FregaBlog

quinta-feira, junho 19, 2025

Bombardeios Inominados, Vítimas Anônimas

Desde que o homem atravessou os portais da pré-história e passou a entalhar seus feitos em registros escritos, guerras e conquistas sempre foram louvados. Como a deixar referências ao futuro. Como a documentar os feitos guerreiros. Como a eternizar a vaidade dos vencedores.

A partir dos primeiros registros, lá pelos idos 4 mil anos AC, verifica-se que o genocídio  é uma característica humana, mas não somente. Da vida em sua essência. Eliminação de adversários, de concorrentes, de grupos ou comunidades deles.
Com a escrita abriram-se as cortinas da chamada História. Ao passar do tempo muitos registros da história antiga foram descobertos e até desvendados. O mais extenso deles conhecidos são os registros hebraicos, consolidados a partir de tradições orais e sistematizados na Torah, absorvida posteriormente pela Bíblia cristã. (V Dt 20, 10-16 Jz 21,10-12 e muitos outros relatos)
Não são poucos os genocídios ali presentes e justificados como se fossem por ordem de seu deus. A morte de povos, sua dispersão e extermínio ultrapassou milênios. Até os dias de hoje, ainda que o deus ordenador tenha mudado de nome e passado a chamar-se Capital. Mas esse mata pela discriminação, pela miséria, pela exclusão, pela ganância, solerte e cínico.
Não é possível se afirmar que o genocídio, considerado o extermínio e eventual escravização de comunidades, seja privilégio de algum povo específico. Eventualmente ocorre até os dias de hoje em algumas situações. Como também, ainda que na modernidade em geral se encontre as digitais de mãos ensanguentadas do Capital, a face visível é sempre o braço armado.

As guerras até o advento da pólvora eram no mano a mano. Armas cortantes, perfurantes, traumatizantes. A força e resistência física, a quantidade e disposição dos beligerantes e a capacidade de comando, principalmente, decidiam as vitórias. Era sangue nos olhos, olho no olho.
Com a pólvora chegou um outro tipo de guerra, maior distância entre os combatentes.
Seu aperfeiçoamento pelo desenvolvimento tecnológico passou a permitir maiores distâncias, dispositivos de destruição em massa, lanternetas, metralhas, canhões granadas e assim vai.
De forma geral entre combatentes. Inimigo identificado por cores, bandeiras, fardamentos.
Um combate personalizado, que eventualmente se desdobravam em cercos, sítios e geração de fome e pestes como armas de rendição.

A tecnologia evoluiu, compostos outros como a TNG, TNT, e daí por diante o desenvolvimento de novos artefatos de destruição em massa, combinados com a evolução dos meios e dispositivos, incluindo a aviação adicionando uma terceira dimensão aos combates.
A aviação, ultrapassados poucos anos iniciais, mostrou-se efetiva como meio de destruição em massa. E tornou o inimigo anônimo.
Uma bomba sobre uma cidade provocava vítimas anônimas e espalhava um terror difuso.
Deu início a uma nova forma de genocídio pelo bombardeio inominado. As vítimas anônimas. O inimigo deixou de ostentar bandeiras e vestir fardas.

O século XX foi o século do morticínio em massa.
Os bombardeios, nos seus primórdios como bombas lançadas manualmente a partir dos aviões evoluíram rapidamente. Já nos anos finais da IGG, menos de dez anos do primeiro vôo do 14Bis, as aeronaves já haviam evoluído a ponto de permitir bombardeios diurnos e noturnos de alvos táticos, como o Gotha alemão, e causar enorme impacto psicológico no bombardeio estratégico de cidades, como Londres e Paris.
O terror vinha dos céus, por ser inominado, não ter endereço certo nem vítima determinada.

Em poucas décadas, já nos anos 30,  os bombardeios tristemente célebres de Barcelona e Guernica, essa reduzida a cinzas pela Legião Condor e tragicamente imortalizada por Picasso.
Cerca de duas mil vidas foram retiradas anonimamente. Nenhuma era um alvo determinado.
A aviação estabeleceu o parâmetro do alvo coletivo.
Na IIGG intensificou-se. Os bombardeios de Londres na Batalha da Inglaterra, e o mais famoso deles, esse com caráter claramente genocida praticado pela aliança anglo-estadunidense em Dresden, cidade refúgio alemã para população civil e sem qualquer objetivo militar. Quatro mil toneladas de bombas despejadas em dois dias de vagas sucessivas e ininterruptas de esquadrões com a única intenção de extermínio da população refugiada – crianças, mulheres, idosos, mutilados – pois aos vencedores competiria a responsabilidade “humanitária”  de alimentá-la no próximo inverno. Não haveria plantação na Primavera e a vitória já estava assegurada. Outras cidades também foram bombardeadas intensamente, Hamburgo, Munique, Berlin, Frankfurt etc, também, mas não exclusivamente como forma de eliminação da população civil.

Sempre pode piorar. O próximo estágio do uso do morticínio em massa como difusão de terror e trauma psicológico deu início à idade atômica. Hiroshima e Nagazaki, mais de meio milhão estimado de vítimas anônimas com a primeira bomba de urânio e a segunda, três dias depois, de plutônio. Não soldados, não combatentes, mulheres, crianças, vida animal e vegetal. Resíduo radiativo duradouro.
Mas sempre pode piorar.

Até hoje, por tão terrível e capaz de provocar arrependimento e culpa até em mentes psicopatas de último estágio, nunca mais foi utilizada essa arma. Mas esses escrúpulos não impediram seu desenvolvimento com maiores e maiores potências, as primeiras de fissão nuclear, depois de fusão, a de nêutrons, que mata a vida porém preserva relativamente a infraestrutura. Com potências superiores a cento e cinquenta vezes as de Hiroshima.
São milhares de ogivas, com capacidade inimaginável de destruição, há quem afirme em dimensão planetária. Tudo estocado até que um maluco, ou desesperado, lance a primeira.

A par disso, a tecnologia da destruição e genocídio pelo bombardeio inominado também evoluiu. A partir dos desenvolvimentos de Werner von Braun, os foguetes-bombas V1 e V2, lançados da Alemanha atingiam a Inglaterra visando Londres, a tecnologia do jato a pulso e da reação plena alcançou enorme desenvolvimento no processo da corrida espacial.
O arsenal bélico decorrente é diverso.
Pequenos artefatos em enxames, cada um com alta capacidade de explosão e com capacidade relativamente precisa de seleção de alvos. Por vezes os alvos são exatamente áreas densamente habitadas e em uso noturno. O efeito psicológico é devastador.
A tecnologia de mísseis, de cruzeiro, em rota direta com capacidade de manobras evasivas contra interceptação.
Mísseis balísticos, com trajetória parabólica, por vezes estratosférica, e elevada capacidade de portar várias ogivas, cada uma com alvo pré-determinado.
Só que esses alvos táticos se distribuem em áreas urbanas. Pequenos desvios de rota provocam tragédias anônimas. Vidas reduzidas a número de vítimas anônimas.

