sábado, maio 17, 2008

Cofrinho do Ministro

Confesso que tenho dúvidas sobre o tal Fundo Soberano do Brasil anunciado na semana passada. Reconheço que algumas medidas têm que ser tomadas para evitar o comprometimento do setor exportador brasileiro face à tendência do dólar virar fumaça. É necessário promover ações para interromper essa queda livre.

Por outro lado, o aumento dos preços das commodities e da produção nacional são vetores em sentido contrário pelo ingresso de divisas. Esse descompasso turbulento na economia mundial nos assombra com o surgimento de fortes pressões inflacionárias. Preços começam a disparar e a ferramenta reconhecida para refrear o consumo e reduzir a inflação de demanda tem o gosto amargo da pílula chamada taxa de juros. Porém, aumentando a taxa de juros, há um deslocamento do capital sem ética nem pátria, o que força para baixo a cotação do câmbio.

Quase sinuca de bico.

Se o Brasil liquidasse sua dívida interna com o excedente de divisas, o súbito ingresso de meio circulante jogaria a inflação às alturas. Investir esses recursos internamente também. A dívida externa, hoje, apresenta um saldo favorável ao Brasil.

A demanda interna de recursos para investimentos está 100% suprida pelo BNDES, que chega ao diletantismo de financiar até multinacionais. Visto por este prisma, só nos resta o financiamento de investimentos brasileiros no exterior.

Não sei, mas me dá a impressão que saímos de um quadro de inanição para um de indigestão.

Enquanto isso, vejo figuras que no passado não muito distante tiveram comportamento abjeto, arvorarem-se agora de vestais da moralidade e do conhecimento, donos da verdade a levantar suspeitas apriorísticas de bandalheiras e de financiamentos de campanha.

Refiro-me diretamente ao economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, a propósito de artigo publicado com o título de Cofrinho do Ministro.

O tal Gustavo (franco?) não pensava exatamente assim quando participou de toda a política desastrosa de FHC financiando uma pseudo estabilidade monetária à custa de um explosivo endividamento nacional. Nossa memória é curta, mas ainda se lembram da cotação fixa do dólar, artificial e irreal, mas sustentada pelo Sr Gustavo até a eleição do segundo mandato de FHC?
Tão artificial que, logo após ao estelionato dessa vitória, o dólar explodiu, o Sr Gustavo caíu, e maracutaias vieram à tona, tendo sido escolhido o Sr Cacciola como bode expiatório da vez.

Não quero e não posso contrariar o Sr Gustavo. Não quero por entender que, mesmo os piores cafajestes e bandidos têm direito à expressar suas opiniões. Não posso por falta de conhecimentos técnicos, esses abundantes em quem é um expert na manipulação de recursos, nos jogos bursáticos de balcão e de futuros. Mas posso contestar o Sr Gustavo em sua ética, em sua moral para fazer-se agora de juiz, de acima do bem e do mal.

Limite-se o Sr Gustavo (franco?) a especular, sua habilidade maior. A continuar a ganhar dinheiro com isso, como sempre fez. Mas limite-se a isso. Não vá o remendão além das sandálias.

Moral para aconselhar governos ele não tem. Salvo um novo governo tipo FHC.

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