FregaBlog

quinta-feira, dezembro 27, 2012

GPS

O GPS é uma das ferramentas tecnológicas que revolucionaram o mundo. De aeronaves a automóveis, navegar para o Alasca ou para a padaria da esquina passou a ser a mesma coisa. Associado aos softwares de mapas e imagens de satélite, o mundo inteiro é visto como se por uma janelinha de avião. Não há mais acidentes geográficos desconhecidos e a humanidade, pela primeira vez, conhece de fato sua casa.

É um sistema sofisticado, caro. Vocês já se perguntaram o porque de sua gratuidade nesse mundo que ninguém dá nada de graça a ninguém? Especialmente por ser um sistema americano, onde reina a máxima do business is business?

Há uma estratégia espetacular, fantástica, atrás disso.

A massificação de seu uso, como planejado, levaria à dependência. Todas as estratégias de defesa nacional passaram a utilizar-se do GPS, seja para uma mobilização de tropas, seja para fazer um caça decolar. O mundo inteiro pendurou-se no GPS. O que deixou-o dependente dele.
Com isso, o Pentágono pode desativar, com um botão, toda capacidade de mobilização nacional, além de preservar a si mesmo atingir alvos com uma precisão assustadora, do tamanho de uma bolinha de ping-pong.

Isso é fantástico. O mundo a seus dedos. Cirurgicamente vulnerável.

Mas a China se deu conta disso. Com mais de 1/4 da população mundial, sabe que o conflito futuro será inevitável na disputa das fontes de matérias-primas. E não está disposta a depender de seu inimigo potencial. Sua capacidade bélica já é fantástica, mas tudo isso pode ficar inoperante pela capacidade de navegação.

Por isso, acabam de lançar sua própria constelação de satélites para operar seu sistema próprio, chamado de Beidou. Com foco inicial na região da Ásia-Pacífico, já está em operação e disponível para usuários dessa região, em alterativa ao GPS.

Eliminam a vulnerabilidade deles quanto ao poder de Washington em retirar o sistema GPS do ar em um possível conflito ou emergência.

Nada bobos esses chineses.

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Mais Coragem

Os portos brasileiros são ineficientes. Há origens históricas para isso, feudos criados, monopólios disfarçados, regras restritivas, regime trabalhista diferenciado.
A administração dos portos, prêmios políticos, a movimentação de cargas, as escalas de atracação, tudo isso favorecendo interesses diversos.
As concessões privadas, anteriores e vencidas com exceção de Imbituba (SC), fizeram fortunas pessoais sem maior investimentos em eficiência.
Os portos são, de fato, um dos muitos gargalos a nosso desenvolvimento.
É hora de mudar, ainda que importantes interesses sejam contrariados.
É necessário coragem. Mais uma vez surge a Dilma.

Ontem foi lançado o plano dos portos nacionais. De olho na eficiência, no desenvolvimento.

O plano prevê investimentos na ordem de R$ 55 bilhões entre 2014 e 2017. Investimentos públicos e privados, o que assegurará a visão do interesse público influenciando a gestão.

Todos os portos públicos, incluindo os fluviais e lacustres terão coordenação centralizada. Bem gerida, essa medida poderá otimizar os fluxos de cargas.

Acaba o impedimento de cargas de terceiros serem movimentadas em portos privados. Isso, por si só, fomentará os investimentos nesses portos como atração mercadológica para sua utilização.

Prevê ainda a concessão de áreas para construção de novos portos privados fora das áreas dos portos coordenados. É uma ocupação de nosso litoral a serviço da produção nacional.

Não será amanhã. Não será ano que vem. Não é medida eleitoreira, tão comum em todas esferas de governo. É uma medida para o futuro do Brasil, maior do que qualquer partido, superior a qualquer ambição política.

Espera-se que, no mínimo, interesses eleitoreiros não sabotem projeto tão importante e que a MP, após os debates e alterações que a aperfeiçoem, seja convertida em Lei pelo Congresso Nacional. Da mesma forma, que o IBAMA não engavete os projetos ou crie dificuldades melhorando o preço das facilidades.

