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segunda-feira, novembro 02, 2026

Crepúsculo dos Tempos Parte 1 – Os Polos

A gigantesca e expressiva vitória dos segmentos progressistas nas eleições brasileiras ultrapassou fronteiras e impactou todo o Ocidente em reação globalizada contra o ressurgimento de forças políticas de extrema direita com vieses neonazistas e neofascistas, origem das principais guerras pós coloniais-imperialistas.

A dimensão do Brasil no cenário mundial, um dos gigantes mundiais e destaque entre as principais democracias mundiais que mostrou-se  capaz de neutralizar movimentos golpistas e encarcerar seus líderes após cumpridos todos os requisitos de processo com amplo exercício de defesa,  potencializou-se pela figura carismática e popular de Lula. Talvez um dos líderes mundiais mais conhecido, admirado e com trânsito aguardado em todos os fóruns mundiais.

Pois a eleição brasileira inspirou forças progressistas a ponto do símbolo da campanha, o L manifestado pelo polegar e indicador, ter sido adotado em várias ocasiões como L de Liberdade, a partir do liber latino. Esse movimento, porém, também sinaliza outra mudança radical no próprio Brasil.

Nos últimos dez anos os movimentos reacionários tiveram origem nos quartéis por quadros saudosistas do período ditatorial, contaminados por resquícios da Guerra Fria e ideologicamente afinados com a extrema direita. Seu surgimento e consolidação estão abordados mais detalhadamente em http://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-i-o-ninho-da-serpente.html.
As primeiras manifestações da extrema direita no Brasil democrático decorreram de reação à própria democracia quando os arquivos da ditadura passaram a ser abertos e reconhecida a responsabilidade civil do Estado pelos crimes cometidos por servidores, pois a anistia somente garantiu a não persecução penal de crimes cometidos por motivação política.
O fato é que essas forças encontraram um político, oficial da ativa reformado, suficientemente disruptivo e com moralidade duvidosa para personificar esse movimento dentro do espectro da direita extremada.

 
O movimento cresceu politicamente até pelo eco de seu comportamento transgressor em sintonia com movimento político-judicante da Lava-Jato, também da extrema direita com fortes ligações a interesses estrangeiros e que promoveu forte perseguição política aos segmentos progressistas pela tônica, por vezes falsa, de corrupção sistêmica.

A direita assumiu o poder em 2016, a extrema direita em 2019, personificada por Jair Bolsonaro, sendo derrotada a coligação de centro esquerda que governou o país de 2003 a 2016 a partir da forte liderança e penetração popular de seu líder maior Luiz Inácio da Silva, o Lula.
Esse fato deu origem a duas principais correntes políticas: Bolsonarismo, de extrema direita, e Lulismo, de centro esquerda. As mesmas que se enfrentaram na recente e polarizada eleição geral de 2026.

Os polos? Autocracia representada pela extrema direita e democracia, pela centro esquerda.  

(continua em https://fregablog.blogspot.com/2026/11/crepusculo-dos-tempos-parte-2-vitorias.html

Crepúsculo dos Tempos Parte 2 – Vitórias e Derrotas

Nos quase cento e quarenta anos de República, em cujos primeiros cem anos não houve um presidente eleito que tenha concluído seu mandato, ou por deposição, invalidez, morte ou sem enfrentar, ao menos, uma tentativa de golpe de estado. Mesmo no período da atual Constituição, a de 88, democrática e moderna, nesses quase quarenta anos dois presidentes foram afastados pelo Congresso por impedimento em alegados crimes de responsabilidade. Não é uma marca da qual se possa orgulhar.
Mas nesse período republicano, somente 10%, 14 anos, não foram ocupados por governos de direita ou de extrema direita. Dois mandatos de Lula e um e meio de Dilma.

Os dois primeiros mandatos de Lula promoveram de fato uma transformação social expressiva. O reconhecimento popular elegeu por duas vezes a sucessora apoiada, Dilma, que não conseguiu manter a popularidade inicial, teve o governo atropelado pela já referida operação político-judicial Lava-Jato, sofreu impedimento pelo Congresso e abriu espaço para o retorno da direita neoliberal em conjunto com o apelidado de Partido Militar, que governou o complemento do mandato por dois anos.

E asfaltou o caminho para o lançamento daquele capitão da reserva, em quem a extrema direita ressentida apostou todas as fichas para tomar o poder e implementar seu conteúdo ideológico sem repetir o desastre resultante do último golpe militar, o de 1964. Mais detalhes em  http://fregablog.blogspot.com/2022/08/de-proscrito-mito-parte-i-o-resgate-da.html

Para garantia da eleição o primeiro presidente da centro-esquerda, Lula, detentor de alta popularidade apesar da perseguição judicial promovida e somente corrigida em 2021 com a anulação do processo de sua condenação por violações insanáveis do processo legal, a par de não ter sido coletada uma prova dos crimes que lhe foram cominados.

O plano deu certo, o capitão foi eleito, empossado e os militares assumiram o poder por meio de um fantoche, ainda que com grande popularidade adquirida.
Nesse particular cabe a observação de uma característica cultural, ao brasileiro agrada a irreverência, o chiste, a lacração. Da mesma forma é rápida e facilmente mobilizado a partir de bandeiras que simulem seus próprios valores. O brasileiro conjuga a esperteza com a credulidade, um sistema único e admirável de amálgama social.

Bolsonaro explorou essa característica com notável competência, sendo ele próprio perfeitamente identificado com elas. Não fingiu e nem simulou, apenas praticou. Conquistou enorme popularidade e milhões de adeptos da seita da qual era o mito forjado.

A extrema direita não somente tinha conquistado o poder, mas a maioria expressiva da população. Ainda que, como Dr. Jekyll, tivesse criado seu próprio Mr. Hyde. E que tinha objetivos pessoais próprios e escrúpulos nenhum em formar sua própria dinastia familiar para parasitar o Estado em seu favor. O criador já estava assustado com a criatura. A seita bolsonarista virou força quase hegemônica com tentáculos em todos os segmentos, do Judiciário aos governos, da imprensa aos mercados financeiros. As tentativas de controle tornaram-se inúteis, a solução seria um dos próceres do partido militar candidatar-se à Vice-Presidência e, vencida a eleição, promover um impedimento do presidente no Congresso. Não haveria dificuldades significativas para tanto e dessa forma assumir o poder político dentro das regras constitucionais.

Dizem os antigos que a gente põe e Deus dispõe. Sei lá, mas o fato é que o candidato bolsonarista perdeu a eleição no photochart. Restava então o velho e conhecido golpe de estado, o que foi tentado uma semana após a posse do novo presidente, sem sucesso e com apoio muito limitado do próprio partido militar, com faro apurado para escapar de insucessos.

Derrotado tanto nas urnas como no golpe, o bolsonarismo ainda assim manteve-se na oposição com expressiva participação no Congresso e em muitas outras entidades federativas.
Consolidaram-se assim duas correntes políticas. A esquerda, composta pelos partidos de centro esquerda e esquerda propriamente dita e centrada na liderança de Lula, por isso chamada de lulismo, e outra, estranhamente, de extrema direita, conhecida como bolsonarismo.

É peculiar entender que a liderança maior dessa corrente, Jair Bolsonaro, desde o primeiro momento adotou a tática da dinastia familiar, em que as sucessões se processariam dentro de sua própria família. Valendo-se de seu próprio carisma pessoal e comportamento bem aderente à cultura majoritária de sua base de apoio, com indícios de bastante proximidade com as milícias – grupos armados com procedimentos similares da máfia - um a um seus filhos foram sendo eleitos para os parlamentos municipal, no Rio de Janeiro, seu domicílio eleitoral, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Com objetivo de nacionalizar a base, um filho foi eleito vereador em Camboriú há dois anos e Deputado Federal na recente eleição, por Santa Catarina. Outro senador também por esse estado.

