FregaBlog

sábado, dezembro 06, 2008

Gilmar I, o Óbvio

Também quero entrar na onda e declarar um monte de coisas que não sejam função nem da Abin, nem da PF, como monitorar gabinete de juiz, esta já explicitada por Gilmar I, o Óbvio, imperador das leis e hermenêuticas nacionais, .
Gilmar I, que guindado a imperador sem ter sido príncipe, ou ministro do STF sem ter sido juiz, poderia acrescer que não é função da Abin nem da PF monitorar gabinete, banheiro ou residência de quem quer que seja, juiz ou judicado.
Disto sabe bem o ministro-empresário (a serem verdadeiras as denúncias sucessivas publicadas na Carta Capital), cujo prêmio pelos serviços e alinhamento a FHC não desmerece o conhecimento jurídico que detém.
A função de uma é a detecção de ameaças internas ou externas ao estado brasileiro, da outra, o combate a criminosos. Sejam juízes ou não.
Monitorar telefones, assim como outras técnicas de acompanhamento, nunca foi função de qualquer uma das duas. Antes, instrumentos indispensáveis a que exerçam suas funções para as quais os pagamos, senhor imperador das evidências, e muito bem por sinal.
Pagamos porque é necessária a proteção da sociedade contra ameaças e crimes. Sejam cometidos por quem quer que sejam.
Evidentemente que o declarante não estava pensando em causa própria quando fez a declaração em Cuiabá. Afinal, na dita ligação que lhe teria sido monitorada, a acreditar na versão de revista semanal de credibilidade discutida, não se veria outros fatos além da fraternal ligação entre as duas autoridades e alguns fiapos sugestivos de tráfico de influência e advocacia administrativa.
O monitoramento telefônico é menos útil para a coleção de provas e mais para o mapaeamento da rede de influência e de relacionamento do investigado. À medida em que o telefone da personalidade investigada vai estabelecendo contatos, e estes, por sua vez, ligam-se com terceiros, quartos e quintos, os investigadores podem desenhar os liames do investigado e, eventualmente, à rede criminosa.
Se for verdade, infelizmente os telefones que foram usados pelo senador e pelo ministro estavam nessa rede. Só que rede é pra peixe miudo. Os grandes, só com arpão. Daí o conflito.
Dantas é um peixe adamastônico.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Imbecillum Trans

Imbecilidade é uma doença contagiosa e, infelizmente, não letal.
Contagia porque a criatividade dos idiotas e imbecis cresce exponencialmente. Não letal porque sua população aumenta sem parar.
O vírus da imbecilidade tem habitat preferencial. Esconde-se em corredores e escrivaninhas estatais, infecta os computadores dos parlamentos, prolifera nas escadas e nas xícaras de cafezinho dos fóruns e plenários e circula livremente nos tribunais de contas.
Alimenta-se de tudo, onívaro que é. Mas também tem preferências. Nutre-se fartamente dos chavões e dos noticiários, das caras e bocas compungidas ou apavoradas de atores-apresentadores de telejornais. Engorda no politicamente correto, nas explicações psicológicas e pedagógicas, nos negócios do Gilmar.
Tem mesa farta, inesgotável, no Estado-tutor, fonte eterna de idéias mirabolantes, controle dos controles, nivelamento pela linha de terra.
Comprovando a tese, vem agora a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado aprovar, em decisão terminativa, uma proposta do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que proíbe motoristas com menos de um ano de habilitação de dirigir em rodovias e estradas. O texto segue para a Câmara dos Deputados. As informações são da Agência Senado.
Mercadante "brilhantemente" lembrou que o Brasil é um dos recordistas mundiais em acidentes de jovens nas estradas e que esse projeto é mais uma medida para ajudar a reduzir essas altas taxas de acidentes e mortes nas rodovias. Aliás, para os contaminados pela imbecilidade, o Brasil é campeão mundial em tudo que é ruim e que não presta. Nem sei como sobreviveu nos últimos 500 anos.
Além do mais, a maioria das cidades brasileiras são cortadas por rodovias. Brasília chega ao extremo do imbecil, de possuir BR urbanas.
A mesma inexperiência do jovem motorista de um ano antes será mantida para um ano depois. Adia-se por um ano o morticínio, que não é criado pelo jovem, antes pela infindável cadeia de imbecilidades que encapsulam as regulamentações sobre trânsito no Brasil.
Ou seja, tira o sofá da sala.
Não tenho dúvida que um dos berçários da imbecilidade nacional encontra-se no Contran, Denatran e Detrans. Eles sim é que são culpados do morticínio, por regulamentos exagerados na forma e ineficazes no conteúdo.
O vírus que lá habita nos dutos de ar-condicionado e nos conchavos para a próxima resolução, variedade imbecillum trans, infectou Mercadante que, num tenesmo cerebral, o espalhou a toda CCJ.
Resta-nos somente esperar uma mutação desse vírus. Uma que não somente emburreça, mas que mate sem vacina ou apelação. Um cruzamento com o influenza da gripe espanhola, por exemplo. Que mate rápido.
Única chance de reduzir a população de imbecis que assola o Brasil. E, de quebra, melhorar o trânsito nacional.