FregaBlog

segunda-feira, março 31, 2008

Canudos

Pra quem acha e divulga a amistosidade, simpatia e solidariedade do brasileiro como características nacionais, é bom lembrar que aqui também nasceram tipos sórdidos. Para citar três deles, Calabar, Fernando Henrique e Moreira Cézar também nasceram no Brasil.
Os dois primeiros dispensam comentários. Um, por corporificar a traição. O outro pelo mesmo motivo, mas ainda sem julgamento isento da história. Tem uma carência de 200 anos à frente.
Mas, lembremos de Moreira Cézar.
Fruto da arrogância republicana, da intransigência e de sua intrínseca prepotência, promoveu o maior genocídio de brasileiros em território pátrio. Nada até agora compara-se a Moreira Cézar, degrau mais baixo da nacionalidade brasileira.
Nada, bem entendido, até agora. Não há recordes nem marcas absolutas que sejam insuperáveis.
Canudos poderá ser ultrapassado pela ação do governo contra os patriotas de Roraima, que já começaram a ser ameaçados pela Polícia Deferal e pela Força Nacional de Segurança.
O Exército optou por ser o exército de Caxias, não de o Floriano Peixoto. Recusou-se a participar da missão fratricida.
Mas, e a Polícia Federal? Estará disposta a lutar contra brasileiros cujo crime é insistir na continuação de sê-lo?
Terá, não a direção, mas o corpo profissional a falta de senso crítico de perceber que a execução das ordens que lhes deram implicará no fracionamento do território nacional?
E nós? Assistiremos isso passivamente, sem darmos apoio ao povo de Roraima? Manteremos nossa postura de revolta omissa, como de hábito, reclamando mas não agindo?
O momento é sério e exige que nos posicionemos. Que decidamos que tipo de brasileiros queremos ser.

sexta-feira, março 28, 2008

Bush, meu Filho...

Que ninguém nos ouça, mas como piada não foi de todo ruim. Até a platéia era bem qualificada pra rir um pouquinho. O salão estava repleto de mexicanos, participantes do NAFTA, passageiros de segunda-classe do Titanic.
Efeito prático, certamente nenhum. Imaginando que a piada tenha um fundo de verdade, o Lula deve ter falado em português e o Bush (se é que estava mesmo do outro lado da linha) não entendeu patavina. Como de hábito. Deve ter entreaberto a boca e ficado tão por dentro como um anjinho de igreja.
Mas, aproveitando a disposição de Lula em dar conselhos, acho que não devia parar por aqui. Por isso, vão algumas sugestões para ele ligar quando não tiver fazendo nada, depois de um uísque ou dois. Ou cinco, sei lá.

"Bin Laden, meu filho. Esse negócio de soltar bomba não tá com nada. Os morros do Rio estão reclamando que tá faltando pólvora no mercado."

"Chavez, meu filho. A gente passou um tempão danado pra conseguir criar o MST e a Liga Campesina e agora tu ganha a FARC de graça? Péra aí."

"Juan Carlos, meu filho. A gente ficou calado por mais de 20 anos e, quando a gente quer falar, escuta um porque não te calas? Assim não dá."

"Sarkozy, meu filho. A gente gasta uma nota pra tentar desamassar a cara das primeiras-damas e tu saca a Carla Bruni assim, sem mais nem menos?"

"Putin, meu filho. A gente passa 12 anos tentando se eleger e tu consegues sair da presidência e virar primeiro-ministro? Ensina, pelo menos, o caminho."

"Dilma, minha filha. O banco de dados era só pra nós, como nunca antes nesse país. Vocês tinham me falado que os dados era pra jogar pôquer. Resolve aí. Não sei de nada. Esse negócio de banco é com o Meirelles."

quarta-feira, março 26, 2008

Indignação Oportunista

A bola da vez da indignação popular e dos políticos é o cartão corporativo.

A indignação popular é legítima, porque atinge seu bolso. É a população que paga por todos os erros e por todos os desatinos no uso dos recursos públicos.

