FregaBlog

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Símbolos Simbólicos

O hábito faz o frade. Devia ser diferente, somente um diferencial que fosse. O carimbo faz do papel uma verdade, principalmente se aposta portentosa garatuja atestando e dando fé, mesmo que à custa de uns trocados. A toga faz o juiz. Melhor seria fosse símbolo da justiça, não do formalismo burocrático.

Em nosso ritual lusitano, ainda com o pé no formalismo colonial, os requisitos são mais importantes que os fatos; o processo mais que a sentença; a correta nomeada de um recurso com primazia sobre os argumentos. Vejam os Tribunais de Contas.

Creio que 10 entre 10 brasileiros percebem que a atuação de Daniel Dantas ultrapassou a tênue linha da ética, mesmo considerando o ambiente pantanoso e mal-cheiroso das privatizações da dupla Motta-Cardoso.

Mas não se limita aí. As estrepolias continuaram. Espiona daqui, lava dinheiro dali, compra o agente acolá etc.

Daniel Dantas é mais escorregadio do que muçum ensaboado. Ninguém agarra esse homem, nem essa tal de sati, que não agarra mais. Ellen Northfleet chaveou os arquivos de Dantas com chave inviolável. O eterno advogado de FHC, por sua vez, quase alcançou Pedro e negou a justiça 2 vezes em menos de 24 horas. Mais uma, virava santo.

Azar do juiz de Sanctis; do Promotor de Grandis; do Delegado Queiroz.

Agora, em ação integrada com outros países, ficaram bloqueados recursos de fundos administrados pelo Opportunity. Mas, cadeia pro Dantas? Nem pensar. Seus advogados, como o purgante Greenhalgh (eca!), ou defensores, como Jungman e Heráclito, podem despreocupar-se.

O bloqueio é mero simbolismo, pois atinge mais os investidores do que Dantas.

Valente

Com origem humilde, construiu um império. Até aí, não há ineditismo, muitos fizeram isso, embora poucos sem serem bandidos.
Enquanto seus colegas sucumbiam frente à concorrência chinesa, devido a câmbio irreal e salários idem, suas empresas competiam de igual para igual no preço e superavam os chineses no quesito qualidade. Ganhou mercados.
Enquanto a maioria que chega aos 70 prefere reclamar do reumatismo e viver de lembranças, ele assumiu por duas vezes a vice-presidência da república.
Enquanto é lugar-comum verem-se pessoas viverem pela vaidade, ele se dispõe a disputar uma vaga na Câmara de Vereadores de sua cidade natal, quando completar seu atual mandato.
O desespero acomete a maioria das pessoas antecipadamente condenadas por doenças mortais. Ele luta contra o câncer há 11 anos, submeteu-se a 12 cirurgias, a última durando 17 horas, e afirma que abandonar a luta não ajuda em nada e que poderia muito bem ser agraciado com o título de oncologista quando ficar são. E ainda declara que, quando Deus decidir levá-lo, não precisará de um ou mais cânceres pra isso.
Zé Alencar é um valente e um exemplo. Está no fim, mas cairá em pé, sem se abater. Deixa seu exemplo.
Esta homenagem a ele, diferente das que farão a imprensa no futuro, não é um necrológio.
É uma homenagem à esperança. Tão bem representada por sua história de vida.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Exílio e Asilo

Os estados do Amazonas, Pará e Roraima preparam-se para consumir arroz importado da Venezuela, após décadas de auto-suficiência desse cereal. Resultado da conjugação entre a imbecilidade brasileira e o oportunismo de Chavez. 

A dita imbecilidade não é exatamente a inconseqüência da decisão tomada pelo Executivo e ratificada pelo Judiciário. Antes, a incapacidade da população em detectar a malícia dos interesses ocultos, a má-fé das meias verdades, as ações de lesa-pátria e a traição praticada, movida por dinheiro ou não.

Chavez convidou Quartiero a executar na Venezuela o que fazia com competência em Roraima, ou seja, produzir. Sabe Chavez que o norte brasileiro dependerá de comida enquanto mantém o jardim antropológico controlado pela Funai. E prepara-se para dispor dessa comida.