Um tanto quando dissidente dos enteados, a madrasta elegeu-se senadora pelo Distrito Federal, além de outros parentes menos próximos, como irmão para a Câmara Federal por São Paulo,  todos com a marca da franquia Bolsonaro.

Ao todo, como curiosidade, concorreram 19 candidatos com a marca Bolsonaro:

Michelle Bolsonaro                 esposa     senadora

Carlos Bolsonaro                      filho         senador

Jair Renan Bolsonaro                filho         deputado federal

Renato Bolsonaro                    irmão       deputado federal

Flávio Bolsonaro                      filho         presidente da república

Rogéria Bolsonaro                    ex-esposa deputada federal

Marcelo Bolsonaro                  primo      deputado estadual

Valéria Bolsonaro             casada c/primo deputada estadual

Fabiana Bolsonaro             sem parentesco deputada estadual

Fão do Bolsonaro              sem parentesco deputado estadual

Jean Bolsonaro                 sem parentesco deputado federal

Freitas Bolsonaro              sem parentesco deputado federal

Hélio Bolsonaro                sem parentesco senador

Joel Bolsonaro                  sem parentesco deputado estadual

Bolsonaro da Shopee          sem parentesco deputado federal

Bolsonaro Sergipano          sem parentesco deputado estadual

Rodrigo Bolsonaro             sem parentesco governador

Samanta Bolsonaro           sem parentesco deputada estadual

Renata Bolsonaro              sem parentesco vice-governadora

 

Já os partidos de centro, centro-direita e direita, na ausência de uma liderança consistente, dividiram-se entre as duas correntes conforme os ventos de ocasião.

O partido militar, esse perdeu sua expressão política, encontrando-se suas figuras de proa presas, condenadas pelos atos golpistas de 8 de jan.

(continuação em https://fregablog.blogspot.com/2026/11/crepusculo-dos-tempos-parte-2-vitorias.html

Crepúsculo dos Tempos Parte 3 – Os Ocasos

(continuação de https://fregablog.blogspot.com/2026/11/crepusculo-dos-tempos-parte-2-vitorias.html

A pá de cal no bolsonarismo não ocorreu exatamente na derrota eleitoral, mas na fuga do candidato derrotado para escapar da investigação judicial por suas íntimas ligações criminosas e exposição de sua imoralidade pessoal.

Como ciclicamente na História, a população descobre que o rei está nu. Nem a própria extrema direita está confortável para carregar nos ombros a dinastia que lhe parasitou. Descobre-se que, fora do governo, a única proposta era o caos; no governo a quebra institucional e a subordinação nacional.
Que obras deixou, construiu o quê em quatro anos? Nada que preste, que não marque pela insensatez, pela alienação, pela irresponsabilidade.
O Rei está nu. Nu e preso. Seu fôlego acabou nesta eleição, alguns membros da dinastia terão que dizer a que vieram, não mais terão a sombra da coroa decaída. Os demais da extrema direita que se elegeram no trem bolsonarista, se afastarão e consolidarão politicamente teses da extrema direita sem Bolsonaro.

Esse movimento já se percebe claramente com Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e que ensaia já explicitamente a assunção da liderança dessa corrente. Gradualmente será percebida a atração de ex-bolsonaristas e a reformatação da extrema direita em teses além do grotesco lacrador.
Trata-se da morte precoce do chamado bolsonarismo.

Já na corrente progressista, Lula supera até sua dimensão histórica sem ser unanimidade. Ao contrário, é alvo de oposição das correntes da extrema esquerda, ainda que sejam de pequena dimensão, e até da esquerda democrática em situações pontuais. Sua característica de negociação e composição, com redução de confrontos, não é do agrado dessas correntes.

Lula inicia seu quarto mandato com mediana popularidade. Talvez até menor do que os 52% dos votos válidos obtidos, muitos deles sem dúvida por escolha de mal menor. Voto do antibolsonarismo.

Lula adquiriu o status de personalidade mundial por seu comportamento descontraído, suas posições firmes pela paz e combate à miséria. Aplaudido e cortejado em todos os foros mundiais, presença marcante e esperada, utilizou essa condição para a projeção do Brasil e abertura de mercados. Para ter idéia da sua atuação, só o superávit do balanço de pagamentos em setembro de 2026 foi de quase quatro vezes a totalidade das reservas brasileiras quando assumiu o primeiro mandato, em 2002.

São inegáveis as conquistas, mas..... está com 81 anos, completará o novo mandato com 85.  Espera-se que tenha vida longa, ele mesmo brinca que chegará aos 120 anos, mas é inexorável o tempo.

O lulismo chega ao fim, os segmentos progressistas precisam agora se reinventar para prosseguir sem Lula.

Haverá lulismo sem Lula?
Estando em boas condições de saúde, seguramente as empreitadas de Lula serão no campo internacional, na ONU, nos fóruns internacionais, nas campanhas pela paz, na diplomacia, no multilateralismo comercial.

Toda árvore gigante e copada dificilmente abriga outras, que só encontram espaço e crescem quando não mais existe. Há várias mudas aguardando o fim do lulismo. Ou se reinventando no lulismo sem Lula.
Não será simples essa transição.

sexta-feira, outubro 30, 2026

Medos, Esperanças, Realidades

Parte I – Principais Atores


A mente humana é mestre em projetar o amanhã com base no ontem. Mas se o ontem não acaba, apenas desdobra-se em novos ontens e anteontens.
A desesperança cria o medo, o medo alimenta a esperança, a esperança vence o medo; a realidade amortece a esperança.

Há menos de uma semana atravessamos alguns dias dos mais tensos das últimas décadas. Não houve somente uma eleição, antes uma opção de futuro coletivo, de soberania ou vassalagem, solidariedade ou  egocentrismo,  empatia ou desprezo.
De democracia ou autocracia.
Uma sociedade  com medos antagônicos, sem uma maioria significativa, é uma sociedade errática, caminha no fio da navalha. Um escorregão se corta.
O medo da autocracia foi maior, os caminhos que propunha sinalizavam a subordinação nacional.
Ainda que o Brasil seja um estado plurinacional, há um forte sentimento unionista, possivelmente herdado de nossos antepassados colonizadores.

Há um sentimento nativista que nos une como cidadãos maior do que as diferenças que nos habitam. Não unânime, a bem da verdade, mas suficientemente majoritário para haver pontos e planos de identidade comum.

Consolidada a escolha, etapa concluída, numa sociedade dividida por medos antagônicos ao vencedor compete transformar a esperança em realidade e ao perdedor, ou repensar seus medos, ou tentar impedir que se tornem realidades.
E aí é que a porca torce o rabo.
O Brasil pactuou-se num híbrido institucional de parlamentarismo presidencialista, ou de presidencialismo parlamentarista.
O governante pouco pode realizar sem o Congresso, este pode até mais do que o governante, pois se não pode governar, pode virtualmente impedir que o governante governe.
Não são posições nada cômodas. 

Dado esse panorama, dentro de dois meses terá início um novo governo ainda que o governante seja o mesmo, parcialmente escolhido por um elenco de propostas de intenções a realizar nos próximos quatro anos, também parcialmente pelo medo das intenções de seu adversário.
Sua execução dependerá grandemente da concordância do Congresso, também eleito e majoritariamente antagônico. O eleitor, ainda de que forma inconsciente, estabeleceu os freios e contrapesos dos mandatos. Evidentemente há uma conclusão óbvia que pode ser antecipada. O Executivo não conseguirá realizar tudo o que se dispôs a fazer e nem a oposição no Congresso impedirá tudo o que gostaria.
E aí entra uma palavrinha-conceito chave: governabilidade.
Os poderes precisam buscar denominadores comuns necessariamente em processos de aproximação sucessiva.