Já a indignação dos políticos é fingida, com interesses menores. Afinal, este é um ano eleitoral e gostaria de ter conhecimento de um só político que fosse que nunca tivesse, ao menos, pactuado com caixas 2, 3 ou 4.

Para a imprensa, que dispensa pesquisa de opinião para saber que o que vende jornal e revista ou é tragédia, ou escândalo, ou sacanagem, todos a despertar os mais recônditos meandros do imaginário popular, fomentar qualquer um desses fatores é questão de sobrevivência.

Infelizmente, esses elementos compõem um círculo vicioso. Políticos alimentam a imprensa com fatos reais ou não, desde que tenham potencial escandaloso. A imprensa amplia, omite, edita, extrai o que lhe interessa, julga sem contraditório, condena sem julgamento, alimenta a justa indignação popular com meias-verdades, o que é uma sacanagem.

A massa insuflada e parcialmente informada repercute sua revolta na classe política, que ganha novo alento para fingir mais indignação, que alimenta a imprensa etc.

Até o próximo escândalo, real ou não.

Nesse episódio, sou uma voz dissonante. Defendo o cartão corporativo. Defendo o portal da transparência, detalhando a aplicação do que pode ser detalhado e a omitindo as protegidas por lei. Defendo que estas últimas somente sejam acessíveis à CGU e à Comissão de Defesa do Congresso Nacional. E só.

Num país que prima pela hipocrisia de seus institutos legais, que faz concurso público para a contratação de espiões, que se acha defensor dos direitos humanos quando somente protege bandidos, que tem um tribunal constitucional de contas (de quem sou pessoalmente vítima de seu uso político e contra quem movo ação na justiça que se arrasta há mais de 5 anos) composto por indicações políticas de e para políticos, como um prêmio de final de carreira, querer o quê? A luz dos holofotes?

Não defendo o mau uso, o que certamente ocorreu. A CGU não poucas vezes recusou prestações de contas. Outras, deve ter passado batido.

Que se averigúe em ambiente sigiloso o que a lei regula dessa forma, estou completamente convencido. Que se apurem desvios, desmandos, roubos ou qualquer falcatrua, perfeito. Que se apontem os responsáveis, melhor ainda.

Mas nunca em ambiente público. Se a lei foi infringida, puna-se exemplarmente o responsável. Se a lei foi cumprida, mas o uso é questionável, mude-se a lei para não permitir tais válvulas de escape.

Todo o resto é puro jogo de cena, com foco na eleição deste ano e na de 2010.

Mas parem de abusar de nossa capacidade de indignação, que acabará sendo abandonada da mesma forma com que foram diversos valores da sociedade brasileira. Por exaustão.

O fato é que não se pode acreditar nas intenções dos políticos e da imprensa. Nem da opinião pública, quando insuflada por eles.

Infelizmente!

quinta-feira, março 20, 2008

Pernas, Pra Que te Quero

Não, caro leitor, não foi pelo SUS. mas a notícia é verdadeira.

"Um (sic) mulher quer processar um hospital alemão depois que seu ânus foi operado, em Hochfranken, na Bavaria. Os médicos deveriam fazer uma cirurgia na perna dela, segundo o portal da FoxNews. A idosa acordou e descobriu que havia sido confundida com uma outra paciente que sofre de incontinência e precisava de uma cirurgia no esfíncter.
A equipe cirúrgica foi suspensa pelo hospital. A mulher ainda precisa operar a perna."