Essa capacidade de matar em massa nos traz novamente aos tempos iniciais da História. 
O extermínio étnico, religioso, político de populações inteiras, anônimas, difusas. Inominadas.
Os genocídios bíblicos pretextado pelo mesmo deus que atravessou milênios.
Há um deles em andamento. Gaza.

A população está sendo exterminada nos mesmos princípios escritos há cerca de seis mil anos. Com fundamento no mesmo deus, pretexto nas mesmas promessas. Pelo mesmo povo, ou parte majoritária dele. Que as usa para fins de dominação política.
O lobby, a herança colonial britânica e o trauma causado pelo genocídio nazista contra os judeus criou artificialmente um Estado em terras que já estavam povoadas. Esse Estado, por meio de matanças, expulsões e agressões, foi ampliando os limites determinados. Sob a cumplicidade cômoda da ONU e pelo lobby sionista supranacional concentrador do Capital.
Israel, esse Estado artificialmente criado pela ONU, adotando princípios expansionistas busca agora a ocupação do enclave palestino reduzido à Faixa de Gaza. O genocídio contra a população civil, notadamente contra as mulheres (matrizes) e crianças (futuro) denotam claramente a intenção do extermínio étnico.

https://youtu.be/9TSZVTW8ul0?si=JMLL2JcYHmnVSpDk

A par desse genocídio, Israel provocou o Irã com um bombardeio surpresa, alegadamente contra instalações  e pessoas envolvidas com desenvolvimento nuclear, ainda que alegadamente para fins pacíficos e o próprio Israel dispor de artefatos nucleares, estimativamente em cem unidades, e não ser signatário de acordo internacional de contenção desses dispositivos.
A resposta iraniana superou as expectativas de força e com o bombardeamento inominado de cidades, inclusive a capital, replica o bombardeio também inominado que Israel promove em centros iranianos.
É o terror como arma de guerra. E há sério risco de expansão e nuclearização desse conflito.



terça-feira, março 25, 2025

Partido Militar IV - O Ocaso da Serpente

(Parte III em https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-iii-o-bote-da-serpente.html


O 8 de Janeiro é um dos episódios recentes mais veiculados, expostos. Um ataque não espontâneo aos prédios-sede dos Três Poderes da República.
Por sua dimensão - milhares de participantes, pela conivência das forças de segurança - partiram do Forte Apache e foram escoltados pela PMDF até às instalações, pela exposição - transmitida ao vivo em tempo real pela TV aberta e internet, pela gravidade dos danos - destruição predial e de obras de arte.
Não vou discorrer sobre ele, apenas salientar que movimento de tal monta não ocorre de forma orgânica, espontânea. Movimento de tal monta não prescinde de agentes agitadores, de pessoal treinado na condução de massas e sua manipulação.

A turba agiu exatamente como ensina a psicologia das massas quando levadas à euforia em revolta. A destruição. Nem sequer a Bastilha, castelo medieval de pedra, resistiu ao populacho mobilizado.
Esse é um dos fundamentos das operações especiais diversivas.
P.C.Wren, em seu romance excepcional e pouco conhecido chamado Beau Sabreur, relata exatamente o fenômeno de massas conhecido como estouro da boiada, quando um agente do exército francês, Raoul Andre de Redon, desvia a turba para objetivos inertes.
Pois bem, o objetivo da invasão e destruição não era nem o invadir e nem o destruir. Mas amedrontar as instituições, Apelar às forças de defesa, pedir socorro.
Tudo, afinal, que o Diretório Central do Partido Militar desejava. fazer das instituições reféns.
Foi por pouco, muito pouco. Há versões que atribuem a recusa à Janja, que com sua intuição feminina teria pressentido a manobra.
Não se sabe, nunca se saberá. Mas foi por pouco. 
A pronta atuação do Ministério da Justiça, por seu Ministro e pelo Secretário Executivo foram fundamentais para que o plano fosse abortado.
Pisaram na cabeça da serpente.
E como para comemorar o valor institucional, por uma dessas coincidências históricas que são simbólicas, no mesmo dia e mês de outorga da primeira Constituição do Brasil, em 1824, inicia a tramitação judicial para julgamento dos lideres golpistas, do fantoche a altos componentes do Diretório Central do partido Militar.

Pela primeira vez na história pátria os que se entendem acima das instituições democráticas, os que acreditam que as armas que a sociedade lhes provê possam ser utilizadas contra ela, os que se acostumaram à insubordinação sempre anistiada.
pela primeira vez na história pátria há disposição real de redefinir rumos, projetar um futuro em que nenhuma corporação pública ouse tentar tutelar o Brasil.
Esse dia 25 de março será, doravante, duplamente simbólico.


Partido Militar I - O Ninho da Serpente

Muito já se escreveu sobre a origem do alargamento dos militares na política, fato que levou desde o golpe militar-positivista republicano até a série de instabilidades institucionais e golpes, vitoriosos ou não, no Séc. XX e a recente fracassada tentativa no Séc. XXI.
Também é fato que o positivismo político no Brasil entrou em declínio a partir do maior contato com a cultura estadunidense, pela nossa participação com a  FEB, forma criativa de Getúlio para evitar a perda territorial definitiva do Brasil para os Estados Unidos, limitando-a à cessão provisória de base aeronaval em Parnamirim durante a Segunda Guerra. Seria ocupada de qualquer forma, bom então que fossemos aliados.
Velha raposa, sabia que a neutralidade implicaria na ocupação definitiva. Se aliados, abriria espaço para negociação e manutenção da soberania brasileira.

A FEB, a par dos atos heroicos que surpreenderam até os já experimentados comandantes em combate por anos, teve participação simbólica contra um inimigo já enfraquecido e em retração, que estabeleceu barreiras na retirada para redução de danos.
Em compensação, ganhamos a contaminação de nossos militares com conceitos sócio-econômicos, maniqueístas e ideológicos, formulados na Guerra Fria.
O nacionalismo gradualmente passou a ser substituído pelo alinhamento subalterno.
O golpe de 64, sabe-se hoje, tramado e urdido pelo Departamento de Estado e executado por seus fiéis delegados no Brasil, alguns febianos por coincidência(?), foi o ápice dessa etapa. E nascedouro do  Partido Militar por uma simples razão: era inevitável que a democracia seria restaurada.
Em vinte e um anos uma nova geração já havia surgido, o modelo esgotado, anseios de liberdade eram cada vez maiores, ditaduras mundo afora ruíam, os ventos de liberdade passaram a soprar também aqui.
Acontece que o positivismo, em sua decadência, criou um espírito de autodefesa supremacista, reforçado pelo papel de agentes do pólo maior num mundo dipolar. O sucedido não ama ao sucessor.

