Fim das convenções. Completo samba de crioulo doido,
tragédia bufa na disputa de composições partidárias sem qualquer programa,
cooptação de legendas que possam render algum tempo a mais de propaganda, em
troca de dinheiro ou sabe-se-lá de que mais.
A podridão é tão evidente, nojenta, que retira qualquer legitimidade de
vencedores e perdedores.
Ainda assim, nesse esgoto que se
transformou o sistema político nacional, não tenho alternativa além de analisar
e definir meu voto em outubro. Fazer o quê.
No plano estadual – voto em Goiás – as opções que se apresentam levam à escolha
dentre uma das quadrilhas lideradas por coronéis de gado e gente que
dominam esse estado, ainda muito pouco politizado. Nenhum dos que se apresentam
com viabilidade política merecem meu voto. A política goiana não faz jus à
pujança desse grande estado que é Goiás.
Concentro-me, portanto e por enquanto, no plano nacional.
Há fortes razões para que eu não vote na Dilma. Poucas, mas
fortes.
A política indigenista, injusta e perigosa, põe em risco nossa própria
brasilidade. Está promovendo quistos com futuro incerto e tenebroso.
A política de cotas raciais, dividindo artificialmente a sociedade brasileira
em raças. É outra ameaça ao Brasil e seu povo. Fonte de discórdia.
O gerenciamento de sua equipe de governo também não foi eficiente e eficaz,
deixando muito a desejar.
Há muitas razões para que eu não vote em Aécio. Muitas e fortes.
O projeto neoliberal adotado pelo PSDB comprometeu o Brasil. Em minha
avaliação, insere-se nesse grupo de traidores e subservientes ao sistema
financeiro internacional. Dentre todas, é a proposta mais asquerosa que se
possa imaginar, é colocar novamente o Brasil de joelhos.
Há várias razões para que eu não vote em Campos. Uma
principal e definitiva, chamada Marina Silva.
Essa figura deletéria e nociva é capaz de paralisar o Brasil no interesse das
ONGs estrangeiras, grandes beneficiárias de sua atuação política.
De resto, vejo similaridade postural entre Campos e Collor de 92, entre ele e
Jânio em 60. E não gosto disso.
Os outros pseudo-candidatos sem representatividade, no geral dispõem-se somente
a vender algum apoio para o segundo turno, sem interessar a quem.
Mas há razões para que eu vote no projeto representado por
Dilma.
Há 12 anos vivemos um período de independência crescente. O Brasil vem-se
mantendo à parte de alinhamentos automáticos a blocos político-econômicos, para
desespero do sistema.
Há 12 anos nossa população vem experimentando uma inclusão social sem
precedentes.
Há 12 anos verificamos uma crescente alocação de verbas para a educação e saúde
pública.
Há 12 anos vivemos a interrupção do danoso processo de privatizações, vemos o
fortalecimento da Petrobrás, apesar dos ataques especulativos em suas ações, o
novo marco do petróleo que traz ao Brasil – não ao sistema – os lucros do
pré-sal.
Há 12 anos vemos ações para o fortalecimento do municipalismo, a distribuição
de máquinas e equipamentos para municípios mais pobres, acesso a saneamento, à
saúde, transporte escolar, capacitação de professores.
Há 12 anos vemos a ampliação do acesso de jovens a universidades, a
multiplicação de escolas técnicas e universidades federais, o financiamento
estudantil.
Há 12 anos acompanhamos que as aposentadorias, no mínimo, tiveram reposta a
inflação, quebrando um ciclo de perdas reais dos aposentados.
Há 12 anos a Amazônia tem sido ocupada
pelas nossas forças armadas, redirecionando nosso eixo de defesa estratégica,
suprida de meios e equipamentos.
Há 12 anos recupera-se nossa capacidade produtiva naval, liquidada pelo projeto
neoliberal.
Há 12 anos são crescentes as linhas de financiamento rural, o que tem
propiciado safras recordes sucessivas.
Há 12 anos não vemos o FMI determinando ações de governo no interesse de seus
patrocinadores.
Há 12 anos registramos uma recuperação dos empregos formais, a redução da
informalização, a manutenção de estoque confortável de reservas, o aumento do consumo, o esforço para
reindustrialização, a abertura e fortalecimento de centros de pesquisa.
Há 12 anos há responsabilidade fiscal, inflação mantida nos intervalos
projetados, ampliação de mercados externos , tudo conjugado com esforços de
desenvolvimento em ambiente de liberdade
de opinião.
Há 12 anos testemunho enorme esforço para construção e pavimentação de estradas, sua manutenção em condições aceitáveis de tráfego.
São esses 12 anos que decidem meu voto em Dilma salvo algum acidente de percurso até outubro, apesar das fortes restrições
que mencionei anteriormente e dos
tropeços ocorridos e que não podem ser desconhecidos. Dentre eles as composições espúrias e corruptas para manter uma base parlamentar.
Nem tudo é bom, o Brasil não atingiu a solução de problemas antigos tão conhecidos, como a repressão efetiva à corrupção, à criminalidade. Em outros como a miséria e habitação, nem tudo ocorreu, mas passos foram dados na direção de sua solução.
Porém, vejo disposição e coragem para enfrentar o maior desafio que teremos. A
constituinte exclusiva que reformule nosso sistema político. A reforma mais importante de todas.
Voto com única expectativa de que seja realmente promovida uma reforma
política, precedida por um plebiscito que determine os eixos básicos para uma
nova constituição.
Esse, pra mim, é o projeto de maior relevância a ser desenvolvido pelo próximo
governo. Medida única necessária para
que não nos esfacelemos como país.
E, quem sabe, daqui a 4 anos, eu me sinta liberto da imundície de eleições como
esta. E vote com alegria e esperança em um programa real de governo.