(Fonte: site Terra Notícias)

Fiquei aqui com meus botões a pensar a razão que levou o doutor a operar o botão da velhinha, ao invés da perna.
Talvez o Fritz sonhasse em ser cirurgião plástico e, dando uma olhada no ânus carregado de anos, decidiu por um rejuvescimento radical. Passou-lhe o bisturi.
Ou será que ele não viu defeito na perna e, pra não perder a viagem e o honorário, mandou ver?
É possível que a velhota fosse muito enrugada e o cirurgião, míope e presbíota, na falta de lentes bifocais, tenha somente feito uma prospecção e enfiou a faca no lugar errado.
Pode ter sido só de sacanagem. O alemão achou a velhinha parecida com a sogra e, com medo atávico do original, resolveu se vingar no alter-ego .
Sei lá. Presente de aniversário? Protesto contra os baixos salários? Brigou com a mulher e apanhou? Raiva da Merckel, ela por si só um erro de operação? Faltou luz na hora H? Manifestação contra a invasão turca? A mente humana é insondável. A alemã, mais ainda.
O fato é que a mulher ainda precisa operar a perna.
Pudesse ela caminhar prejudicada como está, tenho certeza, teria fugido desse hospital.
Vá que confundam com outra coisa e não possa mais fazer xixi.

Carolice Parlamentar

Quarta-feira da Paixão. Plenário vazio. Comissões idem. Debandada geral dos poucos que se dispuseram passar 24 horas trabalhando. Chegar na 3ª e ir embora na 4ª.
Em entrevista, o Presidente do Congresso, sen Garibaldi, declarou sem ficar vermelho: é que alguns parlamentares são muito devotos e, como amanhã já é quinta-feira santa, já devem estar rezando.
Tenho certeza que o senador usou o recurso da ironia. Mas pegou mal.
Poderia ter a postura honesta e franca de dizer que os congressistas decidiram cabular a semana. Poderia ter dito que, com no máximo duas sessões deliberativas, pouco se produziria com um custo elevado.
Poderia ter dito que é tudo um faz-de-conta. Projetos de lei, Medidas Provisórias, PEC, CPI, indignação fingida quando um não correligionário é pego com a boca na botija e a mão no tesouro público. Poderia ter dito um monte de coisas.
Mas não deveria ter sido irônico. Só isso.

Perdas e Ganhos

A Min Marta, tirando uma ou outra declaração infeliz, tem procurado realizar um trabalho efetivo frente ao Turismo. Não é do ramo, mas procurou assessorar-se e está remando o barco direitinho.
Mas, às vezes, escorrega no quiabo, ou no caviar, sei lá, dando margem a interpretação dúbia.
Segundo ela, em declaração na China, o "Brasil só perde com a guerra das deportações". E continua. "O Brasil não ganha nada com essa guerra de deportação, só perde. Mas é fato que brasileiros foram deportados da Espanha, e agora o Brasil está agindo por reciprocidade", disse.
Claro que é verdade que o Brasil nada ganha com esses fatos. Esqueceu-se de dizer, para ficar mais claro, que a Espanha também não. Isso ela poderia dizer. Mas não disse.
O fato é que brasileiros têm emigrado para lá, em grande parte, de forma irregular. Pior ainda, parte substancial desse contingente é composto de camadas marginais da sociedade brasileira, prostitutas e travestis. Claro que vão para lá porque há mercado. Que paga em euros e que demanda por seus serviços.
Mas isso que ocorre agora é um dejá-vu do movimento no sentido inverso, que ocorreu na metade do século passado. Onde os barões do café e da borracha queimavam seus contos de réis por uma polaca, francesa ou espanhola. E o Brasil não as deportava. Ao contrário, muitas fizeram sua vida aqui, casaram, constituíram família e seus descendentes, alguns, pelo menos, devem estar no Congresso Nacional, nas Câmaras Legislativas ou nas de Vereadores. Sem ironia. São brasileiros como nós.
Mas a arrogância espanhola não tem limites. Não é de hoje. O rei deles preferiu ser destronado por Napoleão do que encarar uma estada em alguma colônia. A controvertida messalina, também conhecida como Carlota Joaquina, bateu as sandálias no porto do Rio de Janeiro para daqui não levar nem poeira. Mas não pejavam em levar o ouro e a prata de suas colônias, em montante superior ao praticado pelos portugueses. Nem de promover genocídios, em seus domínios, que dariam piedade a Stalin.
Ministra, o Brasil não ganha, mas preserva sua dignidade, o que é maior do que as divisas.
Ministra, ao rei tudo. Menos a honra.