Sucedida a ditadura pela democracia, verifica-se uma alteração estrutural. As armas deixam de ser uma opção para a conquista do poder, os métodos do adversário devem ser adaptados e utilizados. Os democratas eram os adversários.
É o embrião do Partido Militar.
Até então correntes políticas diversas dentro das próprias Forças Armadas algumas vezes disputaram entre si. A última vez em que isso se manifestou de forma mais explícita foi em 77, numa tentativa de uma corrente mais radical para derrubar Geisel.
Assim, o Partido Militar, ainda que sem se estruturar como um partido formal, apenas movimento surdo nas casernas, tal qual os outros partidos políticos e com métodos semelhantes, objetivou a conquista do poder político.

Uma figura estranha, militarismo e política são antagônicos. O primeiro tem como fundamentos a hierarquia e a disciplina. A segunda, a negociação e o consenso.
O Partido Militar não abandonou internamente os fundamentos da hierarquia e disciplina. O Alto Comando passou a ser o equivalente Diretório Central, a capilaridade se estendia das grandes às pequenas Unidades, das estrelas às divisas. Doutrinação única, os objetivos estratégicos guardados na alta cúpula, a cooptação pelos escalões hierárquicos.
Se isso ocorreu de forma orgânica? Sim, a partir de um planejamento estratégico com objetivos e metas bem definidas e táticas bem estruturadas nos conceitos de psicologia das massas.
Pode-se dizer que a instalação da Comissão Nacional da Verdade foi o catalisador das ações coordenadas. Dessas ações surgiu Bolsonaro, como elemento do Partido Militar infiltrado na estrutura política civil.
Os atos sequenciados para o Partido Militar assumir o poder político civil tiveram início público em 2014, na formatura da Aman. Neste ponto sugiro a leitura do artigo em https://fregablog.blogspot.com/2022/08/de-proscrito-mito-parte-i-o-resgate-da.html
Daí em diante, os movimentos foram encadeados conforme planejado.
E cronogramadas as ações de guerra psicológica, de propaganda e de cooptação e intimidação de segmentos foram ocorrendo.
Muito provavelmente o impedimento de Dilma Rousseff não tenha sido um desses movimentos programados, mas rapidamente  foi aproveitado pelo Partido Militar. Caiu em seu colo um atalho, a garantia institucional do governo derivado do golpe político.  A menção ao torturador Brilhante Ustra em plena sessão de votação do impedimento na Câmara é simbólica como ocupação de espaços políticos pelas correntes mais radicais do Partido Militar.
O aproveitamento tático do terreno.

Rapidamente algumas funções estratégicas foram preenchidas pelo Partido Militar. Recriado o GSI, generais foram designados para funções de controle das informações. A neutralização do STF, com a designação pelo Partido Militar de um general para assessorar o Presidente do STF, instituição que poderia comprometer os planos. Fernando de Azevedo e Silva, general do Diretório, era a ponta de lança do Partido Militar a controlar, informar, ameaçar e fazer valer os planos de ocupação do poder político.
Quando surgiu um fato que poderia comprometer os planos, outro general do Diretório Central do Partido Militar, Ministro da Defesa Eduardo Villas Bôas, simplesmente divulgou uma mensagem ameaçadora em rede social.  O STF acovardou-se por 6x5. Azevedo e Silva,um dos dirigentes do Diretório Central,  estava lá com suas estrelas para garantir o placar.
Generais com tradição familiar linha dura, como Etchegoyen, instalados dentro do Alvorada. O quanto assombraram ao presidente timorato e vaidoso, talvez a história conte daqui a cem anos. Ou nunca saberemos.
Mas o poder político foi conquistado. O Partido Militar chegou lá com a eleição do agente Bolsonaro em 2018.
Abaixo uma relação incompleta da ocupação do Poder Executivo pelo Partido Militar em 2019. (não cito a fonte por saber que já foi perseguida e até punida por expor fatos. Não há porque prejudicá-la ainda mais. Caso leia este escrito, saberá de meus agradecimentos)

(continua em https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-ii-serpente-neoliberal.html


Presidente: capitão de artilharia AMAN 1977.

Vice-presidente: general de artilharia AMAN 1975.

Min Casa Civil: general de cavalaria AMAN 1978 (ATIVA!).

Min SEGOV: general de infantaria AMAN 1979 (ATIVA!).

Min SEGOV 2: general de infantaria AMAN 1974.

Min Defesa 1: general de infantaria AMAN 1976.

Min Defesa 2: general de cavalaria AMAN 1978.

Min Defesa 3: general de infantaria AMAN 1980.

Min Minas e Energia: almirante EN 1979 (ATIVA!).

Min GSI: general de cavalaria AMAN 1969.

Min Saúde: general de intendência AMAN 1984 (ATIVA!).

“Ministro” secretário de Assuntos Estratégicos: almirante EN 1979 (ATIVA!).

Ministro da C&T: tenente-coronel FAB AFA anos 80.

Ministro Infraestrutura: major de engenharia AMAN anos 90.

Porta-voz presidente: general de cavalaria AMAN 1981 (ATIVA!).

Presidente EBC: general de infantaria AMAN 1978.

Presidente Itaipu 1: general de engenharia AMAN 1972.

Presidente Itaipu 2: general de infantaria 1972.

Presidente Correios: general de infantaria AMAN 1976.

Presidente Petrobras: general de engenharia AMAN 1972.

Presidente Estatal Hospitais Universitários: general de engenharia AMAN 1975.

Embaixador Israel: general de infantaria AMAN 1975.

Secretário Nacional Segurança Pública/Min Justiça: general de infantaria AMAN 1976.

Secretário Segurança Pública SP: general de artilharia AMAN 1976.

Presidente Postalis: general de infantaria AMAN 1977.

Chefe Escritório APEx nos EUA: general de artilharia AMAN 1977.

Secretário Saúde DF: general de infantaria AMAN 1976.

Presidente FINEP: general de engenheiro militar AMAN 1976.

Presidente SUDENE: general de infantaria AMAN 1977.

Presidente INCRA: general de infantaria AMAN 1978.

Presidente DOCAS BA: general de infantaria AMAN 1977.

Deputado Federal 1: general de infantaria AMAN 1976.

Deputado Federal 2: general de infantaria AMAN 1976.

 Milhares de oficiais e praças em funções DAS nos Ministérios e Autarquias

Milhares de tenentes e praças como bedéis das Escolas Cívico-Militares



Partido Militar II - A Serpente Neoliberal

(Parte I em  https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-i-o-ninho-da-serpente.html


Um partido político é uma entidade viva e dinâmica, organismo complexo e composto por valores e interesses muitas vezes antagônicos.
É possível entender uma inflexão dos alicerces ideológicos ocorrida após nossas forças em combate ficarem sob comando estrangeiro, incorporadas que foram ao V Exército estadunidense comandado por Mark W. Clark. Dependentes de suprimentos e de ordens diretas, nossas forças simplesmente incorporaram valores da civilização que lhes comandavam. A admiração cresceu, como toda admiração subalterna cresce e se incorpora. Mais ainda quando é elogiada e a FEB o foi.
O nacionalismo, valor até então herdado do Império e incorporado pela República, gradualmente passou a ser substituído pelo alinhamento. 
Pouca coisa é mais significativa do que a declaração dada pelo embaixador nos Estados Unidos designado pelo primeiro ditador ungido pelo golpe de 64, general febiano Castelo Branco.
"O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil", declarou ínclito Juracy Magalhães, general e embaixador designado. Viralatismo maior não creio registrada em nossa história. Mas é simbólica em caracterizar a transposição do orgulho nacionalista pela subordinação, até inveja, dos valores da sociedade estadunidense. Pudessem e fossem aceitos, trocariam de farda incontinenti.