Quartiero, após ser vilanizado por uma midia comprometida, perseguido e preso pelas autoridades a serviço da traição, rejeitado pela maioria de seus compatriotas, declarou, segundo o site Terra: "Espero que na Venezuela me permitam trabalhar e realmente dêem incentivo à agricultura, coisa que o governo brasileiro não está fazendo. Sinceramente, não acredito em incentivo de nenhum governo, eu quero simplesmente liberdade para poder trabalhar e ser respeitado como produtor" .

Quartiero, que ainda nesta safra e antes de ser expulso, graças à medida protelatória intentada pelo Min Marco Aurélio, conseguirá colher cerca de 600 mil sacas de arroz - 100 mil a mais do que na safra passada - mostra-se disposto a transferir-se para a Venezuela. "Eu realmente recebi o convite e estou indo na semana que vem dar uma olhada nas terras", declarou. "Aqui eu planto, mas não recebo incentivo, pois se quiser escoar minha produção, tenho que arrumar estrada, fazer manutenção de ponte e até consertar balsa". E continua. "O governo só aparece na hora de comprar, mas na hora de ajudar, não ajuda. Se fosse assim e eu não fosse perseguido ainda vá lá, mas sou taxado de invasor e criminoso em meu país." , desabafa.

Quartiero considera-se um exilado. "Não vou abandonar Roraima. Eu fui expulso do Brasil, sou um sem-terra, sem produção, sem país. Eu sou um pária no Brasil, um brasileiro que foi expulso do seu país e aceito no país vizinho", concluiu.

Surrealista. Enquanto Tarso importa estrangeiro assassino e terrorista como exilado político, o Brasil exila um cidadão cujo crime é produzir.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Jurista dos Palanques

Não poucas vezes fica tão patente o conflito entre o legal, o justo e o moral. Nossa tendência natural, seja por comodismo ou ignorância, é os assumirmos como conceitos homônimos. Não há medida coercitiva, punitiva ou arbitrária das autoridades que não receba o apoio, se não o aplauso, de algum entrevistado ao volante de um carro. Mesmo se tratando dos mais escrachados factóides paridos nos subterrâneos dos contrans da vida. O que não impede de, intimamente, deplorarmos a insanidade dessas autoridades, ao tempo de as aplaudirmos frente às câmeras.
Pois bem. O ocupante da cadeira de Ministro da Justiça conseguiu sublimar as diferenças com o episódio do asilo político a Cesare Battisti.
Terrorista assumido, condenado em última instância por 4 homicídios à conta do grupo Proletários Armados para o Comunismo, recebeu o asilo do governo brasileiro. Segundo Tarso, trata-se de crimes políticos.
Para Tarso, mestre do sofisma e que congrega os piores estereótipos da escola cínica, capaz de corar Diógenes na própria tumba, entende que o Brasil possui bandidos de menos em seu território, num desequilíbrio fatal. Não os temos que chegue? Há que se importá-los.
Pelo precedente de Tarso, Bin Laden, Sadegh, Ilich Ramirez Sanchez (Carlos), os líderes e liderados de todas as organizações terroristas, da Farc ao Fatah; de todas as polícias políticas, da KGB à SD, todos que assassinam e assassinaram, aleijam e aleijaram, escalavram e escalavraram, mutilam e mutilaram em nome de idéias, merecem o instituto do asilo político.
Em paralelo, o mesmo Tarso faz uma turnê midiática à Mônaco como se tivesse estatura moral ou jurídica para pressionar pela extradição de Cacciola. Diga-se de passagem, a maioria dos crimes de que é acusado prescreveram. Poderia o farsante dedicar semelhante empenho para punir os que aqui estavam e continuaram, como Chico Lopes e, quem sabe, respingando um inqueritozinho do gerúndio Fernando Cardoso. Mas nesse vespeiro não tem coragem de pôr a mão. Tarso nunca primou pela coragem, ao que se saiba. Gente desse tipo, nos entreveros gaudérios, posa é de china.
Tarso agiu em nome do povo brasileiro para essa inconseqüência. Lula, pra variar, finge que não viu, não sabe e se questionado, é capaz de sair com um nunca antes na história desse país, ............
A decisão patrocinada por Tarso, longe do conflito, é imoral, injusta e legalmente questionável.
Palmas pra ele. O jurista dos palanques conseguiu.