segunda-feira, junho 25, 2007

Regando Probleminhas

Parte significativa dos sindicalistas profissionais tem sido a de regar, adubar e alimentar probleminhas para que se tornem problemões. Assim, a solução pode ser negociada em outro nível. É o famoso bode na sala.
Lula, dentre suas características, tem o cacoete sindical. Isto é ótimo para o Brasil quando negocia no campo internacional. Isto é péssimo para o Brasil quando a gestão de governo exige decisões.
Lula tem o hábito de contemporizar. Assim a crise no sistema de controle de tráfego transformou-se de um probleminha num problemão.
Lula fechou os olhos a um motim. Esperou alguma solução do decrépito Min. da Defesa. Aguardou que a solução brotasse naturalmente.
Errou profundamente. Probleminhas tem que ser controlados em sua verdadeira grandeza e não servir de palanque para que lideranças deles se utilizem para gerar uma crise.
Se havia problemas - e havia - deveriam ter sido tratados.
Ao que parece, pelo programa de rádio de hoje, o sindicalista Lula cedeu a poltrona para o Presidente.
Primeiro, entregou a busca da solução a quem entende e não a quem só consegue dar palpites. Mandou às favas o Min da Defesa, a agência (des)reguladora ANAC, a Infraero. Desligou os holofotes da CPI, do TCU e de outros ignorantes da matéria.
A ação não tardou a mostrar resultados.
O movimento sindicalista que havia tomado conta das torres de controle foi neutralizado. Milagrosamente, os equipamentos voltaram a funcionar, os atrasos e cancelamentos reduziram-se e a autoridade foi recuperada. Coincidências...
Engana-se Lula, entretanto, se pensar que a crise está solucionada. Não está!
É necessário rever procedimentos.
Que o sistema de defesa aérea seja atividade da aeronáutica entende-se. Porém o controle do tráfego, não.
É bem verdade que se ficar a cargo da ANArC (de anarquia mesmo), será a pá de cal.
Nos Estados Unidos, país com o maior fluxo aéreo da atualidade, a maioria dos aeroportos é municipal, neles incluído o controle aéreo. Claro que rotas são coordenadas, sistemas integrados e a segurança permite praticar inclusive os espaçamentos mínimos, os quais o Brasil tentou ensaiar recentemente.
Aqui mantém-se uma empresa - Infraero - para gerir aeroshoppings. O controle aéreo é executado pela força aérea. Sustenta-se mais uma das malditas agências, a ANAC, para cuidar de rotas aéreas, empresas e infelizes pilotos privados, que tiveram suas taxas decuplicadas depois que seus registros saíram do antigo DAC.
Isto pode levar à impressão de que, quando uma atividade sai das mãos de militares e é transferida para a órbita civil, os serviços são piores e mais caros. E que, se desmilitarizado o controle do tráfego aéreo, correríamos o risco de piorar ainda mais.
Isto não é verdade. Basta colocar para gerir a atividade quem entenda do assunto.
O que não tem sido prática. Infelizmente.

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