Os Estados Unidos foram os principais beneficiados com a derrota do Eixo na IIGG. Inicialmente limitou-se a faturar fornecendo equipamentos bélicos às potências em guerra contra a Alemanha. Inglaterra, URSS, França, principalmente. Ingressou tardiamente em operações ativas, somente no apagar das luzes de 1941 com o ataque japonês em Pearl Harbor. Coincidentemente quando se começava a registrar a paralisia dos exércitos nazistas em Stalingrado e Kursk, sinalizando o refluxo da maré.
O Teatro Europeu já se exauria com três anos de guerra furiosa. O do Oriente, com o desgaste das potências coloniais Inglaterra e França e relativa incapacidade de sustentar as operações, contra um Japão bem preparado, porém com recursos muito limitados para uma guerra de longa duração.
Ou seja, entraram na boa. Por sorte, mas na boa. E com o privilégio geográfico de dois oceanos a separar-lhes dos principais inimigos.

A prosperidade econômica estadunidense no pós-guerra, seu domínio sobre o Ocidente e disputa com a URSS, outro polo vitorioso, trouxe impactos estruturais às Forças Armadas. Um modelo a ser seguido e perseguido, o progresso econômico, o dinheirismo, a admiração ao american way of life e seu liberalismo propagandeado nas Seleções do Readers Digest e das páginas coloridas da Time-Life. Hollywood e seus açucarados romances numa sociedade libertária idealizada e consumista. O combate ao malvado comunismo, não por ser malvado, mas por ser o polo concorrente.
O colonialismo cultural transmutou o então  nacionalismo no alinhamento subalterno.

E na inveja surda e admiração profunda que historicamente todas as sociedades dominadas nutrem por seus dominadores, os militares adotaram o modelo do liberalismo econômico como a plataforma a ser seguida.
E o dinheiro passou a ser o valor fundamental. Pecunia non olet, dito Vespasiano.

Com o advento das teses neoliberais pela dobradinha Tatcher/Reagan, o Partido Militar as adotou rapidamente como modelo ideológico a ser seguido.
A globalização como pressuposto de otimização de recursos por competência setorizada substituiu a visão anterior de domínio nacional dos meios como instrumento de segurança.
O Partido Militar sofreu assim mudança em seus princípios e valores.
O fortalecimento nacional passava antes para o fortalecimento dos associados.
O tempo das benesses e promiscuidade simbiótica com as corporações econômicas incorporou-se e lançou raízes programáticas no Partido Militar. 
Na lição de Hobbes, dinheiro é poder.
O neoliberalismo movido pelo capital sem pátria ou lei, incorporado ideologicamente pelo Diretório Central. 

(continua em https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-iii-o-bote-da-serpente.html


Partido Militar III - O Bote da Serpente

(Parte II em https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-ii-serpente-neoliberal.html


Com a eleição de Bolsonaro em 2018 o Partido Militar chegou ao poder. Como já visto, ocupou todos os espaços possíveis conforme o direcionamento do Diretório Central. Como todo partido o faz.
Também como todo partido, ocupou esses espaços com o objetivo duplo: perpetuar-se no poder e premiar seus correligionários.

A Constituição de 88, muito moderna para a época e até para os dias de hoje apesar das múltiplas alterações e desfigurações, introduziu uma visão do papel do Estado como instrumento de equilíbrio entre o poder econômico e o bem estar social. Numa função biunívoca. Essa visão contraria as teses neoliberais mais profundas, a de que o poder econômico é meritocrata e o bem estar social deve ser buscado individualmente. São visões contrapostas de sociedade.
O Partido Militar, como exposto e defendido anteriormente, perfilha-se as teses neoliberais. Sendo governo, portanto, naturalmente direcionou suas ações econômicas nessa direção. E sendo alinhado, subordinou politicamente o país a essas correntes.
Privatizações, preterimento de políticas sociais, projeto de extinção de alguns braços dessas políticas, continência à bandeira estadunidense, designação de um oficial general para o sub-comando da Força Sul estadunidense. Fim do SUS, da educação pública, estrangulamento das universidades, arrocho do salário mínimo, da previdência pública (as próprias foram generosamente favorecidas), privatizações, desprezo ambiental, à saúde pública, fomento à insensibilidade social e solidariedade coletiva, tudo são elementos dentre outros que buscavam o redesenho do Estado brasileiro pactuado em 88.
Esbarravam, porém, numa condição constitucional que sabiamente foi introduzida: Direitos Fundamentais, Capítulo V da CF, categorizado como Cláusula Pétrea.
O Diretório Central do Partido Militar concluiu que, na impossibilidade de alteração, o caminho seria destruir para reconstruir nos novos princípios e valores. Quais? Os adotados neoliberais.
Só a quebra institucional permitiria essa transformação, com a convocação posterior de nova Constituinte. O pulo do gato.

A instalação da Comissão Nacional da Verdade acendeu a luz de alerta. Nada agride mais ao vaidoso do que expor sua hipocrisia. O conhecimento pode transformar heróis em bandidos. Subterrâneos ocultos não devem ser revirados, zumbis podem brotar das flores em tumbas. Discursos desmentidos.
Coisas de quem é, mas não quer que ninguém saiba. Como canta o fado,"nem às paredes confesso".
Heróis são gente como a gente, gente comum a quem, circunstancialmente, fatos são substituídos por versões. "Eloí, Eloí, lamá sabactani?" 
O projeto de conquista do poder tomou forma. os dados lançados.
A escolha recaiu estrategicamente sobre um agente inescrupuloso, ambicioso, estúpido e obediente. Apto a quebrar as instituições, fomentar o caos, a desestruturação e criar o ambiente necessário ao redesenho do Brasil conforme as teses neoliberais do Partido Militar. Ah, essas Cláusulas Pétreas, uma antevisão de Ulysses, Cabral e José Ignácio? Seria tão mais fácil sem elas.
Daí pra frente a história recente e bem conhecida.
Prisão de Lula por um juiz corrompido. Eleição do fantoche em campanha de ódio verdadeira PsyOp que se prolongou após a posse com mobilizações anti- institucionais, contra os demais poderes instituídos. Ações desestruturantes.
A pandemia de fato atrapalhou os planos. Bem que foi tentada sua minimização, manter mobilizações. Foram atropelados pelos cadáveres do descaso, a turma do paulo Guedes foi paralisada, as instituições agiram e impediram que a pandemia fosse utilizada para a implosão do Estado. 
As declarações disruptivas do fantoche geraram reações inesperadas, precisaram comprar a manutenção do próprio mandato no Congresso. Ficou claro, precisariam de mais tempo. E só o fantoche reunia as condições de popularidade para sua obtenção. Era só questão de tempo.
Para seu azar, o STF, ou por justiça, ou por antevisão da destruição institucional programada, ou pelas duas coisas, resgatou Lula para o cenário político.

