quinta-feira, março 20, 2008

Perdas e Ganhos

A Min Marta, tirando uma ou outra declaração infeliz, tem procurado realizar um trabalho efetivo frente ao Turismo. Não é do ramo, mas procurou assessorar-se e está remando o barco direitinho.
Mas, às vezes, escorrega no quiabo, ou no caviar, sei lá, dando margem a interpretação dúbia.
Segundo ela, em declaração na China, o "Brasil só perde com a guerra das deportações". E continua. "O Brasil não ganha nada com essa guerra de deportação, só perde. Mas é fato que brasileiros foram deportados da Espanha, e agora o Brasil está agindo por reciprocidade", disse.
Claro que é verdade que o Brasil nada ganha com esses fatos. Esqueceu-se de dizer, para ficar mais claro, que a Espanha também não. Isso ela poderia dizer. Mas não disse.
O fato é que brasileiros têm emigrado para lá, em grande parte, de forma irregular. Pior ainda, parte substancial desse contingente é composto de camadas marginais da sociedade brasileira, prostitutas e travestis. Claro que vão para lá porque há mercado. Que paga em euros e que demanda por seus serviços.
Mas isso que ocorre agora é um dejá-vu do movimento no sentido inverso, que ocorreu na metade do século passado. Onde os barões do café e da borracha queimavam seus contos de réis por uma polaca, francesa ou espanhola. E o Brasil não as deportava. Ao contrário, muitas fizeram sua vida aqui, casaram, constituíram família e seus descendentes, alguns, pelo menos, devem estar no Congresso Nacional, nas Câmaras Legislativas ou nas de Vereadores. Sem ironia. São brasileiros como nós.
Mas a arrogância espanhola não tem limites. Não é de hoje. O rei deles preferiu ser destronado por Napoleão do que encarar uma estada em alguma colônia. A controvertida messalina, também conhecida como Carlota Joaquina, bateu as sandálias no porto do Rio de Janeiro para daqui não levar nem poeira. Mas não pejavam em levar o ouro e a prata de suas colônias, em montante superior ao praticado pelos portugueses. Nem de promover genocídios, em seus domínios, que dariam piedade a Stalin.
Ministra, o Brasil não ganha, mas preserva sua dignidade, o que é maior do que as divisas.
Ministra, ao rei tudo. Menos a honra.

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