FregaBlog

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Ficha Limpa

O STF "constitucionalizou" ontem a chamada Lei da Ficha Limpa. Socialmente correto, importante para nossa democracia, juridicamente controversa. Ainda assim, ponto para o STF, em uma interpretação mais ética e menos jurídica.
Há exageros nessa lei, talvez ainda sejam corrigidos no acórdão. Um deles, flragrante, é o poder dado às autarquias eletivas, como os conselhos de classe.
Esse poder já é dado ao tribunal de exceção de contas da União. Por um regimento interno que extrapola sua competência constitucional, mas em todas as eleições publicam listas de inelegíveis, isso sem submeter à Justiça. É um aborto, como o é o próprio TCU em sua composição diretiva política. Verdadeiros prêmios a políticos das panelinhas.
Mas o fato é que nossa Constituição, errada em minha opinião, leva o princípio da presunção de inocência ao extremo. Ainda que condenado em segunda instância, por um colegiado, não é o réu considerado culpado caso haja possibilidade de recurso. É um erro, especialmente pelo processo confuso em que se permite empurrar com a barriga ad eternum, desde que esteja disposto a pagar por isso.
Está errada a constituição, foi um exagero de trauma pós-repressão de liberdades. E pior, impossível alterá-la, salvo mediante nova constituição. Estamos amarrados.
Porém, exagerada ou não, é o que temos como garantia de liberdade.
Aí é meu receio. Nessa constituição semi-rígida e com pretensão de tudo regular, sempre haverá interpretações que se contraponham a ela. E podem não ser tão éticas como a de ontem.

Quem troca liberdade por segurança, poderá vir a ficar sem uma e outra em algum tempo.

domingo, fevereiro 12, 2012

Politicamente Correto

A ditadura do politicamente correto.

Careca é calvo.
Cadeia é Complexo.
Favela é comunidade.
Negro é afrodescendente.
Surdo é deficiente auditivo. Assim como cego é visual.
Maneta ou perneta é deficiente físico.
Deficiente mental é especial.
Japonês é oriental.
Gordo tem obesidade.
Cafetão é lenocida.
Garotão da terceira idade é tio.
Professor também.
Bêbado é alcoolêmico, drogado é dependente.
Vou deixar homossexual pra depois.

Palavras fazem a diferença da substância? Penso que não.
O que faz a diferença é a intenção com que são ditas.
Elogios irônicos são ofensas. Ofensas, no contexto de amizade, podem ser elogios.

Quanto a homossexualismo ser doença, não acredito, pois doença é adquirida. A própria OMS reconhece isso.
Vejo-a como uma síndrome, embora em sociedades como a grega e romana antigas, fosse um comportamento socialmente desejável em determinada fase da vida, o que enfraqueceria um tanto a tese da síndrome e levando-a ao comportamento.
Enfim, não há consenso científico, muito menos verdades realmente conhecidas sobre o assunto. Nesse aspecto, perfilhar à tese comportamental, visto tratar-se de minoria, não é qualquer heresia.

Cada um tem direito de comportar-se como deseja e de ser respeitado por isso, desde que submeta-se às leis e aos direitos humanos fundamentais, ambos no contexto da moral vigente. Portanto, o respeito a qualquer minoria é inalienável, nesses limites.
O que não a torna maioria, só por jogo de palavras.

Pensem nisso.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Salmo 1º

ao deus aspirina.

Altíssimo, tua anestesia está a meu comando. Não tardes em aliviar minha dor de cabeça nem minha cólica menstrual. Sei que estás ocupado curando micoses, mas oh deus, em tua glória não me esqueças, e nem esqueças que estás a meu serviço.

És lindo, senhor, e me curvo à tua resplandecência. Mas não tardes, te aguardo como uma noiva em seu leito nupcial. Se demorares ou fores visitar um boteco na esquina, me abandonando, emburro e volto pra casa de mamãe. Livra-me dos bichos-de-pé e dos pastores porta-vozes teus que vendem teus serviços, aos quais deste acesso privilegiado a teus aposentos e tua agenda.

Tremo, alteza, com tua ira que provoca terremotos e tsunamis. Clamo para que tua ira seja dirigida em Marte ou Vênus. Me disseram que lá não acreditam em ti. Cumpre tua palavra de paraíso a mim e meus amigos.

E louvo impedires que sofrimentos me assolem. Afinal, todo-poderoso que és, põe-me em minha cabeça, reprograma meus chips mentais, para que todo o conhecimento e aprendizado seja implantado indolor em minha mente. Podes tudo, e me curvo a teu poder. Mas, faz isso logo.

E a todos que te pretendem entender, deus aspirina e muso (ou musa sei lá) da Bayer e dos xamãs, promove-lhes a desconstrução necessária a que se percam em si mesmos, em labirinto helênico, e arrumem assuntos eternos, oh eterno. Em laços e nós infindáveis, plante-lhes a discórdia e diabos na justa medida, para que a paz se faça para mim. E parem de me encher o saco.

Porque sou bom, senhor, te glorifico e te digo todos os dias o que deves ou não fazer, pra que não tenhas dúvidas nunca em trucidar meus inimigos e minhas dores. Em teu amor, inexistentes serão.

Porque me amas, sou teu filho amado e tens obrigação de poupar-me dos assaltantes, dos demônios e dos gerentes do Banco do Brasil. Que são a mesma coisa a meus olhos e, por isso, aos teus também.