Com a mesma coragem que Dilma está a demonstrar ao encarar de frente os interesses que são gargalos ao desenvolvimento, poderá também exigir que os Órgãos ambientais não empatem nossa vida.
Tomara!

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Coragem de Dilma

A tarifa de eletricidade no Brasil é uma das mais caras do mundo. O custo da matriz de sua geração, no Brasil, é uma das mais baratas do mundo.
Esse é um dos resultados do programa de privatização de FHC e sua compulsão internacionalizante.
Há outros motivos, claro. A carga tributária é uma delas.
Os altos custos decorrentes que atingem o Brasil, em cascata, ajudam a comprometer nossa competitividade industrial. Ótimo para os "guruzados" de FHC. Péssimo para o Brasil.

Em abordagem simplista, o setor primário da economia é dependente do transporte; o secundário, da energia; o terciário, das telecomunicações.

FHC nunca procedeu manutenção das estradas em seus 8 anos de governo. Deixou-as degradar a ponto de haver o clamor para sua privatização. Hoje, a Anhanguera, de ponta a ponta, custa mais de pedágio do que de combustível. Atingiu seu compromisso.

No setor secundário, com as privatizadoações da transmissão e parcial da geração de energia, em contratos indexados nos moldes dos tempos da hiperinflação, atingiu parcialmente seu objetivo de comprometimento do setor.

No setor terciário, pelo mesmo método insidioso, pagou - de verdade - pagou para que estrangeiros dominassem o segmento, chegando a ponto de demolir o maior centro de pesquisa de telecomunicações do hemisfério sul e doar nossas posições de satélite. Só pra citar 2 exemplos. Além de nos brindar com uma das maiores tarifas do mundo e um péssimo serviço.
Barba, cabelo e bigode.
Ícone pé de chinelo dos mercados, que o agradecem até hoje com palestras, financiamento da mídia para abrir-lhes espaços e alguns títulos de doutor honoris causa de universidades estrangeiras.
Mas deixa pra lá. Não é objetivo destas reflexões e o próprio povo já o colocou onde merece: no ostracismo e no desprezo.

Agora surge a Dilma. Decidida a reverter esse quadro de decadência nacional.

No setor primário, refez a malha rodoviária nacional sem implantar pedágios nem privatizá-la. Com muita cautela e disposições rígidas, inicia agora o processo de concessão de vias, portos e aeroportos, com as contrapartidas necessárias de investimentos e mantendo participação do Estado nas decisões.

No setor terciário, trucou as empresas de telecomunicações em relação à internet, a ponto de reativar a Telebrás para levar canalizações de banda larga a pontos que as empresas privadas deixavam não atendidos. Além disso, forçou a maior queda de juros da história, apesar das críticas dos especuladores e olhar triste dos tucanos.

Agora bate de frente na energia. Os 3 governadores do PSDB que controlam cerca de 25% da geração hidrelétrica nacional, em complô, decidiram enfrentar a presidente. De olho em 2014. Recusaram as condições de renovação antecipada de suas concessões, que vencerão em 2015, por mais 30 anos, como ofertado, além de indenização por frustração de receitas.

Têm esses governadores 2 objetivos claros.
O primeiro, em sua linha ideológica antinacional, de manter os altos custos e assim garantir a desindustrialização nacional.
O segundo, promover o desgaste da presidente, dando-lhes alento para enfrentá-la na eleição de 2014. Se ganharem, a renovação das concessões estará garantida nos termos atuais ou melhores até. Melhores para o capital, evidentemente. Poderão vendê-las ganhando mais e, quem sabe, até comprando emenda constitucinal que permita reeleição ilimitada. Know-how eles têm.

Para esses bicudos emplumados, e seus patrões, o Brasil deve limitar-se a exportar minérios e alimentos. É sua idéia, é o que lhes basta.

Mas não para Dilma. Nem seus adversários conseguem retirar-lhe a obstinação e coragem nacionalista.
Hoje mesmo ela já declarou que vai bancar a redução, eventualmente até com verbas orçamentárias, a par de redução de tributos.
A manobra do PSDB fica frustrada. E essa turma, mais uma vez, desmascarada em sua sanha de ancorar o Brasil no Terceiro Mundo.