sexta-feira, maio 16, 2008

O Particípio

Nem sei a razão de tanta celeuma sobre o vazamento de informações a respeito das despesas questionáveis no governo FHC. Até CPI criaram, tentando dar sobrevida por aparelhos a um assunto tão desinteressante.
Desinteressante porque banal, comum, habitual. Desde o golpe republicano de 1889, os governantes e seus apaniguados usam e abusam do dinheiro público para seu bem-estar pessoal. Até um sentido novo foi criado na língua pátria para o substantivo mordomia. E esse fato não é de um governo em particular, embora, reconheçamos, uns tenham abusado mais do que outros. Enfim, não é novidade para ninguém.
Não estou com isso a justificar os desmandos nem a desmerecer-lhes a gravidade e falta de ética que lhes dão origem. Só afirmo que não são novidades. Todo esse auê não passa de escândalo requentado.
Também não é novidade a sistematização em banco de dados dessas movimentações. Nada mais lógico nesses tempos informatizados. Creio que haja quem os prefira lançados em gigantescos livros, desordenadamente, como forma de evitar uma apuração mais rápida. O que duvido é que, no arcabouço da burocracia como um fim em que vivemos, alguém defendesse sua não catalogação.
Depois, enfrentamos o disse-me-disse: fez dossiê, não fez dossiê; dossiê existe, dossiê não existe; foi vazado com fins de ameaça, vazaram à revelia; etc etc. Coisa chata, discussão árida. Falta do que fazer.
Mais à frente, verificou-se que quem mandou para a imprensa sensacionalista, sherlocks de editorias para escândalos reais ou imaginários, foi um próprio correligionário de FHC. O teria feito sem autorização daquele? Com que objetivos?
Respondo que por politicagem pura, por interesses menores, pela luta nos bastidores de uma ação política menor. Fosse ao contrário, o Sen Álvaro Dias o teria denunciado do plenário e não se escondido na cortina do anonimato como fonte para a imprensa.
Por último, quem mandou para o senador?
Essa nem precisava tanta averiguação policial. Dois indícios conduziriam diretamente ao culpado.
O primeiro deles é a função. Bastava verificarem quem do TCU teria tido acesso aos dados. A velha guarda de servidores desse tribunal de exceção são useiros e vezeiros na prática de vazarem informações com objetivos políticos menores, pequenos como o tamanho de suas mentes. Vivem e respiram a politicagem à qual o TCU respira e vive. Não poucas vezes suas "auditorias" serviram - e servem até hoje - à perseguição pessoal, porém em nome da politicamente correta moralidade.
Por acaso, vejam que coincidência. Um desses luminares trabalhava lá, na Casa Civil. Por acaso, também, chefiava a área de controladoria, vejam só. Adivinhem, com esses elementos, quem poderia ter preparado, manipulado, extraído e formatado as informações?
Mas os indícios não param aí. O nome da figura - Aparecido - particípio passado do verbo que se tornou o símbolo do TCU. Aparecer, de fato, é a ação mais comum naquele tribunal. Aparecem, aparecem e, por milagre, desaparecem quando o assunto esgotou-se nos espaços da mídia.
Aparecido, o nome e indício.
Nesse tipo de crime, ao contrário dos romances policiais, não se procure o mordomo.
Procure-se a vinculação dele com o TCU.

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home