A segmentação do eleitorado, cuja maioria que elegeu o chefe do Executivo, não foi a mesma que escolheu a maioria do Parlamento em ambas as casas.
Mas há ainda outros pontos de tensão a serem considerados. Também na Suprema Corte há correntes mais alinhadas com um ou outro segmento na interpretação jurídica.
Esse ambiente tripartite exigirá negociação.

A par disso, há também eleições internas nas Casas legislativas para as respectivas Mesas Diretoras.
Duas posições são essencialmente disputadas pelas correntes: as Presidências, responsáveis que são pelas pautas no Congresso.
A da Câmara, porta de entrada das proposições governamentais e terceira na linha sucessória da Presidência da República.
A do Senado, cumulativamente na condição de presidente do Poder Legislativo e Tribunal de Julgamento de pedidos de impedimento, tanto do Presidente da República como de Ministros da Suprema Corte por crime de responsabilidade, relacionados na Lei 1079/50.

A Constituição determina não hierarquia entre os três poderes, garantindo sua independência e relacionamento harmônico. Mais fácil a intenção e disposição do que a realidade.
Mas o fato é que a governabilidade exige mais do que simplesmente harmonia, impõe a colaboração proativa e propositiva para que o exercício das funções específicas constitucionais proporcione a efetividade necessária da governança.

Então:
Os presidentes da Câmara e do Senado, de Centro Direita, são candidatos à recondução para o próximo biênio e necessitam da aprovação da maioria dos parlamentares de cada Casa. No entanto as maiores bancadas são compostas por parlamentares da Extrema Direita, ainda que isoladamente talvez não tenham votos suficientes para independer de composição com outras correntes políticas.
Para o Executivo recém reeleito, de Centro Esquerda, seria desejável suas reconduções, as divergências conhecidas não alcançam a incompatibilidade que sabotaria as iniciativas do Executivo, diferentemente do que ocorre com a bancada majoritária da Extrema Direita.

Mas há ainda outros pontos de atrito. A Extrema Direita, que ficou fortalecida mesmo após derrota apertada para a Presidência do Executivo, tem propósito de abrir processo de impedimento de ministros do STF que tiveram a iniciativa da condenação criminal dos líderes da tentativa de Golpe de Estado em 08 de janeiro de 2023 e pautar sua anistia. Com pouco esforço soma votos para tanto, porém abre espaço para crise institucional sem precedentes.

Em resumo, o espectro político e sua distribuição:
- Extrema Esquerda: inexpressiva e sem representação parlamentar.
- Esquerda: pequena representação parlamentar, com claro conteúdo ideológico.
- Centro Esquerda: média representação parlamentar, fortalecida com a eleição de Lula e com pautas nacionalistas, desenvolvimentistas e de cunho social.
- Centro e Centro Direita: grande representação parlamentar, menos ideológica do que fisiológica, com significativa base eleitoral, imprescindível para governabilidade, com alinhamentos circunstanciais à Centro Esquerda e à Direita. Atua como um amortecedor entre as correntes mais ideológicas e são peças muito importantes para a governabilidade.
Pretende manter as presidências das duas Casas Legislativas.
- Direita:  bancada parlamentar média, no mais das vezes alinhada às pautas da Centro Direita e da Extrema Direita

- Extrema Direita: grande bancada e real vencedora das eleições parlamentares, fortalecida pela corrente chamada de bolsonarismo. Fortemente ideológica, com pautas neoliberais e de radicalização em costumes, conta com grande penetração nos segmentos neopentecostais da população.

Continua em http://fregablog.blogspot.com/2026/10/medos-esperancas-realidades-parte-ii.html

Medos, Esperanças, Realidades - Parte II – Mundo Real

Partidos e correntes políticas objetivam a conquista do poder para implementação de medidas aderentes à sua visão de mundo. Em sua forma pura. Na corrupta, para obtenção de vantagens pessoais ou grupais.

No nosso modelo de democracia, fortemente dependente do Congresso, só há condições práticas de governabilidade com maioria parlamentar a partir de base própria e de composições com outras bancadas. Isso obriga o governante a escolher as brigas que enfrentará e as que ficarão fora da ação governamental. Em nenhuma situação conseguirá executar integralmente seu plano de governo. Com algum sucesso conseguirá atender a algumas pautas de maior relevância.

 No ambiente que emergiu das eleições gerais  federais e estaduais, algumas composições são fundamentais:

Presidência das Casas Legislativas.

Atualmente ocupadas por Deputado e Senador do segmento da Centro Direita dispõem-se com frequência a pautar projetos de interesse do Executivo e utilizar sua base parlamentar nas votações, indicações em Comissões Parlamen-tares. Com fortes interesses pessoais em suas bases eleitorais, contam com reciprocidade na execução das políticas públicas em suas bases.

O presidente da Câmara tem poderes para não conhecer de pedidos de impedimento do Presidente da República, o que já se tornou rotina pelas oposições. Como nessa legislatura contam com expressiva maioria, esse poder de engavetamento é de fundamental importância para o Presidente. Um adversário radical na Presidência da Câmara pode inviabilizar  um governo e até levar seu titular à cassação.
Já o Presidente do Senado, além da gestão das pautas e indicações para comando de Comissões do Senado e Mistas, detém o poder de não conhecer de pedidos de impedimento de Ministros do Supremo. E esse é um ponto muito importante na atual conjuntura.
A mesma Extrema Direita com grande bancada também no Senado, guarda profundo ressentimento pela condenação de alguns dos líderes da tentativa de golpe concretizada em 8 de janeiro de 2023. Não faltarão pedidos de impedimento protocolado contra os Ministros do STF que considerem ter perseguido os líderes golpistas.
Um presidente do Senado que conheça desses pedidos pode levar a uma crise institucional com capacidade de paralisar e governo e até desencadear uma convulsão interna com consequências imprevisíveis.

O governo, se tiver juízo - e parece ter – apostará todas as fichas na aprovação nos primeiros cem dias de medidas estruturantes para o novo mandato, não aceitação de pedidos de impedimento tanto na Câmara como no Senado e recondução dos atuais presidentes das Casas, com o compromisso de não aceitarem pedidos de impedimento, seja do Presidente, seja de Ministros do STF e utilizará todas as moedas de troca para que as bancadas, que são majoritariamente de oposição, os reconduzam.
Quais seriam?

Atendimento de algumas das demandas regionais de parlamentares, seja com indicações de gestores, seja com a alocação de verbas em obras e serviços em suas bases eleitorais, consistentes com a LOA e o PPA.
Atendimento da principal pauta da Extrema Direita, tal seja a redução de penas por indultos seletivos e anistias parciais aos condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, incluindo a liderança maior, ex-presidente Bolsonaro.

Então, os mais puristas não estranhem e nem se sintam traídos se acordos dessa natureza ocorrerem.
Uma situação de entregar os anéis para garantir os dedos.
Simples assim. Complexo como nunca.

quinta-feira, junho 19, 2025

Bombardeios Inominados, Vítimas Anônimas

Desde que o homem atravessou os portais da pré-história e passou a entalhar seus feitos em registros escritos, guerras e conquistas sempre foram louvados. Como a deixar referências ao futuro. Como a documentar os feitos guerreiros. Como a eternizar a vaidade dos vencedores.

A partir dos primeiros registros, lá pelos idos 4 mil anos AC, verifica-se que o genocídio  é uma característica humana, mas não somente. Da vida em sua essência. Eliminação de adversários, de concorrentes, de grupos ou comunidades deles.
Com a escrita abriram-se as cortinas da chamada História. Ao passar do tempo muitos registros da história antiga foram descobertos e até desvendados. O mais extenso deles conhecidos são os registros hebraicos, consolidados a partir de tradições orais e sistematizados na Torah, absorvida posteriormente pela Bíblia cristã. (V Dt 20, 10-16 Jz 21,10-12 e muitos outros relatos)
Não são poucos os genocídios ali presentes e justificados como se fossem por ordem de seu deus. A morte de povos, sua dispersão e extermínio ultrapassou milênios. Até os dias de hoje, ainda que o deus ordenador tenha mudado de nome e passado a chamar-se Capital. Mas esse mata pela discriminação, pela miséria, pela exclusão, pela ganância, solerte e cínico.
Não é possível se afirmar que o genocídio, considerado o extermínio e eventual escravização de comunidades, seja privilégio de algum povo específico. Eventualmente ocorre até os dias de hoje em algumas situações. Como também, ainda que na modernidade em geral se encontre as digitais de mãos ensanguentadas do Capital, a face visível é sempre o braço armado.

