sexta-feira, agosto 31, 2007

Apagão Ferroviário

Não quero comparar a tragédia ferroviária em Nova Iguaçu com as aéreas nos últimos 12 meses, nem nem prejulgar suas causas. Até pela disparidade entre vítimas - 119 contra mais de 350.
Mas é interessante confrontar a repercursão na mídia. As tragédias aéreas tornam-se uma unaminidade nacional, com especialistas e chutadores a dar palpites sobre causas e responsabilidades. Nos ferroviários e rodoviários, não.
Certamente deve ser pela qualidade das vítimas, em sua maioria. Uns do andar de cima, outros do de baixo.
Seja como for, a malha ferroviária brasileira foi tenazmente demolida. Ainda na década de 70, a RFF operava com razoável eficácia, substituídas as marias-fumaças pelas diesel-elétricas. Porém já nessa época, deixara de ser o transporte da classe média-alta e os investimentos em melhoria e expansão minguaram.
Até então, e tomo por exemplo a malha da rede do Rio Grande do Sul, a RFFRS mantinha regularidade no transporte de cargas e passageiros em troncos ferroviários que cobriam quase todo o Estado, sendo o transporte rodoviário somente complementar, para a capilaridade do sistema. Foi tudo abandonado.
Posteriormente, os fomentadores das privatizações com o apoio da imprensa, transferiram todo o acervo à investidores privados, que prometiam a revitalização da malha.
Mentira!
O que fizeram foi aproveitar-se do último suspiro, recuperar seu capital com os rendimentos e terminar a ação de sucateamento.
No Rio, duas empresas, a Central do Brasil e a Leopoldina, agora privatizadas, operavam os ramais de transporte de massa para os subúrbios e entorno. E é nesses ramais que os acidentes estão se sucedendo com uma freqüência crescente. Ontem foi mais um episódio dessa novela.
Enquanto isso, os governadores Serra e Cabral firmam um protocolo para a implantação do trem-bala entre Rio e SPaulo. Claro, já deveria haver há muito tempo. O projeto, estimado em R$18 bi, deverá ser tocado por ambos os Estados. Acho correto.
Preocupa-me somente, frente ao histórico de Serra e à incógnita de Cabral que, logo após o poder público efetuar os investimentos, arrumem um investidor amigo para proceder sua privatização, como aconteceu com a Anhangüera, a Trabalhadores, a Ayrton Senna e restante da malha pública rodoviária nos locais que tiveram a infelicidade de serem governados pelo PSDB.
Enquanto isso, a Ferrovia da Soja ligando o norte de Mato Grosso ao entroncamento para o Porto de Santos, que estava sendo construída com recursos privados nacionais em empreendimento capitaneado por Olacyr de Moraes e Banco Itamaraty, foi torpedeada e falida porque o governo federal não fez sua parte combinada.
Talvez porque não fosse estrangeiro, senão FHC teria criado até alguma agência (des)reguladora para garantí-lo.

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