O Diretório Central pressentiu a ameaça capaz de subverter todo planejamento.
O segundo mandato era essencial, reeleger o fantoche era impositivo, ainda que não concluísse o mandato por seu passado imundo, sua família mafiosa, sua ambição desmedida, sua incapacidade antológica. Já tinha representado seu papel, o que se esperava dele, o comprometimento institucional, a quebra na confiança. Para o redesenho não tinha capacidade. O Diretório Central decidiu que um dos seus conduziria o processo da reconstrução. Bolsonaro reeleito não teria vida política longa. Sua cassação daria a legitimidade para que o Vice assumisse. Braga Netto, o general. Pronto para o redesenho nacional nos moldes neoliberais.

A campanha midiática foi forte, mas o primeiro mandato muito ruim. Nada foi realizado além da demolição institucional. O auto favorecimento financeiro dos membros do Partido Militar foi contrastante com um país que encolhia. escândalos de corrupção estrelada surgiam cá e lá. E Lula carregava dois pontos importantes: a memória de seus bons governos anteriores e a forte penetração popular.
Uma possibilidade de golpe surgiu no radar. Multidões já estavam mobilizadas, induzidas a pedir intervenções militares, o ódio às instituições democráticas prosperado, a PsyOp já havia surtido seus efeitos.
Haveria, claro, reação popular, porém dentro da própria sociedade os segmentos mais radicalizados e dispostos à ruptura estavam armados, fortemente armados. Conforme planejado. Muito pouco precisariam interferir com as próprias forças do Estado, apenas para encerrar a guera fratricida. Era um risco, mas que poderia ser corrido com razoável chance de sucesso.
Mas aí veio o recado do governo dos Estados Unidos transmitido por Lloyd Austin: não se atrevam, não haverá apoio dos Estados Unidos a um golpe no Brasil. Até o contrário, haverá represálias. Não, o governo Democrata não estava interessado na democracia no Brasil, pouco se lixava, mas apenas em que aliados de seu adversário Trump permanecessem à frente da maior potência latino-americana.
Bande de água fria. Os ânimos do Diretório Central abalaram-se. Cindiram-se entre os disruptivos entusiasmados e os disruptivos encabulados. 
Os primeiros, topando tudo incondicionalmente, os segundos, também, mas com condições.
O segundo mandato precisaria vir das urnas. Ou pela desmoralização delas.

Face à mudança brusca de cenário, o Diretório Central adotou duas ações.
A primeira, que se utilizassem todos os recursos públicos, pouco importando a moralidade, para obter apoio e votos.
A segunda, que se utilizassem todos os meios, morais ou não, legais ou não, para desmoralizar o processo eleitoral e os próprios adversários.
A primeira foi comprada no Congresso. Precatórios, auxílios a categorias, redução de ICMS, explosão do Bolsa Família e mudança de seus parâmetros e limites.
A segunda, bem, o TSE não topou. O ódio ao então presidente dessa Corte muito deriva daí.

Perdida a eleição e frustrados os meios de comprometê-la, restava o golpe puro e simples. Mobilização popular incrementada, acampamentos em quartéis, tentativas de assassinato, bagunça terrorista na diplomação (por isso foi antecipada de surpresa). Nada parecia estar dando resultado para impedir a posse.
Um atentado terrorista de alto impacto, talvez fosse uma condição para impedir a vinda de mandatários estrangeiros e comprometer a própria posse.
Bomba no aeroporto de Brasília para explodir na véspera do Natal. Última cartada, centenas, talvez milhares de mortos poderiam criar a comoção necessária para uma GLO e suspensão da posse daí a uma semana. Talvez até forjando o comprometimento dos vencedores da eleição.
A incompetência dos agentes e a rápida investigação da PCDF desmontou a ação desesperada. Os terroristas eram acampados e protegidos pelo próprio Exército. Que feio!
Posse inevitável. Espera esvaziar, todo mundo vai embora. Fim de semana seguinte, os atos terroristas de 8 de Janeiro. Última oportunidade para uma GLO e virada de mesa.
O último bote da serpente. 

(continua em  https://fregablog.blogspot.com/2025/03/partido-militar-iv-o-ocaso-da-serpente.html



domingo, março 09, 2025

Quinta-Coluna

O imbecil que nos desgovernou e que agora mostra-se em sua verdadeira vileza e traição ao Brasil, características aliás hereditárias pois se verificam também em suas crias daninhas, lança mais um boato. O Brasil está entregando terras à China e desenvolverá bomba atômica com tecnologia chinesa. 
Afirma o mandrião que até já alertou o governo Trump para que tomasse providências.

Por todos os deuses, que víbora asquerosa e de baixo nível, agora X9 de notícia falsa e como se os próprios USA não mantivessem ativa rede de informações.
Estejam certos, não foi a facada no intestino, atingindo o cérebro, que lhe lesou moral e mentalmente. Não, é imanente, está em seu DNA.
Como se vê na ação bananinhenta de lambe-botas, é imbecilidade e mau caratismo hereditário. Mutilação transmissível, não acidental.
Mas enfim, apregoa o desqualificado que o Brasil está alienando território nacional. Até onde sei, quem alienou foi ele, em Alcântara. Mas como foi a seus patrões e de boa parte da elite econômica do Brasil, deixa pra lá.

Então, três pontos:
1. Não está ocorrendo em absoluto alienação de terras vítimas de queimadas ilegais na Amazônia à China. Seria ilegal e a denúncia deveria ser feita à PGR, não a Trump. Mentira deslavada, como de costume, e já desmentida pelo site aosfatos.org.
https://www.aosfatos.org/noticias/lei-nao-permite-governo-entregue-terras-china/

 2. Há de fato um acordo para Cooperação Estratégica em Aplicações de Tecnologia Nuclear, o que é perfeitamente adequado quando se pretende retomar o conhecimento interrompido para fins pacíficos (e transferido a outros países, como no caso das centrífugas desenvolvidas no PNB e as de maior eficácia até então) e que ensejou a prisão do nosso maior cientista nessa área, o Alm Othon. Por juízes bolsonaristas, olha só.
3. O real motivo dessa indignação do pulha é ter-se assinado protocolo de intenções com a Telebrás sobre uso e aplicações de sistemas de satélite de baixa órbita, que põem a rede do Musk em cheque.
Tecnologia, aliás, que o Brasil já desenvolvia e estava em implantação há trinta anos, quando foi jogada fora pela privatidoação do Sistema Telebrás pelo traidor antecedente, um tal de FHC.
4. E para evitar a desinformação, coisa que os canalhas adoram e os decentes deploram, abaixo está a lista dos acordos firmados no G20. Trinta e sete.

De traidor em traidor, o Brasil fica estagnado geração após geração, eterno país do futuro.