As guerras até o advento da pólvora eram no mano a mano. Armas cortantes, perfurantes, traumatizantes. A força e resistência física, a quantidade e disposição dos beligerantes e a capacidade de comando, principalmente, decidiam as vitórias. Era sangue nos olhos, olho no olho.
Com a pólvora chegou um outro tipo de guerra, maior distância entre os combatentes.
Seu aperfeiçoamento pelo desenvolvimento tecnológico passou a permitir maiores distâncias, dispositivos de destruição em massa, lanternetas, metralhas, canhões granadas e assim vai.
De forma geral entre combatentes. Inimigo identificado por cores, bandeiras, fardamentos.
Um combate personalizado, que eventualmente se desdobravam em cercos, sítios e geração de fome e pestes como armas de rendição.

A tecnologia evoluiu, compostos outros como a TNG, TNT, e daí por diante o desenvolvimento de novos artefatos de destruição em massa, combinados com a evolução dos meios e dispositivos, incluindo a aviação adicionando uma terceira dimensão aos combates.
A aviação, ultrapassados poucos anos iniciais, mostrou-se efetiva como meio de destruição em massa. E tornou o inimigo anônimo.
Uma bomba sobre uma cidade provocava vítimas anônimas e espalhava um terror difuso.
Deu início a uma nova forma de genocídio pelo bombardeio inominado. As vítimas anônimas. O inimigo deixou de ostentar bandeiras e vestir fardas.

O século XX foi o século do morticínio em massa.
Os bombardeios, nos seus primórdios como bombas lançadas manualmente a partir dos aviões evoluíram rapidamente. Já nos anos finais da IGG, menos de dez anos do primeiro vôo do 14Bis, as aeronaves já haviam evoluído a ponto de permitir bombardeios diurnos e noturnos de alvos táticos, como o Gotha alemão, e causar enorme impacto psicológico no bombardeio estratégico de cidades, como Londres e Paris.
O terror vinha dos céus, por ser inominado, não ter endereço certo nem vítima determinada.

Em poucas décadas, já nos anos 30,  os bombardeios tristemente célebres de Barcelona e Guernica, essa reduzida a cinzas pela Legião Condor e tragicamente imortalizada por Picasso.
Cerca de duas mil vidas foram retiradas anonimamente. Nenhuma era um alvo determinado.
A aviação estabeleceu o parâmetro do alvo coletivo.
Na IIGG intensificou-se. Os bombardeios de Londres na Batalha da Inglaterra, e o mais famoso deles, esse com caráter claramente genocida praticado pela aliança anglo-estadunidense em Dresden, cidade refúgio alemã para população civil e sem qualquer objetivo militar. Quatro mil toneladas de bombas despejadas em dois dias de vagas sucessivas e ininterruptas de esquadrões com a única intenção de extermínio da população refugiada – crianças, mulheres, idosos, mutilados – pois aos vencedores competiria a responsabilidade “humanitária”  de alimentá-la no próximo inverno. Não haveria plantação na Primavera e a vitória já estava assegurada. Outras cidades também foram bombardeadas intensamente, Hamburgo, Munique, Berlin, Frankfurt etc, também, mas não exclusivamente como forma de eliminação da população civil.

Sempre pode piorar. O próximo estágio do uso do morticínio em massa como difusão de terror e trauma psicológico deu início à idade atômica. Hiroshima e Nagazaki, mais de meio milhão estimado de vítimas anônimas com a primeira bomba de urânio e a segunda, três dias depois, de plutônio. Não soldados, não combatentes, mulheres, crianças, vida animal e vegetal. Resíduo radiativo duradouro.
Mas sempre pode piorar.

Até hoje, por tão terrível e capaz de provocar arrependimento e culpa até em mentes psicopatas de último estágio, nunca mais foi utilizada essa arma. Mas esses escrúpulos não impediram seu desenvolvimento com maiores e maiores potências, as primeiras de fissão nuclear, depois de fusão, a de nêutrons, que mata a vida porém preserva relativamente a infraestrutura. Com potências superiores a cento e cinquenta vezes as de Hiroshima.
São milhares de ogivas, com capacidade inimaginável de destruição, há quem afirme em dimensão planetária. Tudo estocado até que um maluco, ou desesperado, lance a primeira.

A par disso, a tecnologia da destruição e genocídio pelo bombardeio inominado também evoluiu. A partir dos desenvolvimentos de Werner von Braun, os foguetes-bombas V1 e V2, lançados da Alemanha atingiam a Inglaterra visando Londres, a tecnologia do jato a pulso e da reação plena alcançou enorme desenvolvimento no processo da corrida espacial.
O arsenal bélico decorrente é diverso.
Pequenos artefatos em enxames, cada um com alta capacidade de explosão e com capacidade relativamente precisa de seleção de alvos. Por vezes os alvos são exatamente áreas densamente habitadas e em uso noturno. O efeito psicológico é devastador.
A tecnologia de mísseis, de cruzeiro, em rota direta com capacidade de manobras evasivas contra interceptação.
Mísseis balísticos, com trajetória parabólica, por vezes estratosférica, e elevada capacidade de portar várias ogivas, cada uma com alvo pré-determinado.
Só que esses alvos táticos se distribuem em áreas urbanas. Pequenos desvios de rota provocam tragédias anônimas. Vidas reduzidas a número de vítimas anônimas.

Essa capacidade de matar em massa nos traz novamente aos tempos iniciais da História. 
O extermínio étnico, religioso, político de populações inteiras, anônimas, difusas. Inominadas.
Os genocídios bíblicos pretextado pelo mesmo deus que atravessou milênios.
Há um deles em andamento. Gaza.

A população está sendo exterminada nos mesmos princípios escritos há cerca de seis mil anos. Com fundamento no mesmo deus, pretexto nas mesmas promessas. Pelo mesmo povo, ou parte majoritária dele. Que as usa para fins de dominação política.
O lobby, a herança colonial britânica e o trauma causado pelo genocídio nazista contra os judeus criou artificialmente um Estado em terras que já estavam povoadas. Esse Estado, por meio de matanças, expulsões e agressões, foi ampliando os limites determinados. Sob a cumplicidade cômoda da ONU e pelo lobby sionista supranacional concentrador do Capital.
Israel, esse Estado artificialmente criado pela ONU, adotando princípios expansionistas busca agora a ocupação do enclave palestino reduzido à Faixa de Gaza. O genocídio contra a população civil, notadamente contra as mulheres (matrizes) e crianças (futuro) denotam claramente a intenção do extermínio étnico.

https://youtu.be/9TSZVTW8ul0?si=JMLL2JcYHmnVSpDk

A par desse genocídio, Israel provocou o Irã com um bombardeio surpresa, alegadamente contra instalações  e pessoas envolvidas com desenvolvimento nuclear, ainda que alegadamente para fins pacíficos e o próprio Israel dispor de artefatos nucleares, estimativamente em cem unidades, e não ser signatário de acordo internacional de contenção desses dispositivos.
A resposta iraniana superou as expectativas de força e com o bombardeamento inominado de cidades, inclusive a capital, replica o bombardeio também inominado que Israel promove em centros iranianos.
É o terror como arma de guerra. E há sério risco de expansão e nuclearização desse conflito.



terça-feira, março 25, 2025

Partido Militar IV - O Ocaso da Serpente

(Parte III em https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-iii-o-bote-da-serpente.html


O 8 de Janeiro é um dos episódios recentes mais veiculados, expostos. Um ataque não espontâneo aos prédios-sede dos Três Poderes da República.
Por sua dimensão - milhares de participantes, pela conivência das forças de segurança - partiram do Forte Apache e foram escoltados pela PMDF até às instalações, pela exposição - transmitida ao vivo em tempo real pela TV aberta e internet, pela gravidade dos danos - destruição predial e de obras de arte.
Não vou discorrer sobre ele, apenas salientar que movimento de tal monta não ocorre de forma orgânica, espontânea. Movimento de tal monta não prescinde de agentes agitadores, de pessoal treinado na condução de massas e sua manipulação.

