quinta-feira, junho 28, 2007

Tapa-Buracos

Há mais de 20 anos circulo pela BR 040 (Brasília-Fortaleza), utilizando vários tipos de veículos, de caminhões a motocicletas. Só nos últimos 12 meses, tenho rodado cerca de 5 mil km mensais, em média, no trecho que vai de Brasília até quase a divisa com a Bahia.
Portanto, é um histórico razoável sobre as condições da estrada e me considero uma testemunha fidedigna sobre o descaso dos sucessivos governos com as rodovias. Assim, quando foi anunciada no ano passado mais uma operação tapa-buracos, o meu ceticismo era evidente. Tudo o que eu havia visto, desde então, era um paliativo. De péssima qualidade. Por vezes, pior do que os próprios buracos.
Havia trechos em que o asfalto quase havia deixado de existir. E, por incrível que pareça, eram os melhores trechos da estrada, comparados com aqueles cujo asfalto estava em franca decomposição, numa sucessão de crateras.
Trânsito pesado, em que se ziguezagueava entre a contra-mão e os acostamentos, desviando de buracos e carretas.
Esse histórico se repetiu por décadas. E o anunciado tapa-buracos realmente ocorreu no ano passado, minorando nossos riscos mas sem ofertar uma solução para o problema.
Nesse meio tempo, não foram poucos os corpos estendidos, resgatados dos acidentes à espera do rabecão.
Passado o período das chuvas na região, para minha surpresa, comecei a presenciar o movimento de máquinas pesadas e instalação de canteiros de obras. Continuei cético. Com certeza, deveria ser mais uma figuração para arrecadar recursos.
Pois bem. Não era.
Pela primeira vez, vi trechos em que o asfalto antigo foi pura e simplesmente retirado e as obras começaram desde a terraplenagem e compactação do terreno, inclusive com cobertura de cal para aglutinar a argila. Vi trechos, em estado melhor, cuja camada asfáltica foi retirada para promover um recapeamento decente. Vi cabeceiras de pontes, que eram degraus, serem adequadamente corrigidas.
Cheguei à Brasília nesta madrugada. O asfalto, além de estar um tapete, está sendo agora sinalizado, incluindo a instalação de olhos-de-gato. A segurança decorrente não tem preço, como não têm as vidas que foram desperdiçadas nessa estrada, pessoas assassinadas pelo descaso oficial.
E, pasmem! a rodovia não foi privatizada, não. Não há pedágios, diferentemente das que assim o foram. E, se vier a ser cobrado no futuro, que seja pelo governo e não para encher os cofres de empresários comprometidos em financiar as próximas eleições para manter sua boquinha. À estilo PSDB.
Pela primeira vez, desde quando os governos militares asfaltaram os principais troncos rodoviários, vê-se um trabalho decente nas estradas. Não sei o que ocorre no resto do Brasil. Mas se for pelo menos parecido, está de parabéns o Governo Federal.

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