quarta-feira, dezembro 05, 2012

Coragem de Dilma

A tarifa de eletricidade no Brasil é uma das mais caras do mundo. O custo da matriz de sua geração, no Brasil, é uma das mais baratas do mundo.
Esse é um dos resultados do programa de privatização de FHC e sua compulsão internacionalizante.
Há outros motivos, claro. A carga tributária é uma delas.
Os altos custos decorrentes que atingem o Brasil, em cascata, ajudam a comprometer nossa competitividade industrial. Ótimo para os "guruzados" de FHC. Péssimo para o Brasil.

Em abordagem simplista, o setor primário da economia é dependente do transporte; o secundário, da energia; o terciário, das telecomunicações.

FHC nunca procedeu manutenção das estradas em seus 8 anos de governo. Deixou-as degradar a ponto de haver o clamor para sua privatização. Hoje, a Anhanguera, de ponta a ponta, custa mais de pedágio do que de combustível. Atingiu seu compromisso.

No setor secundário, com as privatizadoações da transmissão e parcial da geração de energia, em contratos indexados nos moldes dos tempos da hiperinflação, atingiu parcialmente seu objetivo de comprometimento do setor.

No setor terciário, pelo mesmo método insidioso, pagou - de verdade - pagou para que estrangeiros dominassem o segmento, chegando a ponto de demolir o maior centro de pesquisa de telecomunicações do hemisfério sul e doar nossas posições de satélite. Só pra citar 2 exemplos. Além de nos brindar com uma das maiores tarifas do mundo e um péssimo serviço.
Barba, cabelo e bigode.
Ícone pé de chinelo dos mercados, que o agradecem até hoje com palestras, financiamento da mídia para abrir-lhes espaços e alguns títulos de doutor honoris causa de universidades estrangeiras.
Mas deixa pra lá. Não é objetivo destas reflexões e o próprio povo já o colocou onde merece: no ostracismo e no desprezo.

Agora surge a Dilma. Decidida a reverter esse quadro de decadência nacional.

No setor primário, refez a malha rodoviária nacional sem implantar pedágios nem privatizá-la. Com muita cautela e disposições rígidas, inicia agora o processo de concessão de vias, portos e aeroportos, com as contrapartidas necessárias de investimentos e mantendo participação do Estado nas decisões.

No setor terciário, trucou as empresas de telecomunicações em relação à internet, a ponto de reativar a Telebrás para levar canalizações de banda larga a pontos que as empresas privadas deixavam não atendidos. Além disso, forçou a maior queda de juros da história, apesar das críticas dos especuladores e olhar triste dos tucanos.

Agora bate de frente na energia. Os 3 governadores do PSDB que controlam cerca de 25% da geração hidrelétrica nacional, em complô, decidiram enfrentar a presidente. De olho em 2014. Recusaram as condições de renovação antecipada de suas concessões, que vencerão em 2015, por mais 30 anos, como ofertado, além de indenização por frustração de receitas.

Têm esses governadores 2 objetivos claros.
O primeiro, em sua linha ideológica antinacional, de manter os altos custos e assim garantir a desindustrialização nacional.
O segundo, promover o desgaste da presidente, dando-lhes alento para enfrentá-la na eleição de 2014. Se ganharem, a renovação das concessões estará garantida nos termos atuais ou melhores até. Melhores para o capital, evidentemente. Poderão vendê-las ganhando mais e, quem sabe, até comprando emenda constitucinal que permita reeleição ilimitada. Know-how eles têm.

Para esses bicudos emplumados, e seus patrões, o Brasil deve limitar-se a exportar minérios e alimentos. É sua idéia, é o que lhes basta.

Mas não para Dilma. Nem seus adversários conseguem retirar-lhe a obstinação e coragem nacionalista.
Hoje mesmo ela já declarou que vai bancar a redução, eventualmente até com verbas orçamentárias, a par de redução de tributos.
A manobra do PSDB fica frustrada. E essa turma, mais uma vez, desmascarada em sua sanha de ancorar o Brasil no Terceiro Mundo.

4 Comments:

Anonymous Róridan said...

Foi na veia! Excelente.
O (des)governo mineiro agora tenta minar o modelo de concessão dos aeroportos, no que tange a Confins. Mandou delegação a Paris (junto com jornalistas de seus veículos porta-vozes, com viagem paga!) para convencer o principal consórcio interessado no leilão (liderado pela ADP) de que não deveria participar se o governo federal bancar 51% da Infraero na operação. Querem que os franceses exijam minoria por parte da Infraero (ou 0%, o sonho dourado deles), e em troca acenam com ilusórias benesses secundárias por parte do governo estadual a quem aqui se radicar, após o leilão.

4:16 PM  
Blogger Frega Jr said...

Obrigado. Interessante essa entativa de sabotagem política no berço político de Aécio.
Vou pesquisar.
abr

8:27 PM  
Blogger Liomar Marques Júlio said...

O custo de opeação das usinas hidroelétricas é baixo, mas o seu custo de construção foi alto.
Considerando que se paga de amortização pelos investimentos, é mais barato usar um gerador e queimar diesel, não?

11:26 PM  
Blogger Frega Jr said...

Liomar,
Pelos dados pesquisados, com base em 2003, o custo do MWh gerado com petróleo realmente é menor do que o hidráulico.
Porém, o custo deste último é impactado por fatores não monetários, como amortização de investimentos e depreciações legais. Abstraídos os componentes não monetários em ambos os casos, a situação se inverte em fluxo de caixa.
Isso sem considerar que o petróleo não aplicado na geração é uma das commodities com liquidez. Se considerado essa renda adicional, o custo do MWh hidráulico torna-se insignificante para as contas nacionais.
Além disso, a geração hidráulica é menos vulnerável (exceto as usinas a fio d'água tão enaltecidas por "ecologistas") às oscilações do oligopólio mundial do petróleo.
Sem se falar no impacto nas emissões de carbono e sulfurosas pela queima do petróleo.
Obrigado pelo comentário. abr

8:05 AM  

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