A turba agiu exatamente como ensina a psicologia das massas quando levadas à euforia em revolta. A destruição. Nem sequer a Bastilha, castelo medieval de pedra, resistiu ao populacho mobilizado.
Esse é um dos fundamentos das operações especiais diversivas.
P.C.Wren, em seu romance excepcional e pouco conhecido chamado Beau Sabreur, relata exatamente o fenômeno de massas conhecido como estouro da boiada, quando um agente do exército francês, Raoul Andre de Redon, desvia a turba para objetivos inertes.
Pois bem, o objetivo da invasão e destruição não era nem o invadir e nem o destruir. Mas amedrontar as instituições, Apelar às forças de defesa, pedir socorro.
Tudo, afinal, que o Diretório Central do Partido Militar desejava. fazer das instituições reféns.
Foi por pouco, muito pouco. Há versões que atribuem a recusa à Janja, que com sua intuição feminina teria pressentido a manobra.
Não se sabe, nunca se saberá. Mas foi por pouco. 
A pronta atuação do Ministério da Justiça, por seu Ministro e pelo Secretário Executivo foram fundamentais para que o plano fosse abortado.
Pisaram na cabeça da serpente.
E como para comemorar o valor institucional, por uma dessas coincidências históricas que são simbólicas, no mesmo dia e mês de outorga da primeira Constituição do Brasil, em 1824, inicia a tramitação judicial para julgamento dos lideres golpistas, do fantoche a altos componentes do Diretório Central do partido Militar.

Pela primeira vez na história pátria os que se entendem acima das instituições democráticas, os que acreditam que as armas que a sociedade lhes provê possam ser utilizadas contra ela, os que se acostumaram à insubordinação sempre anistiada.
pela primeira vez na história pátria há disposição real de redefinir rumos, projetar um futuro em que nenhuma corporação pública ouse tentar tutelar o Brasil.
Esse dia 25 de março será, doravante, duplamente simbólico.


Partido Militar I - O Ninho da Serpente

Muito já se escreveu sobre a origem do alargamento dos militares na política, fato que levou desde o golpe militar-positivista republicano até a série de instabilidades institucionais e golpes, vitoriosos ou não, no Séc. XX e a recente fracassada tentativa no Séc. XXI.
Também é fato que o positivismo político no Brasil entrou em declínio a partir do maior contato com a cultura estadunidense, pela nossa participação com a  FEB, forma criativa de Getúlio para evitar a perda territorial definitiva do Brasil para os Estados Unidos, limitando-a à cessão provisória de base aeronaval em Parnamirim durante a Segunda Guerra. Seria ocupada de qualquer forma, bom então que fossemos aliados.
Velha raposa, sabia que a neutralidade implicaria na ocupação definitiva. Se aliados, abriria espaço para negociação e manutenção da soberania brasileira.

A FEB, a par dos atos heroicos que surpreenderam até os já experimentados comandantes em combate por anos, teve participação simbólica contra um inimigo já enfraquecido e em retração, que estabeleceu barreiras na retirada para redução de danos.
Em compensação, ganhamos a contaminação de nossos militares com conceitos sócio-econômicos, maniqueístas e ideológicos, formulados na Guerra Fria.
O nacionalismo gradualmente passou a ser substituído pelo alinhamento subalterno.
O golpe de 64, sabe-se hoje, tramado e urdido pelo Departamento de Estado e executado por seus fiéis delegados no Brasil, alguns febianos por coincidência(?), foi o ápice dessa etapa. E nascedouro do  Partido Militar por uma simples razão: era inevitável que a democracia seria restaurada.
Em vinte e um anos uma nova geração já havia surgido, o modelo esgotado, anseios de liberdade eram cada vez maiores, ditaduras mundo afora ruíam, os ventos de liberdade passaram a soprar também aqui.
Acontece que o positivismo, em sua decadência, criou um espírito de autodefesa supremacista, reforçado pelo papel de agentes do pólo maior num mundo dipolar. O sucedido não ama ao sucessor.

Sucedida a ditadura pela democracia, verifica-se uma alteração estrutural. As armas deixam de ser uma opção para a conquista do poder, os métodos do adversário devem ser adaptados e utilizados. Os democratas eram os adversários.
É o embrião do Partido Militar.
Até então correntes políticas diversas dentro das próprias Forças Armadas algumas vezes disputaram entre si. A última vez em que isso se manifestou de forma mais explícita foi em 77, numa tentativa de uma corrente mais radical para derrubar Geisel.
Assim, o Partido Militar, ainda que sem se estruturar como um partido formal, apenas movimento surdo nas casernas, tal qual os outros partidos políticos e com métodos semelhantes, objetivou a conquista do poder político.

Uma figura estranha, militarismo e política são antagônicos. O primeiro tem como fundamentos a hierarquia e a disciplina. A segunda, a negociação e o consenso.
O Partido Militar não abandonou internamente os fundamentos da hierarquia e disciplina. O Alto Comando passou a ser o equivalente Diretório Central, a capilaridade se estendia das grandes às pequenas Unidades, das estrelas às divisas. Doutrinação única, os objetivos estratégicos guardados na alta cúpula, a cooptação pelos escalões hierárquicos.
Se isso ocorreu de forma orgânica? Sim, a partir de um planejamento estratégico com objetivos e metas bem definidas e táticas bem estruturadas nos conceitos de psicologia das massas.
Pode-se dizer que a instalação da Comissão Nacional da Verdade foi o catalisador das ações coordenadas. Dessas ações surgiu Bolsonaro, como elemento do Partido Militar infiltrado na estrutura política civil.
Os atos sequenciados para o Partido Militar assumir o poder político civil tiveram início público em 2014, na formatura da Aman. Neste ponto sugiro a leitura do artigo em https://fregablog.blogspot.com/2022/08/de-proscrito-mito-parte-i-o-resgate-da.html
Daí em diante, os movimentos foram encadeados conforme planejado.
E cronogramadas as ações de guerra psicológica, de propaganda e de cooptação e intimidação de segmentos foram ocorrendo.
Muito provavelmente o impedimento de Dilma Rousseff não tenha sido um desses movimentos programados, mas rapidamente  foi aproveitado pelo Partido Militar. Caiu em seu colo um atalho, a garantia institucional do governo derivado do golpe político.  A menção ao torturador Brilhante Ustra em plena sessão de votação do impedimento na Câmara é simbólica como ocupação de espaços políticos pelas correntes mais radicais do Partido Militar.
O aproveitamento tático do terreno.