Veja a lista completa dos acordos:

·         Declaração Conjunta entre a República Federativa do Brasil e a República Popular da China sobre a Formação Conjunta da Comunidade de Futuro Compartilhado China-Brasil por um Mundo mais Justo e um Planeta mais Sustentável;

·         Plano de Cooperação do Governo da República Federativa do Brasil e do Governo da República Popular da China para o estabelecimento de sinergias entre o Programa de Aceleração do Crescimento, o Plano Nova Indústria Brasil, o Plano de Transformação Ecológica, o Programa Rotas da Integração Sul-americana, e a Iniciativa Cinturão e Rota;

·         Memorando de Entendimento sobre o Fortalecimento da Cooperação para o Desenvolvimento Internacional entre a Agência Brasileira de Cooperação da República Federativa do Brasil e a Agência de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Bioeconomia entre o Ministério das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China;

·         Contrato de Captação entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o China Development Bank (CDB);

·         Protocolo de Requisitos Fitossanitários para Exportação de Uvas Frescas de Mesa do Brasil para a China entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração Geral de Aduanas da República Popular da China;

·         Protocolo sobre os Requisitos de Inspeção e Quarentena para a Exportação de Gergelim do Brasil para a China entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração Geral de Aduanas da República Popular da China;

·         Protocolo entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração Geral de Aduanas da República Popular da China para a Importação de Farinha de Peixe, Óleo de Peixe e outras Proteínas e Gorduras derivadas de Pescado para Alimentação Animal do Brasil para a China;

·         Protocolo entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração Geral de Aduanas da República Popular da China sobre Requisitos Fitossanitários para a Exportação de Sorgo do Brasil para a China;

·         Carta de Intenções entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração Estatal de Regulação de Mercados (SAMR) da República Popular da China para promover a cooperação técnica, científica e comercial no setor agrícola;

·         Memorando de Entendimento para o Intercâmbio e a Colaboração sobre Tecnologia e Regulação de Pesticidas entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da República Popular da China;

·         Мemorando de Entendimento entre o Ministério das Cidades da República Federativa do Brasil e o Ministério da Habitação e do Desenvolvimento Urbano-Rural da República Popular da China para o Fortalecimento da Cooperação na Área de Desenvolvimento Urbano;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da República Popular da China sobre Cooperação na Indústria Fotovoltaica;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e a Autoridade de Energia Atômica da China sobre Cooperação Estratégica em Aplicações de Tecnologia Nuclear;

·         Memorando de Entendimento sobre o Programa Sino-Brasileiro de Fonte de Luz Síncrotron entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e o Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento para o Aprimoramento da Cooperação no Desenvolvimento de Capacidades em Inteligência Artificial entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e o Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento sobre o Estabelecimento do Laboratório Conjunto em Mecanização e Inteligência Artificial para Agricultura Familiar entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação da República Federativa do Brasil e o Ministério da Ciência e Tecnologia da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento entre Telecomunicações Brasileiras S.A. Telebras, Empresa Vinculada ao Ministério das Comunicações do Brasil ("Telebras") e a Shanghai Spacesail Technologies Co., Ltd., Empresa Chinesa Cujo Objetivo Social é o Provimento de Serviços e Soluções de Telecomunicações via Satélite ("Spacesail");

·         Memorando de Entendimento sobre o Fortalecimento da Cooperação na Economia Digital entre o Ministério das Comunicações da República Federativa do Brasil e a Administração Nacional de Dados da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério da Cultura da República Federativa do Brasil e o China Media Group sobre Cooperação Audiovisual;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério da Cultura da República Federativa do Brasil e o China Film Archive;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério da Cultura da República Federativa do Brasil e a China Film Administration;

·         Carta de Intenções sobre a Promoção da Cooperação de Investimento para Desenvolvimento Sustentável entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços da República Federativa do Brasil e o Ministério do Comércio da República Popular da China;

·         Plano de Ação para Promoção do Investimento Industrial e Cooperação 2024-2025 entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento para Promoção da Cooperação Econômica e Comercial sobre Micro, Pequenas e Médias Empresas entre o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços da República Federativa do Brasil e o Ministério do Comércio da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento sobre Cooperação Esportiva entre o Ministério do Esporte da República Federativa do Brasil e a Administração Geral de Esporte da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Transformação Ecológica e Desenvolvimento Verde entre o Ministério da Fazenda da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento sobre o Fortalecimento do Intercâmbio e da Cooperação sobre Reforma e Desenvolvimento de Empresas Estatais e Governança Corporativa entre a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais da República Federativa do Brasil e a Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais do Conselho de Estado da República Popular da China;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas e Energia da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China sobre Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável da Mineração;

·         Plano de Ação entre o Ministério da Saúde da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional da Saúde da República Popular da China na área de Saúde para os anos 2024-2026;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério do Turismo da República Federativa do Brasil e o Ministério da Cultura e Turismo da República Popular da China para Fortalecer a Cooperação em Turismo;

·         Memorando de Entendimento entre o Ministério do Planejamento e Orçamento da República Federativa do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da República Popular da China para o Fortalecimento de Intercâmbio e Cooperação no âmbito do Desenvolvimento Econômico;

·         Memorando de Entendimento entre a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Federativa do Brasil e o Grupo de Mídia da China;

·         Acordo de Cooperação Técnica entre a Empresa Brasil de Comunicação S.A. - EBC - e China Media Group – CMG;

·         Memorando de Entendimento entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Tsinghua sobre o Programa de Resposta da Juventude Latino-Americana e Chinesa a Desafios Globais;

·         Memorando de Entendimento entre o Grupo de Mídia da China - CMG e a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA; e

·         Acordo de Cooperação entre a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a Administração Estatal para Regulação do Mercado (Administração Nacional de Normalização) da República Popular da China (SAMR/SAC).



 


quinta-feira, março 06, 2025

Nova (des)Ordem Mundial?

Muita gente boa está a estranhar as ações de Trump. Eu estou a entendê-las. 
Ou ao menos tentando.

O modelo europeu pós IIGG e, mais notadamente, pós 1991, traz em si duas características: a russofobia e a dependência dos Estados Unidos.

A russofobia tem raízes históricas, étnicas. Seria melhor definida como eslavofobia em sua origem. Foi muito potencializada pelo risco que a Revolução de 1917 criou ao capitalismo, lançando a pá de cal ao resquício do feudalismo colonial.

O retrato da Europa no mundo monopolar é de alinhamento incondicional e dependência direta. Abdicou de sua soberania por uma pseudo soberania de grupo, subordinada e agente de operações da potência hegemônica. Para tanto recebia subsídios, financiamentos e armamentos para se estabelecer como barreira e preservação da suserania europeia. E apoio político.
Trump está a demolir essa ordem estabelecida.

Assumindo uma potência em decadência – como historicamente ocorreu com todas as potências que se acomodaram em altos padrões de vida a custa de exércitos fortes para sequestro de riquezas alheias – teve a percepção de que o trono está séria e irremediavelmente ameaçado.
Nesses casos a única saída é a inversão da lógica estabelecida, demolir altares de barro.

