quarta-feira, outubro 03, 2012

Favelização da Eleição

Toda comunidade é estabelecida numa teia de interrelações pessoais e familiares, que formam a cultura local.
Toda comunidade se equilibra em estratos sociais, forma normas de condutas próprias, que vão se alterando pela sucessão de gerações. Sem dúvida, é um equilíbrio instável, sem o que não evoluiria. Mas, ainda assim, um equilíbrio.

Há fatores, no entanto, que geram instabilidades profundas, normalmente exógenos.
No Brasil, estamos vivendo momentos assim no interior, nas pequenas cidades.
As cidades grandes, incapazes que se mostraram em absorver as periferias, inchadas pela migração do campo para a cidade e que ainda são focos de miséria, também são atingidas, porém em menor escala relativa.
Numa cidade de 2 milhões de habitantes, uma migração de 20 mil pessoas finda por ser absorvida mais naturalmente e a cultura local, embora alterada, é preservada sem rupturas.
Nas cidades pequenas a situação é diversa.
Essas estão sendo profundamente afetadas por programas de inchaço induzido, como assentamentos, numa migração interna por vezes incompatível em sua relatividade. Estão sendo impactadas por decisões tomadas em gabinetes a centenas ou milhares de quilômetros de distância, sem que sequer possam se manifestar previamente.
Cidades no porte de 10 mil habitantes submergem em tsunamis de 5, 10 mil assentados pelo programa de reforma agrária, numa migração sem qualquer compatibilidade cultural.
Não sou contra a reforma agrária, ao contrário. Mas sou contra a forma como é realizada, promovendo a favelização do campo. Grandes propriedades que mantinham rebanhos com mais de 10 mil cabeças de gado, hoje possuem 500 barracos e vivem de cestas básicas de dos assistencialismos municipais. E produção significativa nenhuma.
O que é minoria em centros grandes, é maioria nos pequenos.
Não há qualquer requisito quanto à vocação do homem ao campo, nem a seu conhecimento. Pura e simplesmente se transfere a miséria das periferias das grandes cidades para as pequenas, numa profunda revolução cultural. Pior, patrocinada por lideranças oportunistas e pela alienação ou corrupção do INCRA.

Esse contingente, sem raízes e afinidades culturais locais, finda por dominar a gestão dessas comunidades a ponto de impor-lhes seus próprios conceitos, pelo peso relativo de seu eleitorado. Contingente tamanho, passa a direcionar a vida pública com os conceitos que lhes foram catequizados, como o assistencialismo sem limites e barreiras. Os locais são absorvidos e passam a ser estranhos em sua própria terra. O equilíbrio comunitário de seus representantes é rompido, em geral por escolhas de um eleitorado majoritariamente desqualificado. Seus representantes, naturalmente, ou são oportunistas, ou também despreparados.

Em resumo. Ao invés de ficarem exigindo idiotamente estudos de impacto ambiental, deveriam antes elaborar estudos e impacto social, com objetivo de evitar a desestruturação e demolição do interior do Brasil. Infelizmente, não têm conhecimento de causa suficiente nem sensibilidade, em seus gabinetes acarpetados e com ar condicionado.

Favelizaram, com essa política idiota, as metrópoles e os campos.
Agora, estão a favelizar os votos.

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