Rapidamente algumas funções estratégicas foram preenchidas pelo Partido Militar. Recriado o GSI, generais foram designados para funções de controle das informações. A neutralização do STF, com a designação pelo Partido Militar de um general para assessorar o Presidente do STF, instituição que poderia comprometer os planos. Fernando de Azevedo e Silva, general do Diretório, era a ponta de lança do Partido Militar a controlar, informar, ameaçar e fazer valer os planos de ocupação do poder político.
Quando surgiu um fato que poderia comprometer os planos, outro general do Diretório Central do Partido Militar, Ministro da Defesa Eduardo Villas Bôas, simplesmente divulgou uma mensagem ameaçadora em rede social.  O STF acovardou-se por 6x5. Azevedo e Silva,um dos dirigentes do Diretório Central,  estava lá com suas estrelas para garantir o placar.
Generais com tradição familiar linha dura, como Etchegoyen, instalados dentro do Alvorada. O quanto assombraram ao presidente timorato e vaidoso, talvez a história conte daqui a cem anos. Ou nunca saberemos.
Mas o poder político foi conquistado. O Partido Militar chegou lá com a eleição do agente Bolsonaro em 2018.
Abaixo uma relação incompleta da ocupação do Poder Executivo pelo Partido Militar em 2019. (não cito a fonte por saber que já foi perseguida e até punida por expor fatos. Não há porque prejudicá-la ainda mais. Caso leia este escrito, saberá de meus agradecimentos)

(continua em https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-ii-serpente-neoliberal.html


Presidente: capitão de artilharia AMAN 1977.

Vice-presidente: general de artilharia AMAN 1975.

Min Casa Civil: general de cavalaria AMAN 1978 (ATIVA!).

Min SEGOV: general de infantaria AMAN 1979 (ATIVA!).

Min SEGOV 2: general de infantaria AMAN 1974.

Min Defesa 1: general de infantaria AMAN 1976.

Min Defesa 2: general de cavalaria AMAN 1978.

Min Defesa 3: general de infantaria AMAN 1980.

Min Minas e Energia: almirante EN 1979 (ATIVA!).

Min GSI: general de cavalaria AMAN 1969.

Min Saúde: general de intendência AMAN 1984 (ATIVA!).

“Ministro” secretário de Assuntos Estratégicos: almirante EN 1979 (ATIVA!).

Ministro da C&T: tenente-coronel FAB AFA anos 80.

Ministro Infraestrutura: major de engenharia AMAN anos 90.

Porta-voz presidente: general de cavalaria AMAN 1981 (ATIVA!).

Presidente EBC: general de infantaria AMAN 1978.

Presidente Itaipu 1: general de engenharia AMAN 1972.

Presidente Itaipu 2: general de infantaria 1972.

Presidente Correios: general de infantaria AMAN 1976.

Presidente Petrobras: general de engenharia AMAN 1972.

Presidente Estatal Hospitais Universitários: general de engenharia AMAN 1975.

Embaixador Israel: general de infantaria AMAN 1975.

Secretário Nacional Segurança Pública/Min Justiça: general de infantaria AMAN 1976.

Secretário Segurança Pública SP: general de artilharia AMAN 1976.

Presidente Postalis: general de infantaria AMAN 1977.

Chefe Escritório APEx nos EUA: general de artilharia AMAN 1977.

Secretário Saúde DF: general de infantaria AMAN 1976.

Presidente FINEP: general de engenheiro militar AMAN 1976.

Presidente SUDENE: general de infantaria AMAN 1977.

Presidente INCRA: general de infantaria AMAN 1978.

Presidente DOCAS BA: general de infantaria AMAN 1977.

Deputado Federal 1: general de infantaria AMAN 1976.

Deputado Federal 2: general de infantaria AMAN 1976.

 Milhares de oficiais e praças em funções DAS nos Ministérios e Autarquias

Milhares de tenentes e praças como bedéis das Escolas Cívico-Militares



Partido Militar II - A Serpente Neoliberal

(Parte I em  https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-i-o-ninho-da-serpente.html


Um partido político é uma entidade viva e dinâmica, organismo complexo e composto por valores e interesses muitas vezes antagônicos.
É possível entender uma inflexão dos alicerces ideológicos ocorrida após nossas forças em combate ficarem sob comando estrangeiro, incorporadas que foram ao V Exército estadunidense comandado por Mark W. Clark. Dependentes de suprimentos e de ordens diretas, nossas forças simplesmente incorporaram valores da civilização que lhes comandavam. A admiração cresceu, como toda admiração subalterna cresce e se incorpora. Mais ainda quando é elogiada e a FEB o foi.
O nacionalismo, valor até então herdado do Império e incorporado pela República, gradualmente passou a ser substituído pelo alinhamento. 
Pouca coisa é mais significativa do que a declaração dada pelo embaixador nos Estados Unidos designado pelo primeiro ditador ungido pelo golpe de 64, general febiano Castelo Branco.
"O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil", declarou ínclito Juracy Magalhães, general e embaixador designado. Viralatismo maior não creio registrada em nossa história. Mas é simbólica em caracterizar a transposição do orgulho nacionalista pela subordinação, até inveja, dos valores da sociedade estadunidense. Pudessem e fossem aceitos, trocariam de farda incontinenti.

Os Estados Unidos foram os principais beneficiados com a derrota do Eixo na IIGG. Inicialmente limitou-se a faturar fornecendo equipamentos bélicos às potências em guerra contra a Alemanha. Inglaterra, URSS, França, principalmente. Ingressou tardiamente em operações ativas, somente no apagar das luzes de 1941 com o ataque japonês em Pearl Harbor. Coincidentemente quando se começava a registrar a paralisia dos exércitos nazistas em Stalingrado e Kursk, sinalizando o refluxo da maré.
O Teatro Europeu já se exauria com três anos de guerra furiosa. O do Oriente, com o desgaste das potências coloniais Inglaterra e França e relativa incapacidade de sustentar as operações, contra um Japão bem preparado, porém com recursos muito limitados para uma guerra de longa duração.
Ou seja, entraram na boa. Por sorte, mas na boa. E com o privilégio geográfico de dois oceanos a separar-lhes dos principais inimigos.

A prosperidade econômica estadunidense no pós-guerra, seu domínio sobre o Ocidente e disputa com a URSS, outro polo vitorioso, trouxe impactos estruturais às Forças Armadas. Um modelo a ser seguido e perseguido, o progresso econômico, o dinheirismo, a admiração ao american way of life e seu liberalismo propagandeado nas Seleções do Readers Digest e das páginas coloridas da Time-Life. Hollywood e seus açucarados romances numa sociedade libertária idealizada e consumista. O combate ao malvado comunismo, não por ser malvado, mas por ser o polo concorrente.
O colonialismo cultural transmutou o então  nacionalismo no alinhamento subalterno.

E na inveja surda e admiração profunda que historicamente todas as sociedades dominadas nutrem por seus dominadores, os militares adotaram o modelo do liberalismo econômico como a plataforma a ser seguida.
E o dinheiro passou a ser o valor fundamental. Pecunia non olet, dito Vespasiano.

Com o advento das teses neoliberais pela dobradinha Tatcher/Reagan, o Partido Militar as adotou rapidamente como modelo ideológico a ser seguido.
A globalização como pressuposto de otimização de recursos por competência setorizada substituiu a visão anterior de domínio nacional dos meios como instrumento de segurança.
O Partido Militar sofreu assim mudança em seus princípios e valores.
O fortalecimento nacional passava antes para o fortalecimento dos associados.
O tempo das benesses e promiscuidade simbiótica com as corporações econômicas incorporou-se e lançou raízes programáticas no Partido Militar. 
Na lição de Hobbes, dinheiro é poder.
O neoliberalismo movido pelo capital sem pátria ou lei, incorporado ideologicamente pelo Diretório Central. 

(continua em https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-iii-o-bote-da-serpente.html


Partido Militar III - O Bote da Serpente

(Parte II em https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-ii-serpente-neoliberal.html


Com a eleição de Bolsonaro em 2018 o Partido Militar chegou ao poder. Como já visto, ocupou todos os espaços possíveis conforme o direcionamento do Diretório Central. Como todo partido o faz.
Também como todo partido, ocupou esses espaços com o objetivo duplo: perpetuar-se no poder e premiar seus correligionários.