Ministério das Cidades

Texto de carta protocolada no Ministério das Cidades, em 17/03/2008.


Exmº Sr
MÁRCIO FORTES
Ministro de Estado das Cidades
Brasília-DF

Senhor Ministro,

Não seria razoável imaginar que um executivo, mesmo que se trate de um Ministro de Estado, receba todas as informações sobre a eficácia da atuação dos órgãos a ele vinculados. Daí esta minha manifestação de denúncia.
Recentemente entrou em vigor a resolução do Contran 241, alterando a de nº 231, instituindo novo modelo de placas veiculares. No preâmbulo, cita expressamente a necessidade de melhor identificação dos veículos. A imprensa noticiou, como motivador, a redução de possibilidade de fraudes.
Essa resolução atinge os novos licenciamentos, a partir de 01.01.2008, além das mudanças de município.
A situação de fato é que, como os Detran não dispõem de placas, o usuário tem que mandar confeccioná-las, por sua conta, na mudança de município.
Ora, Sr Ministro. Quando o veículo é licenciado pela primeira vez, o licenciamento, incluindo o emplacamento, é pago. Portanto, as placas originais já foram compradas.
Se as placas não continham os requisitos técnicos, não foi por culpa do usuário, e sim por incompetência do agente público que as definiu de forma incompleta. Devemos pagar pela incompetência do Estado ou de seus agentes? Até quando?
Certamente o Contran não conhece os procedimentos operacionais dos Detran, caso contrário não determinaria a exceção. O fato é que, se a mudança fosse efetivamente relevante, seriam substituídas de todos os veículos por ocasião do licenciamento anual. Assim aconteceu com a inclusão de letras nas placas exclusivamente numéricas, assim ocorreu com a substituição para o registro com três letras, em novas cores. Para isso havia motivos técnicos.
Não quero enveredar pelo caminho fácil dos interesses escusos, embora reconheça que os únicos beneficiados sejam os fabricantes de placas, casualmente os que sofreram o processo de credenciamento dos Detran. Prefiro considerar que a boa intenção não elide a competência e que o fato da composição burocrática daquele Conselho torna-o sem o conhecimento técnico necessário, nem o bom-senso, nem a praticidade, para o exercício de suas responsabilidades.
Não são poucos os exemplos e todos eles somente atravancam, complicam e oneram os cidadãos. Poderia citar-lhos às dezenas, relativamente à sua ineficácia e inadequação.
Não está na hora de exigir que gente competente componha esse Conselho? O Brasil, Sr Ministro, as possui aos milhões. Não é necessário indicar o fulano ou o beltrano porque ocupa determinado DAS.
Não é necessário, nem conveniente, que assunto tão sério seja manejado pela burocracia.
Por último, admito a possibilidade de que esse assunto não lhe chegará às mãos, engavetado por assessores ávidos em não portar informações desagradáveis, ou mesmo por espírito de corpo, de autoproteção. Será pena, mas ainda assim serve como desabafo de um cidadão oprimido pela burocracia inconseqüente e descomprometida com a realidade e com a cidadania.

domingo, março 16, 2008

Reciprocidade

O celular tocou. Vi o número, não era conhecido, mas sinalizava uma ligação de São Paulo. Sabe como é, com um PIB daquele tamanho, como ousaria em não atender. Mesmo estando na estrada.

-Boa tarde. Com quem eu falo?

Essa pergunta já me irrita. Em princípio, quem liga para o celular de alguém já sabe. Celular é pessoal. Poderia, claro, perguntar se era eu mesmo que estava na linha, mas não prospectar quem era.

- Com quem quer falar, respondi eu.

- Sr Estevam.

- Eu mesmo.

- Aqui é Ronaldo, consultor de negócios da Vivo. Tudo bem com o senhor?, perguntou cumprindo o script.

Estranhei a preocupação da Vivo com minha saúde, até porque ela vem testando, sistematicamente e aos limites, minha saúde mental. Resolvi entrar no clima.

