FregaBlog

terça-feira, maio 10, 2011

Passaportes

Continua a discussão sobre os passaportes diplomáticos da família de Lula. Independentemente da legalidade de sua concessão, ainda discutível, Lula poderia poupar-se - e nos poupar - desse desgaste. Não precisa ter sua imagem desconstruída por coisa tão surreal, logo ele que conseguiu sair do governo com popularidade recorde.
A insensibilidade de Lula nesse particular chama atenção. Lula não percebe que a nobreza não está em exigir, a ferro e fogo, seus direitos, mesmo que contrariem valores fundamentais como a humildade.
É tão importante assim que seus netos se valham de passaportes diplomáticos? São tão especiais, tão diferentes de meus netos ou dos 3 ou 4 leitores?
Lula, caia na real, abandone a pretensa realeza que não lhe pertence.
A não ser que sua autoridade, inclusive a moral, não se estenda a seus filhos. Que eles o ignorem. Mas duvido. Querem mesmo é viver à sua sombra.
Enquanto sombrear.

domingo, maio 08, 2011

Minha Mãe

À todas as mulheres, pois que já nascem Mães, minha homenagem neste dia.

Minha Mãe

Mais um Dia das Mães, e estou sem ela,
de sua presença, sou repleto de saudade.
Sua falta, em minha vida se revela
mais a cada dia, com maior intensidade.

Que ausência tão sentida e tão bela,
que me remete à infância e mocidade.
Transmitindo-me valores com aquela
tão gentil e amorosa seriedade.

Minha Mãe, agora, que já velho,
mas ainda ansiando por seu colo,
pratico, no silêncio, seu conselho:

somente para Deus, eu me ajoelho,
em seu amor infinito, me consolo,
e de seu exemplo, faço meu espelho.

terça-feira, maio 03, 2011

Talião

Bin Laden morreu. Absolutamente natural o fato, em se considerando que quem está na chuva, pode se molhar. Ele praticava o combate, certamente esperava ser combatido. Até aí, tudo bem.
O difícil entender é como a arrogância americana, cega, tem a capacidade de criar mitos.
Nem me interessa se com razão, ou não. Mas, para fugir do primarismo da vingança pessoal, o caminho é o julgamento.
Assim fez Israel quando raptou Eichmann. Em tribunal, condenou-o à morte. Em Nuremberg, seus inimigos, julgados. Alguns, condenados à morte. Até o Sadam, odiado por Bush, também o foi. Em nenhum desses casos, foram gerados mitos, porque o processo, justo ou não, foi cumprido.
Diferentemente do que aconteceu com Guevara, que até hoje estampa camisetas. Diferente do que ocorrerá com Osama, embora, nesse caso, camisetas seriam de péssimo gosto, sob o foco estético. Com Osama, ainda fizeram o favor de sumir com corpo no mar, sei lá, transformando os oceanos difusos em sua tumba, para peregrinações e cultos.
Da mesma forma, tentam liquidar Khadafi, com seus não tripulados.
Pena que não pagarão o pato de suas decisões sozinhos. Somos todos tripulantes e passageiros da nave Terra, cada vez menor.
E mais hostil e perigosa, Por causa deles.

domingo, maio 01, 2011

Fetiches

Em espaço de poucos dias, duas instituições promoveram fatos midiáticos como elemento de renovação de seus carismas, desgastados por seus atos.
Ambos promoveram objetos de adoração.
O primeiro foi o casamento do príncipe inglês. Todo o aparato foi roteirizado para envolver as pessoas, suas carências, sua iconologia, num conto de fadas.
Só a isso posso atribuir a comoção e o envolvimento de bilhões de pessoas em orgasmo coletivo. Semideuses juntando-se. Para quê? Sei lá. Uma união comum, de pessoas comuns. Igualzinha às que ocorrem milhares de milhares de vezes, todos os dias.
Há que se pintar a casa de Windsor como o suprassumo, para que sobreviva nas suas contradições.
A segunda, foge do campo das fábulas e envereda por assunto muito mais profundo. Por isso mesmo, muito mais irresponsável em suas conseqüências.
Trata-se da promovida pelo Vaticano, em relação à Karol Woijtila.
A adoração promovida, o culto à personalidade materializado pela aposição de um caixão de defunto no altar, oblitera a realidade.
Karol foi um homem especial, sem dúvida. Mas foi um homem. Com erros e acertos, conflitos e respostas. Atos e atitudes.
Sua atuação como religioso nos holocaustos em Cracóvia foi a atuação de um homem de bem. Mas não perfeito, por vezes, omisso. Um homem, pura e simplesmente.
Suas posições conservadoras como líder maior da igreja católica também resultou em erros e acertos. Como ocorre com qualquer humano.
Mas a igreja precisa se renovar, eleger novos símbolos, apontar novos ícones, como preservação de sua própria sobrevivência. E viva o defunto.
É patético.