A Constituição de 88, muito moderna para a época e até para os dias de hoje apesar das múltiplas alterações e desfigurações, introduziu uma visão do papel do Estado como instrumento de equilíbrio entre o poder econômico e o bem estar social. Numa função biunívoca. Essa visão contraria as teses neoliberais mais profundas, a de que o poder econômico é meritocrata e o bem estar social deve ser buscado individualmente. São visões contrapostas de sociedade.
O Partido Militar, como exposto e defendido anteriormente, perfilha-se as teses neoliberais. Sendo governo, portanto, naturalmente direcionou suas ações econômicas nessa direção. E sendo alinhado, subordinou politicamente o país a essas correntes.
Privatizações, preterimento de políticas sociais, projeto de extinção de alguns braços dessas políticas, continência à bandeira estadunidense, designação de um oficial general para o sub-comando da Força Sul estadunidense. Fim do SUS, da educação pública, estrangulamento das universidades, arrocho do salário mínimo, da previdência pública (as próprias foram generosamente favorecidas), privatizações, desprezo ambiental, à saúde pública, fomento à insensibilidade social e solidariedade coletiva, tudo são elementos dentre outros que buscavam o redesenho do Estado brasileiro pactuado em 88.
Esbarravam, porém, numa condição constitucional que sabiamente foi introduzida: Direitos Fundamentais, Capítulo V da CF, categorizado como Cláusula Pétrea.
O Diretório Central do Partido Militar concluiu que, na impossibilidade de alteração, o caminho seria destruir para reconstruir nos novos princípios e valores. Quais? Os adotados neoliberais.
Só a quebra institucional permitiria essa transformação, com a convocação posterior de nova Constituinte. O pulo do gato.

A instalação da Comissão Nacional da Verdade acendeu a luz de alerta. Nada agride mais ao vaidoso do que expor sua hipocrisia. O conhecimento pode transformar heróis em bandidos. Subterrâneos ocultos não devem ser revirados, zumbis podem brotar das flores em tumbas. Discursos desmentidos.
Coisas de quem é, mas não quer que ninguém saiba. Como canta o fado,"nem às paredes confesso".
Heróis são gente como a gente, gente comum a quem, circunstancialmente, fatos são substituídos por versões. "Eloí, Eloí, lamá sabactani?" 
O projeto de conquista do poder tomou forma. os dados lançados.
A escolha recaiu estrategicamente sobre um agente inescrupuloso, ambicioso, estúpido e obediente. Apto a quebrar as instituições, fomentar o caos, a desestruturação e criar o ambiente necessário ao redesenho do Brasil conforme as teses neoliberais do Partido Militar. Ah, essas Cláusulas Pétreas, uma antevisão de Ulysses, Cabral e José Ignácio? Seria tão mais fácil sem elas.
Daí pra frente a história recente e bem conhecida.
Prisão de Lula por um juiz corrompido. Eleição do fantoche em campanha de ódio verdadeira PsyOp que se prolongou após a posse com mobilizações anti- institucionais, contra os demais poderes instituídos. Ações desestruturantes.
A pandemia de fato atrapalhou os planos. Bem que foi tentada sua minimização, manter mobilizações. Foram atropelados pelos cadáveres do descaso, a turma do paulo Guedes foi paralisada, as instituições agiram e impediram que a pandemia fosse utilizada para a implosão do Estado. 
As declarações disruptivas do fantoche geraram reações inesperadas, precisaram comprar a manutenção do próprio mandato no Congresso. Ficou claro, precisariam de mais tempo. E só o fantoche reunia as condições de popularidade para sua obtenção. Era só questão de tempo.
Para seu azar, o STF, ou por justiça, ou por antevisão da destruição institucional programada, ou pelas duas coisas, resgatou Lula para o cenário político.

O Diretório Central pressentiu a ameaça capaz de subverter todo planejamento.
O segundo mandato era essencial, reeleger o fantoche era impositivo, ainda que não concluísse o mandato por seu passado imundo, sua família mafiosa, sua ambição desmedida, sua incapacidade antológica. Já tinha representado seu papel, o que se esperava dele, o comprometimento institucional, a quebra na confiança. Para o redesenho não tinha capacidade. O Diretório Central decidiu que um dos seus conduziria o processo da reconstrução. Bolsonaro reeleito não teria vida política longa. Sua cassação daria a legitimidade para que o Vice assumisse. Braga Netto, o general. Pronto para o redesenho nacional nos moldes neoliberais.

A campanha midiática foi forte, mas o primeiro mandato muito ruim. Nada foi realizado além da demolição institucional. O auto favorecimento financeiro dos membros do Partido Militar foi contrastante com um país que encolhia. escândalos de corrupção estrelada surgiam cá e lá. E Lula carregava dois pontos importantes: a memória de seus bons governos anteriores e a forte penetração popular.
Uma possibilidade de golpe surgiu no radar. Multidões já estavam mobilizadas, induzidas a pedir intervenções militares, o ódio às instituições democráticas prosperado, a PsyOp já havia surtido seus efeitos.
Haveria, claro, reação popular, porém dentro da própria sociedade os segmentos mais radicalizados e dispostos à ruptura estavam armados, fortemente armados. Conforme planejado. Muito pouco precisariam interferir com as próprias forças do Estado, apenas para encerrar a guera fratricida. Era um risco, mas que poderia ser corrido com razoável chance de sucesso.
Mas aí veio o recado do governo dos Estados Unidos transmitido por Lloyd Austin: não se atrevam, não haverá apoio dos Estados Unidos a um golpe no Brasil. Até o contrário, haverá represálias. Não, o governo Democrata não estava interessado na democracia no Brasil, pouco se lixava, mas apenas em que aliados de seu adversário Trump permanecessem à frente da maior potência latino-americana.
Bande de água fria. Os ânimos do Diretório Central abalaram-se. Cindiram-se entre os disruptivos entusiasmados e os disruptivos encabulados. 
Os primeiros, topando tudo incondicionalmente, os segundos, também, mas com condições.
O segundo mandato precisaria vir das urnas. Ou pela desmoralização delas.

Face à mudança brusca de cenário, o Diretório Central adotou duas ações.
A primeira, que se utilizassem todos os recursos públicos, pouco importando a moralidade, para obter apoio e votos.
A segunda, que se utilizassem todos os meios, morais ou não, legais ou não, para desmoralizar o processo eleitoral e os próprios adversários.
A primeira foi comprada no Congresso. Precatórios, auxílios a categorias, redução de ICMS, explosão do Bolsa Família e mudança de seus parâmetros e limites.
A segunda, bem, o TSE não topou. O ódio ao então presidente dessa Corte muito deriva daí.

Perdida a eleição e frustrados os meios de comprometê-la, restava o golpe puro e simples. Mobilização popular incrementada, acampamentos em quartéis, tentativas de assassinato, bagunça terrorista na diplomação (por isso foi antecipada de surpresa). Nada parecia estar dando resultado para impedir a posse.
Um atentado terrorista de alto impacto, talvez fosse uma condição para impedir a vinda de mandatários estrangeiros e comprometer a própria posse.
Bomba no aeroporto de Brasília para explodir na véspera do Natal. Última cartada, centenas, talvez milhares de mortos poderiam criar a comoção necessária para uma GLO e suspensão da posse daí a uma semana. Talvez até forjando o comprometimento dos vencedores da eleição.
A incompetência dos agentes e a rápida investigação da PCDF desmontou a ação desesperada. Os terroristas eram acampados e protegidos pelo próprio Exército. Que feio!
Posse inevitável. Espera esvaziar, todo mundo vai embora. Fim de semana seguinte, os atos terroristas de 8 de Janeiro. Última oportunidade para uma GLO e virada de mesa.
O último bote da serpente. 

(continua em  https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-iv-o-ocaso-da-serpente.html



domingo, março 09, 2025

Quinta-Coluna

O imbecil que nos desgovernou e que agora mostra-se em sua verdadeira vileza e traição ao Brasil, características aliás hereditárias pois se verificam também em suas crias daninhas, lança mais um boato. O Brasil está entregando terras à China e desenvolverá bomba atômica com tecnologia chinesa. 
Afirma o mandrião que até já alertou o governo Trump para que tomasse providências.