- Tudo bem, Sr Ronaldo. Para sua segurança, esta ligação estará sendo gravada. Por favor, preciso confirmar alguns dados. Seu nome completo e CPF.

Ronaldo fez um instante de silêncio, esboçou um "mas..." e, sem entender o que estava se passando, falou "Ronaldo Silveira, CPF ..........".

- Obrigado, Ronaldo, estou consultando o sistema para confirmar seus dados. Peço aguardar na linha, por favor.

Apertei a tecla de mudo no aparelho e, 10 segundos depois, voltei à ligação.

- Sr Ronaldo, peço que aguarde mais um instante enquanto o sistema processa a consulta, e voltei a apertar a tecla.

Outros 10 segundos (estava sendo ágil porque estava pagando roaming), entrei novamente na ligação.

- Sr Ronaldo...

- Sr Estevam, sou um consult...

Interrompi, deseducadamente

- Sr Ronaldo, o sistema não reconheceu o CPF. O Sr pode repetí-lo, por favor?

- A Vivo quer lhe oferecer uma redução nas ...

Interrompi novamente.

- Sr Ronaldo, repita o dado, por favor, que não conferiu.

Já com uma voz que demonstrava a passagem da surpresa para a irritação, Ronaldo repetiu o CPF.

- Aguarde mais um momento, por favor, para processamento no sistema.

Outros 10 segundos, voltei à ligação.

- Sr Ronaldo, os dados foram confirmados. Em que posso ajudá-lo?

Já completamente irritado, Ronaldo discorreu sobre um plano de serviço que poderia reduzir o valor de minhas ligações que quase nunca faço e de outros serviços que quase nunca uso. Em cada pausa para respirar, contava com meu solidário "hum hum".
Concluída a oferta, agradeci mas pedi que permanecesse na linha porque iria transferir a ligação para o setor competente. Mais outros 10 segundos, voltei à ligação. Havia caído.
Nem sei a razão, mas o Ronaldo desligou.

quarta-feira, março 12, 2008

Motoristas

As mulheres estão assumindo, de forma crescente, a condução do mundo. Até eu, ex-quase-machista empedernido, fosse americano talvez votasse em Hillary, embora minha simpatia política por Obama.
Pra falar bem a verdade, estou ansioso para que as mulheres assumam o comando e reduzam os homens a seus meros motoristas.
Sim, porque dentre os atributos femininos, Deus privou-lhas de dois: o senso de orientação e a capacidade de dirigir. Não, leitora, não se ofenda. Há exceções, talvez seja uma delas. A outra é a Débora Não-me-Lembro-de-Quê, que pilota caminhões com a mesma desenvoltura com que se consagrou musa dos sem-terra ao posar sem-roupa para a Playboy. Duas exceções que sejam confirmam a regra.
O fato é que, nesse particular, as mulheres são subdotadas.
Não acredita? Então observe.
Mulher não dá passagem. Poderia ser uma manifestação de reação feminista se se restringisse contra os homens motoristas. Mas não, para elas é indiferente. Sem distinção de sexo, fecham a passagem de quem quer que seja, como se o infeliz compartilhador das ruas e esquinas fosse um agressor à sua independência e cidadania. Fecham, e pronto.
Mulheres gostam de querer orientar os maridos nas rodovias, mas lendo os mapas de cabeça para baixo. E sempre têm a palavra final: "eu não disse?"
Freio, para a mulher, é como piscar de olhos: automático. Tanto faz uma borboleta ou uma jamanta, ela fecha os olhos e pisa no freio. Às vezes simultaneamente.
Fila dupla, tripla e quádrupla, então? Essa é uma especialidade feminina. Entra e pronto. Se bater, desce braba alegando que deu sinal. Como se isso sobrestasse as leis de Newton.
São hábeis em xingamentos, mas choram quando são xingadas. Pródigas em mostrar o dedo, é, aquele mesmo, manifestação fálica dos primatas, como se lhes fizesse falta um deles.
Porém, as estatísticas apontam que os homens se acidentam mais do que elas. Até não tenho dúvida sobre isso, mas lembro o adágio francês "cherchez la femme". Com certeza, ela estará oculta atrás de outro volante, ou exposta numa mini-saia convidativa a prospecções do oculto. Cherchez la femme.
Penso até que os senhores de rotundos traseiros que formulam as regras no Contran, ao fazê-las, liberam seu lado feminino. Não conseguiriam tamanha criatividade anti-trânsito caso não o fizessem.
Mas, para não me acusarem de machismo lembro o ditado da infância de que em mulher sequer se bate com um botão de rosa.
Mas que às vezes dá vontade de usar um bastão de beisebol, isso dá.

