FregaBlog

sábado, junho 23, 2012

Polca Paraguaia

Não foi uma mera dança de cadeiras. Decididamente, não foi. Julgamentos sumários só têm um sentido: criar fatos consumados.

Infelizmente, os regimes presidencialistas não permitem a troca do governante sem fulminar o Chefe de Estado. Esse é um vício insanável de origem, o que torna o presidencialismo o mais instável sistema dentre os chamados democráticos.
Coitado do Paraguay.
Mas, de que forma isso poderá nos afetar?

Há um aspecto positivo. O repúdio quase unânime faz pensar duas vezes às correntes políticas que se oponham a governos eleitos em eleições livres. Por mais que esbravejem, com razão ou em seu fingimento de indignação tão habitual e cênica. Isso vale para nós também, em ambiente marqueteiro de busca de factóides.

Mas há os negativos, e esses preocupam mais. Estamos ameaçados.
Caso a diplomacia brasileira não reaja e reconheça o novo governo como legítimo (legal, parece que é), coloca-se em posição antagônica a seus vizinhos que o cercam em meia-lua do sul ao norte. São parceiros comerciais e políticos, e isso é problema.

Não reconheendo legítimo o processo que promoveu o impeachment, aumentará o isolamento paraguaio, que servirá, por falta até de opção, como uma ponta de lança americana encravada no seio da América do Sul. Não é por acaso que os Estados Unidos foram velozes no reconhecimento. Sonho de consumo deles uma base em nossas entranhas.

E o Paraguay pode ser esse vietname sul-americano. Nunca mais estaríamos seguros com eles por aqui, sabemos disso. Em outros tempo, promoveram a substituição de quase todos os governos do continente por ditaduras, mais ou menos sangrentas, mas ditaduras. Não têm limites a seus interesses.
Além disso, essa situação esdrúxula é provisória e de curto prazo. Em 10 meses, o calendário eleitoral do Paraguay prevê a eleição para a presidência, o que remeterá ao passado esse episódio.

Torço para que o Itamaraty, competente como é, avalie a conjuntura e conclua que o isolamento paraguaio não pode se basear em ideologia, mas em pragmatismo. A diplomacia brasileira tem o peso e a importância da maior potência local, capaz de aplacar destemperos previsíveis de alguns governantes. E não admitir seu isolamento, nem comercial, nem nos organismos bilaterais.

Que as inevitáveis sanções públicas não passem de jogo de cena.

Afinal, um Paraguay amigo significa que americanos fiquem se divertindo lá no Afeganistão.
Não aqui.