesco, a ponto de eclipsar qualquer possibilidade de uma auto-crítica. Até porque criticá-lo é crime.
Nesse ponto, temos uma vantagem inqüestionável sobre os venezuelanos. Nossas opções passam, é verdade, pelo Faustão, Gugu e outros chatos do gênero.
Mas eles têm que suportar um chato-mór, sem opção.

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home