Dependência europeia? Livra-se dela, por desnecessidade.
Corta os subsídios para defesa de grupo, ele próprio incapaz de sustentar-se dentro dos parâmetros anteriores. Ainda tentará mantê-los a custa de endividamento. Comprará armamentos, cada vez mais caros. De quem? Ora, dos próprios Estados Unidos, de quem os recebia de graça. Fica muito cara a transição tecnológica.
Trump, além de manter a máquina bélica produzindo, ainda garantirá o recebimento de juros pelo financiamento. Juros que serão cada vez maiores pela dependência.
Duplo ganho.

Sabe também, como comerciante, que a moeda é uma relação de confiança e que o dólar é cada vez menos confiável.
E aí entra o conceito capitalista raiz.
Os elementos somente têm valor a partir de sua condição de gerar lucros, superávits, ganhos e poder. Inclusive gente, só mais um insumo. 

Valores humanistas não têm espaço no capitalismo.

Quem contribui para o fortalecimento das corporações que sustentam o Estado, merece ser preservado.
Quem de alguma forma é deficitário nessa relação, demanda mais da sociedade do que contribui para ela, é tratado como Corrente de Foucault, um fator entrópico que, a bem da própria eficiência sistêmica, precisa ser minimizado.
No caso, abandonado, ignorado, desprezado.
Retirar qualquer vestígio de rede de proteção social passa a ser compreensível dentro desses parâmetros.
Que se explodam, diria a personagem Justo Veríssimo, do genial Chico.

Trump sabe que o dólar derrete por irrecuperável falta de confiança. Pois apressará esse derretimento na medida em que provoca inflação com tarifas pesadas.
A inflação do dólar resulta de fato na redução da dívida em seu valor real. Essa perda será pregada nas costas dos credores, ou seja, do resto do mundo. Mas precisa ter sua velocidade administrada e aí entram as ameaças à substituição do padrão dólar nas transações internacionais.
O açodamento passa a ser uma ameaça crítica. O castelo de cartas precisa se sustentar algum tempo mais. Os Estados Unidos precisam pagar suas importações, se o dólar deixar de ser aceito por derretimento de confiança haverá sérios problemas internos.
Claro que a saída está nas criptomoedas. Como de bobo não tem nada, já criou a sua, o que lhe rendeu alguns milhões a mais.

A Rússia é o maior país em extensão territorial.
Verdade, nem toda área é saudavelmente habitável, mas a população também não é tão grande assim. Tem um povo disciplinado e uma capacidade tecnológica e de armamentos totalmente independente dos Estados Unidos. Em alguns aspectos até superior.
Interessa à Rússia ocupar mais territórios na Europa? Evidentemente que não. Interessa-lhe sim a segurança contra a russofobia e o livre comércio. É neste campo é que ocorrem as disputas com os Estados Unidos. Que já tramou algumas vezes a destruição da Rússia, não pela russofobia europeia, mas por simples interesses geocomerciais e políticos. Apenas usou e abusou da Europa como agente de operações.

Acontece que surgiu nos últimos cinquenta anos outro ator de amplitude global. Hermético, infenso às ações europeias, imune às ações de aliados orientais, como Japão, Coréia, Austrália etc
Esse ator junta-se aos russos na disputa de mercados globais. Faz dobradinha complementar, ameaça as relações pré-estabelecidas, rompe o equilíbrio.

Trump tenta reduzir a parceria que lhe sabe hostil, colocar grãos de areia na engrenagem, isolar no possível esse novo ator.
Tenta barrar-lhe o crescimento, acena com vantagens e promessa de amizade eterna aos russos usando até a Ucrânia como moeda de troca, desde que ganhe também seu quinhão. decepcionando seus fantoches europeus que ficaram com cara de cachorro que lambeu graxa no escuro pensando que era carne.

Sim, Trump está quebrando todos os paradigmas, mas não pode ser comparado a um elefante em loja de cristais. É um pirata, bucaneiro, psicopata até, mas não é burro, sabe onde quer chegar, onde pisar. Não tem escrúpulos, despreza boas intenções, emoções e outros desperdícios transcendentes.

Seu sucesso está diretamente vinculado a três fatores:
1. Os fantoches europeus continuarem focados na insensatez russofóbica.
2. Enfraquecer a aliança estratégica sino-russa
3. Usar toda a força remanescente para dar exemplos de sua ira contra os mais frágeis que se insubordinem.

Terá sucesso? 
Torço para que não. 
 o tempo dirá.

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quinta-feira, outubro 31, 2024

Camaralha

Há um evidente movimento especulativo com as contas nacionais. E não é a economia, estúpido!!!

O dólar explodindo a partir de boatos de instabilidade e os arautos a exigir corte de gastos e difundindo um medo de hiperinflação.
Dizem esses filhos de uma ronca-e-fuça que o Brasil está crescendo além de sua capacidade; que a taxa de desemprego está muito baixa. E tome boataria e especulação.
Como o BC utiliza principalmente o Boletim Focus para assumir a expectativa de inflação e esse boletim resulta da consulta anônima a múltiplos agentes do mercado, melhor dizendo, agentes da especulação, a cada percentil de aumento recursos públicos são drenados exatamente para os bolsos desses especuladores.
Evidentemente que há uma apropriação direta do resultado fiscal da taxa de crescimento da economia.
Simplificando. O aumento da arrecadação derivada do crescimento da economia é desviado para os rendimentos da especulação.
Se fosse só isso já seria um crime de lesa-pátria. Mas não é só. Tem mais.

Essa camaralha (camarilha canalha) encontra no presidente do BC o eco de sua voz. O Sr. Campos Neto não perde oportunidade de demonizar o crescimento e a taxa de juros. Aqui e no exterior, predizendo fantasmas do caos, sugerindo a desorganização e descontrole de contas públicas, receitando o de sempre: corte de despesas.
Não é a economia, estúpido!!!

Lula venceu uma eleição que só ele venceria por menos de dois por cento de diferença. Para a camaralha foi um balde de água fria, pois apostava na privatização do Estado e os ganhos absurdos que teria de uma vez só – analistas estimam que a da Sabesp sozinha rendeu cinco bilhões no mesmo dia aos tais adquirentes.
De fato, o atual governo não lhes interessa e menos ainda o risco de repetir a dose a partir de 2027.

Há três dimensões onde a oposição navega. A política. A econômica. A Comunicação.

O atual governo tem como programas:
 a distribuição de renda, com foco na redução de desigualdades, na habitação popular, no combate à fome;
o aumento das oportunidades de acesso à educação e formação profissional;
o aumento do acesso à saúde pública, seja no atendimento básico, no especializado, nos medicamentos.

