terça-feira, junho 26, 2007

Lista Fechada

Pesquisa divulgada pelo CNT-Sensus mostra que 74% dos entrevistados é contra a chamada lista fechada, enquanto 16,5% são a favor e 9,5% não souberam responder.
Infelizmente esse dado não pode ser surpresa.
Primeiro, porque a maioria absoluta da população não sabe o que significa lista fechada.
- Como? Não vou poder votar no meu candidato?
Essa pergunta certamente passa na cabeça de milhões de brasileiros, alguns condicionados pelos hábitos criados e consolidados depois do golpe de 1889. Outros - serão maioria? - porque não poderão mais votar em quem lhes prometer emprego, dentadura, sandália ou até bolsa-família.
Em segundo lugar, onde está a credibilidade dos atuais partidos políticos? Algum efetivamente dispõe de plataforma ideológica ou pratica somente a fisiológica? Como, então, votar num partido?
A lista fechada não é a reforma política de meus sonhos. Sequer das minhas expectativas mais pragmáticas. Mas é um começo. Quase como o enigma do ovo e da galinha.
Votando no candidato, como fortalecer o partido? Sem partido consolidado, como dele exigir coerência ideológica?
No sistema atual, o eleito é maior do que o partido, que dele é refém. E o eleito, a mais das vezes, é o mais simpático ou o mais cínico. Raramente o mais preparado, o mais coerente, o mais honesto.
Essa tal de lista fechada deveria vir acompanhada de voto distrital, configurando o que se denomina voto distrital misto, e do instituto da fidelidade partidária.
Nos distritos eleitorais, um candidato por partido, numa eleição majoritária.
No ente federativo, para completar os quadros parlamentares, a eleição proporcional por uma lista fechada.
Na lista fechada, claro, seriam priorizados pelos partidos suas figuras exponenciais, como forma de obter o maior quoeficiente eleitoral. Nos distritos eleitorais, o comprometimento do representante do distrito com sua população seria pré-requisito para um bom exercício de mandato e única savalguarda para possível reeleição.
E o mandato não é do eleito e sim do partido.
Como está formulada, a proposta é capenga. Mas é inegável que está no caminho certo.
Pena que a população não seja devidamente esclarecida e repudie passionalmente a idéia. Assim, avanços não são conquistados e tudo continua como está, para gáudio dos políticos tradicionais. Tudo por uma decisão ilógica.
Da mesma forma que o retorno da monarquia constitucional foi repudiada no plebiscito.

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