quarta-feira, março 05, 2008

Genro e Sogra

Poderia ser só demagogia. Poderia ser só incompetência. Mas foram as duas.
A MP que proibiu a venda de bebidas alcoólicas nas BR conseguiu juntar tudo o que não se deve fazer ao elaborar uma lei.
Primeiro: a falta de conhecimento.
Quem disse ao Sr Genro (teria sido a sogra?) que os pinguços se abasteciam nos botecos das rodovias para fazer estripulias e provocar acidentes? Claro, ninguém desconhece, que álcool e volante não combinam, que a embriaguez tira reflexos e dá, em alguns, sensação de onipotência. Mas inferir que param nas estradas para abastecer o próprio tanque...
Segundo: a ponderação.
No calor das matérias jornalísticas, trágicas pela própria natureza, e possivelmente insuflado pela sogra (todo genro tem uma sogra), não foram ponderados os efeitos colaterais da medida. Rodovias cortam cidades, grandes e pequenas, o que levou até à interdição de shoppings. Ou seja, a medida não é razoável.
Terceiro: tutela do Estado.
O Estado tutor tem a tendência e a prepotência de querer tutelar o cidadão. De considerar que, caso não aja, o mal prevalecerá contra o bem; o ladrão sobre o honesto. Para evitar o mal, tolhe-se o bem. Como sempre, nivelando por baixo, também nivela o cidadão de bem ao malfeitor. Ou seja, o motorista não deve e não pode beber. Mas o carona também não?
Quarto: a aplicabilidade.
Nenhuma lei seca que se tenha notícia, sequer as que coíbem drogas hoje ilícitas, obteve sucesso em qualquer sociedade. O que levaria o Sr Genro (seria a sogra?) a pensar que aqui seria obedecida?
Quinta: a confusão de foco
Continua o Sr Genro (de quem? meu é que não é), pensando que tudo se resolve pagando multa. Se um motorista é flagrado dirigindo alcoolizado, casse-se sua CNH por 1 ano, ou 10, ou para toda a vida, ou até para sucessivas reencarnações se for possível. Mas não, continua achando que pagando multa tudo fica resolvido, limpo, lavado e enxaguado.
A MP será revista, por ordem expressa de Lula. Muito bem. Nem a deveria ter assinado.

Direito e Embriões

Está pautado, no STF para hoje, o julgamento da ADIN proposta por Fontelles, ao tempo em que chefiava a PGR, questionando dispositivo da Lei da Biodiversidade em vigor. O questionamento confronta o Art 5º da Constituição frente ao dispositivo legal.
Argumenta Fontelles que a utilização de fertilizações in-vitro para pesquisa em células-tronco é inconstitucional, dado que fere o direito à vida.
Fontelles refletiu o pensamento da igreja católica, quando defende o início da vida com a fecundação. Ora, que o embrião tem vida é inquestionável pois, não o tivesse, não haveria a multiplicação celular.
O questionamento, em minha opinião, não é se há vida, mas se há vida humana.
Quando se constata a morte cerebral, considera-se que a vida está extinta, abrindo caminho para a utilização de órgãos para transplante. Mas a multiplicação celular continua ocorrendo.
Está se falando de cerca de 16 células humanas, é verdade. Nenhuma, ao que se divulga, célula nervosa. Onde está a vida, para ser coerente com a morte cerebral?
Porém, essas mesmas 16 células podem representar a vida plena para quantos? Daí a necessidade de dar prosseguimento às pesquisas.
Além do que, caso o STF acolha o entendimento da ADIN, o que fazer com esses embriões? Mantê-los congelados ad eternum? Sim, porque nesse caso seu descarte, como hoje já ocorre, também seria crime contra a vida.
O assunto é polêmico e foi noticiado que o julgamento não ocorrerá hoje em função de pedido de vistas que o Min Direito faria. Pretende sua excelência concluir pesquisa em andamento para atualizar-se sobre a transformação de células de pele em células tronco quase embrionárias, antes de emitir seu voto.
Suspeito, no entanto, que esse voto possa estar contaminado com o pensamento da igreja católica, haja vista a dita identificação do Ministro com linha de pensamento mais radical da igreja, representada pela Opus Dei.
Se isso for verdade, se o fundamento do voto não se restringir ao direito e sim à defesa de uma filosofia religiosa, estaremos regredindo ao aceitar a intromissão de religiões com os assuntos de Estado.
O Min Direito tem direito a quase tudo. Mas não a isso.

