terça-feira, agosto 07, 2012

In Delubio pro Reu

O anfiteatro está montado. O grande espetáculo, com direito a torcidas organizadas. A fila do sacrifício, organizada, os culpados previamente escolhidos, o jogo de meias-verdades e das (dis)simulações escrito.

Corrupção é inerente ao poder. Para o convencimento da verdade, basta a versão ser imposta e repetida. Nietzsche assim ensinou. Goebbels personificou o ensinamento. Os políticos, de todos os matizes, os advogados e os que buscam o poder, o praticam.
As portas do matadouro estão abertas, multidões aguardam o churrasco. Na fornalha, a verdade dos fatos, primeira vítima sempre.

Esse é um julgamento cosmético. O Ministério Público desenha lobos, os defensores, carneirinhos. Certamente, não são, nem uns, nem outros. Os fatos são fortes, as provas são frágeis. O resultado? Não tenho dúvida que a sede de sangue fomentada por uma mídia comprometida será parcialmente aplacada. A Praça dos Três Poderes vestirá uma fantasia da Place de la Concorde, a guilhotina será armada, algumas cabeças rolarão sob aplausos do sangue pelo sangue. Pela revolta recalcada. E o amanhã virá, nem melhor, nem pior. Apenas virá.
Novas cabeças surgirão, na Hydra política, para executar os mesmos papéis. Por que a república que montamos assim o exige.

Na origem das culpas e atitudes, o modelo político adotado e piorado na Constituição de 88. Em seu híbrido presidencialismo / parlamentarismo. Hibridismo fatal.
Terreno fértil onde vicejam as ervas daninhas da desconscientização cidadã. Da vulgarização do voto, da manifestação. Do conchavo como ferramenta obrigatória de governabilidade.

Mas essa Constituição vilã não está em julgamento, é antes enaltecida. A pretexto de assegurar liberdades, promove a baderna. A título de democratizar a representativi-dade, leva a que tudo seja resolvido em colégio de líderes e aplausos de vacas de presépio. Onde se encontrarão debates parlamentares que tanto marcaram outrora, como os de Ruy, Flores e Brossard, dentre tantos outros?
Os argumentos jurídicos da acusação são frágeis, tanto quanto os da defesa. Todos sentimos a fedentina no ar, mas não se a vê. Corrupção não dá recibos, dela somente se percebem os indícios. E estes não condenam, apenas formam bois de piranha, réus de ocasião.

Os verdadeiros culpados, que deveriam ser julgados, mas nunca o serão, somos nós, nossa sociedade bovina e permissiva, alienada e condicionada a não perceber, em sua própria conduta, a causa dos impostos escorchantes, da violência insustentável, da esperteza burra, da má-caratice dos fins justificarem os meios em compra de favores.

Sangue correrá, mas nada mudará.
Porque assim não o queremos de verdade.


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