domingo, maio 01, 2011

Fetiches

Em espaço de poucos dias, duas instituições promoveram fatos midiáticos como elemento de renovação de seus carismas, desgastados por seus atos.
Ambos promoveram objetos de adoração.
O primeiro foi o casamento do príncipe inglês. Todo o aparato foi roteirizado para envolver as pessoas, suas carências, sua iconologia, num conto de fadas.
Só a isso posso atribuir a comoção e o envolvimento de bilhões de pessoas em orgasmo coletivo. Semideuses juntando-se. Para quê? Sei lá. Uma união comum, de pessoas comuns. Igualzinha às que ocorrem milhares de milhares de vezes, todos os dias.
Há que se pintar a casa de Windsor como o suprassumo, para que sobreviva nas suas contradições.
A segunda, foge do campo das fábulas e envereda por assunto muito mais profundo. Por isso mesmo, muito mais irresponsável em suas conseqüências.
Trata-se da promovida pelo Vaticano, em relação à Karol Woijtila.
A adoração promovida, o culto à personalidade materializado pela aposição de um caixão de defunto no altar, oblitera a realidade.
Karol foi um homem especial, sem dúvida. Mas foi um homem. Com erros e acertos, conflitos e respostas. Atos e atitudes.
Sua atuação como religioso nos holocaustos em Cracóvia foi a atuação de um homem de bem. Mas não perfeito, por vezes, omisso. Um homem, pura e simplesmente.
Suas posições conservadoras como líder maior da igreja católica também resultou em erros e acertos. Como ocorre com qualquer humano.
Mas a igreja precisa se renovar, eleger novos símbolos, apontar novos ícones, como preservação de sua própria sobrevivência. E viva o defunto.
É patético.

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