Por todos os deuses, que víbora asquerosa e de baixo nível, agora X9 de notícia falsa e como se os próprios USA não mantivessem ativa rede de informações.
Estejam certos, não foi a facada no intestino, atingindo o cérebro, que lhe lesou moral e mentalmente. Não, é imanente, está em seu DNA.
Como se vê na ação bananinhenta de lambe-botas, é imbecilidade e mau caratismo hereditário. Mutilação transmissível, não acidental.
Mas enfim, apregoa o desqualificado que o Brasil está alienando território nacional. Até onde sei, quem alienou foi ele, em Alcântara. Mas como foi a seus patrões e de boa parte da elite econômica do Brasil, deixa pra lá.

Então, três pontos:
1. Não está ocorrendo em absoluto alienação de terras vítimas de queimadas ilegais na Amazônia à China. Seria ilegal e a denúncia deveria ser feita à PGR, não a Trump. Mentira deslavada, como de costume, e já desmentida pelo site aosfatos.org.
https://www.aosfatos.org/noticias/lei-nao-permite-governo-entregue-terras-china/

 2. Há de fato um acordo para Cooperação Estratégica em Aplicações de Tecnologia Nuclear, o que é perfeitamente adequado quando se pretende retomar o conhecimento interrompido para fins pacíficos (e transferido a outros países, como no caso das centrífugas desenvolvidas no PNB e as de maior eficácia até então) e que ensejou a prisão do nosso maior cientista nessa área, o Alm Othon. Por juízes bolsonaristas, olha só.
3. O real motivo dessa indignação do pulha é ter-se assinado protocolo de intenções com a Telebrás sobre uso e aplicações de sistemas de satélite de baixa órbita, que põem a rede do Musk em cheque.
Tecnologia, aliás, que o Brasil já desenvolvia e estava em implantação há trinta anos, quando foi jogada fora pela privatidoação do Sistema Telebrás pelo traidor antecedente, um tal de FHC.
4. E para evitar a desinformação, coisa que os canalhas adoram e os decentes deploram, abaixo está a lista dos acordos firmados no G20. Trinta e sete.

De traidor em traidor, o Brasil fica estagnado geração após geração, eterno país do futuro.

Veja a lista completa dos acordos:

·         Declaração Conjunta entre a República Federativa do Brasil e a República Popular da China sobre a Formação Conjunta da Comunidade de Futuro Compartilhado China-Brasil por um Mundo mais Justo e um Planeta mais Sustentável;

·         Plano de Cooperação do Governo da República Federativa do Brasil e do Governo da República Popular da China para o estabelecimento de sinergias entre o Programa de Aceleração do Crescimento, o Plano Nova Indústria Brasil, o Plano de Transformação Ecológica, o Programa Rotas da Integração Sul-americana, e a Iniciativa Cinturão e Rota;

·         Memorando de Entendimento sobre o Fortalecimento da Cooperação para o Desenvolvimento Internacional entre a Agência Brasileira de Cooperação da República Federativa do Brasil e a Agência de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Bioeconomia entre o Ministério das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China;

·         Contrato de Captação entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o China Development Bank (CDB);

·         Protocolo de Requisitos Fitossanitários para Exportação de Uvas Frescas de Mesa do Brasil para a China entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração Geral de Aduanas da República Popular da China;

·         Protocolo sobre os Requisitos de Inspeção e Quarentena para a Exportação de Gergelim do Brasil para a China entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração Geral de Aduanas da República Popular da China;

·         Protocolo entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração Geral de Aduanas da República Popular da China para a Importação de Farinha de Peixe, Óleo de Peixe e outras Proteínas e Gorduras derivadas de Pescado para Alimentação Animal do Brasil para a China;

·         Protocolo entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração Geral de Aduanas da República Popular da China sobre Requisitos Fitossanitários para a Exportação de Sorgo do Brasil para a China;

·         Carta de Intenções entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração Estatal de Regulação de Mercados (SAMR) da República Popular da China para promover a cooperação técnica, científica e comercial no setor agrícola;

·         Memorando de Entendimento para o Intercâmbio e a Colaboração sobre Tecnologia e Regulação de Pesticidas entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da República Popular da China;

·         Мemorando de Entendimento entre o Ministério das Cidades da República Federativa do Brasil e o Ministério da Habitação e do Desenvolvimento Urbano-Rural da República Popular da China para o Fortalecimento da Cooperação na Área de Desenvolvimento Urbano;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da República Popular da China sobre Cooperação na Indústria Fotovoltaica;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e a Autoridade de Energia Atômica da China sobre Cooperação Estratégica em Aplicações de Tecnologia Nuclear;

·         Memorando de Entendimento sobre o Programa Sino-Brasileiro de Fonte de Luz Síncrotron entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e o Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento para o Aprimoramento da Cooperação no Desenvolvimento de Capacidades em Inteligência Artificial entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e o Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento sobre o Estabelecimento do Laboratório Conjunto em Mecanização e Inteligência Artificial para Agricultura Familiar entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e o Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento entre Telecomunicações Brasileiras S.A. Telebras, Empresa Vinculada ao Ministério das Comunicações do Brasil ("Telebras") e a Shanghai Spacesail Technologies Co., Ltd., Empresa Chinesa Cujo Objetivo Social é o Provimento de Serviços e Soluções de Telecomunicações via Satélite ("Spacesail");

·         Memorando de Entendimento sobre o Fortalecimento da Cooperação na Economia Digital entre o Ministério das Comunicações da República Federativa do Brasil e a Administração Nacional de Dados da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério da Cultura da República Federativa do Brasil e o China Media Group sobre Cooperação Audiovisual;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério da Cultura da República Federativa do Brasil e o China Film Archive;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério da Cultura da República Federativa do Brasil e a China Film Administration;

·         Carta de Intenções sobre a Promoção da Cooperação de Investimento para Desenvolvimento Sustentável entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços da República Federativa do Brasil e o Ministério do Comércio da República Popular da China;

·         Plano de Ação para Promoção do Investimento Industrial e Cooperação 2024-2025 entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento para Promoção da Cooperação Econômica e Comercial sobre Micro, Pequenas e Médias Empresas entre o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços da República Federativa do Brasil e o Ministério do Comércio da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento sobre Cooperação Esportiva entre o Ministério do Esporte da República Federativa do Brasil e a Administração Geral de Esporte da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Transformação Ecológica e Desenvolvimento Verde entre o Ministério da Fazenda da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento sobre o Fortalecimento do Intercâmbio e da Cooperação sobre Reforma e Desenvolvimento de Empresas Estatais e Governança Corporativa entre a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais da República Federativa do Brasil e a Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais do Conselho de Estado da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas e Energia da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China sobre Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável da Mineração;

·         Plano de Ação entre o Ministério da Saúde da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional da Saúde da República Popular da China na área de Saúde para os anos 2024-2026;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério do Turismo da República Federativa do Brasil e o Ministério da Cultura e Turismo da República Popular da China para Fortalecer a Cooperação em Turismo;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério do Planejamento e Orçamento da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China para o Fortalecimento de Intercâmbio e Cooperação no âmbito do Desenvolvimento Econômico;

·         Memorando de Entendimento entre a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Federativa do Brasil e o Grupo de Mídia da China;

·         Acordo de Cooperação Técnica entre a Empresa Brasil de Comunicação S.A. - EBC - e China Media Group – CMG;

·         Memorando de Entendimento entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Tsinghua sobre o Programa de Resposta da Juventude Latino-Americana e Chinesa a Desafios Globais;

·         Memorando de Entendimento entre o Grupo de Mídia da China - CMG e a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA; e

·         Acordo de Cooperação entre a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a Administração Estatal para Regulação do Mercado (Administração Nacional de Normalização) da República Popular da China (SAMR/SAC).