segunda-feira, março 03, 2008

Fronteira da Legítima Defesa

Hipoteticamente. Meu vizinho dá guarida a elemento que constantemente invade meu terreno, rouba, estraga minha horta, quebra meus vidros, mata minhas galinhas. Quando o ataco, rapidamente pula a cerca e refugia-se, sob a proteção do vizinho.

Nesse caso, teria eu o direito de prendê-lo mesmo após pular a divisa do terreno, ignorando a violação dos limites?

Se sim, a Colômbia agiu corretamente. Caso contrário, não.

Eu entendo que sim; eu o faria tranqüilamente.

O Equador, assim como a Venezuela, utilizam as Farc como braço de desestabilização. Dão-lhe apoio, proteção. As ameaças de guerra que estão acontecendo foram infelizmente vaticinadas neste blog, em artigo publicado em 24 de janeiro sob o sugestivo título Tambores de Guerra. Digo sugestivo porque esse mesmo título foi utilizado ontem por Fidel.

A Farc, grupo terrorista sem lei nem causa, lobo a quem Chavez tenta vestir de cordeiro com o apoio de estilistas parisienses - não de St Honoré, mas do Eliseu - sofreu duro golpe com a morte de seu número dois e porta-voz internacional. Esse grupo tem mais é que ser combatido, mesmo. Não entendo como ainda não tinha sido atacado com competência.

Violaram-se fronteiras? Sim. Em resposta às constantes violações partidas dos territórios ora atacados. Tudo de acordo com os sonhos geopolíticos do coronel boquirroto.

E nós?

No mesmo artigo, aventei a possibilidade de abertura de conflitos diversionários em nossa fronteira norte. Mas, parece que isso não será preciso.

Desse conflito, encarregou-se o governo Lula, secundado pelo midiático Ministro da Defesa. Em raros momentos da história recente estivemos tão próximos de uma guerra civil em território nacional. O último que me recordo com características análogas foi o episódio do Acre, no começo do século XX.

Com uma diferença fundamental. Naquele, o governo brasileiro deu apoio a brasileiros que haviam declarado a independência do território e solicitaram sua incorporação à federação brasileira. No atual, em Roraima, o governo brasileiro empurra brasileiros a lutarem pela independência de um território membro da federação brasileira. O Brasil os está expulsando.

Certamente ONGs, o Príncipe Charles e sua WWF, grandes mineradoras e o Conselho de Segurança da ONU estarão de acordo e chancelarão a independência no primeiro momento, para em seguida instalarem um governo títere.

Lula e o seu Ministro com palmo e meio de nariz e que não enxerga meio palmo adiante dele, devem estar de acordo com isso. Já destacaram a Polícia Federal, a Guarda Nacional e mais meia-dúzia de paus-mandados para concretizar esse objetivo.

Menos mal que o Exército recusou-se a participar dessa traição. Ao menos um manteve a honra.

Além dos que ainda estão lutando para permanecerem brasileiros.