terça-feira, junho 19, 2007

Amizade Colorida

Agora vem Morales com mais uma declaração estapafúrdia. Afirma o "cocalero" que, não fosse por sua amizade com Lula, as relações da Bolívia com o Brasil estariam muito distanciadas.
Lógico que ficamos todos nós morrendo de medo. O que seria do Brasil se a Bolívia dele se afastasse? Viveríamos, certamente, o império da fome e desespero.
Mas se as conseqüências ficassem por aí, ainda vá lá.
Porém, a gravidade é muito maior. Mostra claramente a incapacidade intelectual desse governante em não confundir o rei com o reino. Vivem ainda no tempo e Luiz XIV.
Esses ditadorezinhos insistem em confundir um Estado com seu governante.
Claro que o presidencialismo traz em si mesmo a contradição em concentrar a chefia de governo e do Estado numa mesma personalidade. Mas, mesmo no presidencialismo, nem o governo, muito menos o Estado, podem ser personalizados. São muito maiores do que isso.
Há todo um arcabouço sócio-jurídico que impede essa confusão. Tanto como governante, como chefe de Estado, as pessoas submetem-se à lei, começando pela Constituição que juraram defender. E é na Constituição que se estabelecem os limites de atuação, que não contemplam simpatias, afinidades ou amizades pessoais.
Pode ser que a Bolívia, o país com maior histórico de instabilidade política na instável América Latina, o estado seja seu governante. Faz até sentido, considerando-se a sucessão de ditadorezinhos de meia-tigela, incluindo o atual, que infelicitaram aquele país ao longo dos tempos.
Pode ser que o limitado governante boliviano, por falta de conhecimento, pense que no Brasil o rio corre no mesmo leito. Engana-se Morales.
As relações não são distanciadas, em primeiro lugar, porque não compensa para a Bolívia. E disso até o limitado Morales sabe. Depois, tendo a política externa brasileira consciência da desigualdade e a limitação geográfica de ter que conviver com vizinhos como a Bolívia, não lhe resta outra alternativa além de estender-lhes a mão.
E isso independe da amizade ou não de Lula ou de qualquer outro governante. Isso é uma política de Estado, de convivência pacífica, de respeito à autodeterminação dos povos. Conforme expresso, aliás, em nossa Constituição.
O Brasil é muito maior do que Lula ou de qualquer outro governante que tenha sentado na cadeira presidencial.
Melhor seria que Morales agradecesse ao regime sócio-jurídico brasileiro, se tivesse conhecimento para tanto. Não pensar que o Brasil é do tamanho de seu governante da vez.
Para nós, negócios de Estado não são relações de compadrio.
Na Bolívia, decerto, é diferente.

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