quinta-feira, abril 24, 2008

Inferno Astral

Segundo nota divulgada pela Federação Nacional dos Policiais Federais - Fenapef - os "policiais vivem inferno em Roraima" na operação Upakaton 3, que consiste na retirada dos brasileiros não tutelados pela Funai, pelas ONGs internacionais ou pela Igreja Católica dos territórios ocupados há mais de cem anos.
Já a PF, de acordo com a Folha, contesta afirmando que "as condições proporcionadas aos policiais são as normais de operação em área inóspita".
Possivelmente os dois têm razão.
A PF, acostumada que está com a luz dos holofotes, às mordomias urbanas, em ser dona da verdade, em se valer de prepotência, à chapas frias e, apesar de tudo, ao respeito da população, está estranhando o ambiente hostil.
Foi mandada para cumprir uma missão impatriótica e isso deve, um pouquinho que seja, pesar na consciência de alguns policiais. E não adianta o refúgio de que está cumprindo ordens. Depois de Nüremberg, cumprir ordens adquiriu nova dimensão. Não foi à toa que o Exército recusou-se a cumprir esse papel ignóbil.
Os policiais, acostumados à vida urbana, devem estar sentindo falta do shopping, do clube, da cervejinha do fim de semana. Do ambiente sem mosquitos, sem lama, com ar condicionado.
Esses delegados que experimentam as vicissitudes do mato são os mesmos que fazem greves por salários maiores numa chantagem imoral, que ganham mais do que o general comandante do exército na região. Os agentes que lá estão, mais do que os coronéis que comandam homens que vivem nesse "inferno" e que garantem a soberania brasileira. Homens que ganham menos de um salário mínimo. E que não ficam choramingando nem se lamentando das condições. Porque têm um objetivo maior. Porque têm amor à Pátria.
Mas não é o ambiente, acredito, que esteja baixando a auto-estima policial. É a rejeição.
Acostumados a palmas, estão recebendo vaias.
Depois de transformado em estado, Roraima já teve mais de 46% de seu território confiscado pela União, a pretexto de reservas indígenas. Quase toda sua riqueza e produção foi interrompida nesse processo. A renda caíu. A pobreza de instalou.
Boa Vista, que era a capital dos estados do norte mais bem estruturada, hoje convive com bolsões de miséria, povoados por aqueles que foram expulsos de suas terras e de sua atividade produtiva.
A Polícia Federal está sendo hostilizada pela população por tudo isso. Suas atitudes, como andar em disparada pelas ruas com carros sem placas ou placas frias, andarem vestidos como bandoleiros, Jesse James modernos, fazendo questão de expor seu armamento, além da missão inconseqüente que se dispuzeram a cumprir, tornam-nos alvos do desprezo popular.
Esse é o verdadeiro inferno para a vaidade desses servidores.
O inferno astral.

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