sábado, maio 10, 2008

Nêmesis

A mitologia registra uma entidade responsável pela execução da vingança dos deuses. Nêmesis, a executora do ódio, sem juízo de valor, sem avaliação crítica, sem julgamento. Sem ética, sem moral.
Ontem o resistente de Roraima, Paulo Quartiero, foi multado pelo IBAMA em R$ 30,6 milhões, algo como US$ 20 milhões, além de proibir qualquer atividade econômica nas fazendas da região.
A aplicação dessa multa, por alegados danos ambientais na Fazenda Reserva, é quase 10 vezes maior do que o valor depositado em juízo pelo INCRA a título de indenização pela desapropriação. Fica claro que um dos dois, pelo menos, está mentindo.
Mentiras à parte, o governo brasileiro também tem os instrumentos para executar seu ódio. A PF prendeu Quartiero; o INCRA o expulsa; o IBAMA o asfixia.
A vingança governamental encontrou sua Nêmesis.
É inquestionável o avanço obtido com algumas políticas públicas adotadas. Da mesma forma, a insistência na manutenção de uma política equivocada não pode ser ignorada.
Erros existem, é natural. Porém, a persistência nos erros, a utilização de todos elementos de força com pretextos subjetivos, ultrapassa os limites da burrice e avança sobre a má-intenção.
Parcelas significativas dos gabinetes governamentais, talvez incluído aquele célebre no terceiro andar do Planalto, destilam ódio ao capital, raiva a quem empreende, desprezo a quem produz.
São capazes até de fazer o jogo do capital internacional desde que combatam o produtor brasileiro. Irracionalmente.
A Fazenda Reserva não está em região de floresta, mas nos campos de Roraima. A amazônia não é homogênea, como querem e insistem em divulgar. E o dano ambiental alegado, mentiroso, significa a produção de 12 mil toneladas de arroz por ano. O Brasil, claro, localiza-se em Marte, longe, portanto, da crise mundial dos alimentos. E, cá entre nós, alguém consegue produzir em área degradada? Só mineradoras, claro. Mas alimentos, não!
Os produtores de Roraima e a população local cada vez mais miserável pela interferência federal vivem justo clima de revolta. Se o Brasil está dando claros sinais de que deseja Roraima como um parque zoo-antropológico e de fonte mineral para o capital internacional, com o coração partido admito que deveriam declarar sua independência do estado brasileiro, combatê-lo se necessário, assumir a condução de sua casa e promover seu desenvolvimento, determinar seu destino. Mutatis, mutandis, seguir o conselho de João VI a seu filho. Com essa política maldosa e suicida, mal-intencionada e destrutiva, que peguem as rédeas em suas mãos antes que outros aventureiros, na City ou Wall Street, o façam.
O atual governo de coalizão encabeçado pelo PT tem uma visão parcial da ação social. Vê as parcelas, esquece a soma; foca o capim, esquece a mata. Volta-se a grupos sociais, abandona a sociedade. É justo ao povo de Roraima, a continuar a ação odiosa de sua eliminação oficial, em desencadear sua secessão, a lutar por sua independência, mesmo sem armas, sem recursos, mas no legítimo objetivo de sobrevivência. Até as conseqüências últimas, pois tudo está lhes sendo tirado. Que não caminhem passivamente ao cadafalso.
Que não abram mão da honra, mesmo que na morte.

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home