quinta-feira, abril 25, 2013

Rosnados

O clima é de confronto passional, de ciúme infantil por pirulitos, de rosnados selvagens pelo domínio do fêmur da caça.

Demonstrações de poder de fogo e de estragos nas hostes adversárias. Nossa democracia não merece isso, mas também não merece as soturnas figuras que se apossam dos poderes.

O STF defende sua primazia frente aos outros poderes, a ponto de ontem, o Min Gilmar (sempre ele) decidir sobre se um assunto pode ser pautado ou não para discussão no Congresso.
Já a Câmara, com todo o direito, decide que uma emenda constitucional é possível estabelecendo limites à ditadura do Supremo.

Dilma trucou o STF e perdeu um round. O Congresso, bastião último da representatividade popular, confronta-se. Com direito à judicialização da política, pois não faltam apelantes ao STF da mesma maneira como não faltaram aos generais em 64, tudo com os mesmos objetivos eleitoreiros menores.
Agora, como antes, repete-se a história.

Mas a realidade é que pouco estão se importando em aperfeiçoar o mal-feito constitucional, pouco estão se lixando com isso. A luta é menos surda e mais canina. Estão disputando um osso, que significa poder. Mostram-se mutuamente os dentes, rosnam, um cheira o rabo do outro pra sentir o tamanho da imundície.
Chegarão a um equilíbrio, cada um vendendo sua transigência pelo maior preço que o oponente estiver disposto a pagar. Estão-se aumentando os preços reciprocamente para a negociação.
Simples assim.

Mas isso não vai descambar pra uma crise institucional, não interessa a nenhum deles uma ruptura que force uma revisão dos poderes que já conquistaram, que ponha em risco sua boquinha, vitalícia ou não.
Irão chegar a alguma composição e se retirarão da rua lambendo suas feridas, autolimitando suas ambições de poder absoluto, postergando-as para momento mais propício.
E fica tudo por aí mesmo. Na grande pizza institucional criada no imbroglio de uma constituição porqueira.

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