A consecução desses objetivos compromete a continuidade da política neoliberal e consequente drenagem de recursos do público para o privado. Por isso precisa ser combatida.
Aí está a raiz dos ataques ao crescimento, à baixa taxa de desemprego, aos programas sociais.
Por isso exigem o corte de gastos, pois bem sabem que há mínimo espaço para que isso aconteça sem inviabilizar programas fundamentais do governo e, com isso, promover o desgaste e perda de confiança do principal segmento de seu eleitorado.
Estão a visar 2026. Por isso o papel da comunicação.
Falseando dados com meias verdades e infligindo medos, corroem a imagem do governo, mascaram informações, massificam que a economia está péssima, um descalabro, um descontrole.
Claro que, para não criar uma dissonância cognitiva, esse discurso precisa se amparar, ainda que minimamente, na realidade. Se aumentar o desemprego, começa a fazer sentido. Se o aumento do dólar criar impactos inflacionários, se as taxas de juros já estratosféricas aumentarem ainda mais e tudo isso junto e misturado for massificado, naturalmente – e as pesquisas mostram isso – o governo não conquista e ainda perde aprovação e apoio popular.
Tudo o que querem. E o governo nesses dois anos ainda não acertou a mão na comunicação, talvez o único ponto realmente fraco e incompetente, seu calcanhar-de-aquiles.

Com isso é possível perceber como o presidente do Banco Central é mero porta-voz político, os agentes da especulação também. E algumas instituições.
A lerdeza na denúncia dos líderes golpistas, Bolsonaro inclusive, também é ato político, gerador de instabilidades e terreno fértil para a derrocada do atual governo.
Repito.
Não é a economia. É a política, estúpido!!!
Há que ter coragem para o risco e garra no combate.

O governo tem uma escolha. Neutralizar a camaralha, ou derreter politicamente. Ambas alternativas têm risco.
O do derretimento é óbvio. Retorno da extrema-direita e o sucateamento nacional, sendo o Brasil definitivamente caracterizado como fazenda, mina e diversão para adultos padrão Jordy para o mundo.
Com os recursos concentrados e dominados pelo capital internacional, que se lixem os brasileiros.
O da neutralização é possível, mas exige coragem.
Trucar. Aumenta o dólar, vende reservas, baixou, compra. Com agilidade. O Brasil tem cacife pra trucar a camaralha. Vai levar porrada na imprensa, em boa parte já controlada acionariamente pelos próprios agentes da especulação. Vai levar porrada no Congresso, comunique-se diretamente com a população não com ar professoral de nunca antes nesse país, mas com acusações e nome aos bois se necessário. Comunique-se!!!
Subiu o dólar, truca de novo, vende até baixar, compra na baixa. Mas pra isso é necessário um presidente do BC que não seja agente infiltrado. Mais dois meses de angústia.
Para isso o presidente tem que botar a cara a tapa, ocupar espaços oficiais e alternativos, explicar dando nome aos bois à população. Pode sofrer um impedimento, talvez possa contar com o apoio nas ruas. Ou não.
Seja como for, é melhor um fim horroroso do que um horror sem fim. 

quarta-feira, junho 05, 2024

Terceira Guerra Mundial ou Armagedom

Em toda a história registrada da humanidade, impérios surgem e desaparecem, os decadentes são substituídos por emergentes numa dança de cadeiras geopolítica.
Por que caem os impérios?
Caem invariavelmente quando seus princípios são corrompidos ou quando superados na ambientação à evolução tecnológica.
O Brasil chegou a ser um império em ascensão em dois momentos. Durante o reinado de Pedro II, como potência regional e, por mais que repudiemos a ditadura de 64 e os malefícios que causou, durante ela própria em seus eixos de desenvolvimento nacional, fomento à pesquisa tecnológica, à industrialização e  produção local e pelo  controle do Estado sobre a infraestrutura e exploração de riquezas naturais.
A ponto dos chineses, na década de 70 e logo após a retomadas das relações diplomáticas, virem ao Brasil para estudar os mecanismos que estávamos adotando para proteção da produção local e do mercado interno. Então, naquela época se juntasse toda a capacidade produtiva do oeste asiático, incluindo a China e excluindo o Japão, era menor do que a do Brasil.
Triste inversão, olhando-se de hoje para o passado.
Inversão essa que se deve diretamente à conjugação de idiotas com espertalhões.
O neoliberalismo tendo como gurus Friedman e Hayek e propagandistas Tatcher e Reagan, fez brilhar os olhos dos espertalhões locais, que vislumbraram nessas teorias uma capacidade de enriquecimento e concentração de meios de produção, ainda que a custa do empobrecimento do Estado.
Também idiotas se encantaram com o canto da sereia, nem se perceberam, como ainda não se percebem no idiotismo transmitido em gerações, que estão sendo escravizados com o discurso da liberdade econômica.
A ponto de funcionários públicos de carreira, de terno, toga ou farda e que não detêm os meios de produção, defenderem o liberalismo do capital sem pátria ou lei como a panacéia do resgate humano.

Voltando ao mundo real. 
Esse mesmo neoliberalismo, que paradoxalmente desnacionalizou os meios de produção e privilegiou a concentração dos recursos e a especulação à produção, promoveu a decadência dos Estados Unidos.
Em sentido inverso caminhou a China, com seu capitalismo de Estado.
A decadência do Ocidente propiciou a ascendência do Oriente.
Falta a pá de cal e essa virá com o Armagedom. Ou não, há uma chance real de ser evitado o cataclismo nuclear.
Convido-lhes a viajar comigo no terreno das abstrações prospectivas.

No andar da carruagem o embate Estados Unidos e China parece caminhar para
ocorrer entre os próximos dois e cinco anos.
A guerra da Ucrânia não tem outro objetivo além de desgastar os estoques russos, de armamentos e combatentes, pois a aliança estratégica entre a Federação Russa e a China foi consolidada na administração Biden e não há muita chance de haver quebra dessa ligação. A Rússia é a ponta de lança do Oriente na Europa. Aliada ao Ocidente levaria a China a enfrentar uma guerra de duas frentes. Ou de três, em cerco pelo sudoeste, leste e noroeste.
O genocídio sionista tem por objetivo a militarização da Faixa de Gaza, o acesso do sudoeste asiático ao Mediterrâneo e o controle do acesso aos campos petrolíferos. Sempre lembrando que o ataque de Pearl Harbor somente aconteceu após o impedimento do acesso japonês ao petróleo, e o consequente estrangulamento econômico.
A China não é autossuficiente em petróleo e nem em muitos recursos estratégicos. O boicote ao acesso comprometeria sua capacidade de reação.
O império decadente está a escolher o momento do embate e o desencadeará no momento em que avalie ter a máxima força. O gatilho será Taiwan, sabido que a China não admitirá ser território hostil em suas costas, em pleno Mar da China.
Esse cenário de guerra independe da eleição de Trump ou Biden em situação de normalidade democrática.
Isso significaria ser essa guerra inevitável?
Não, apenas provável, há uma chance de não acontecer e essa chance é exatamente uma derrota de Trump, por suas características pessoais.

O arruaceiro alaranjado têm viés tirânico, de inconformado jogador de poker em saloon de faroeste. Péssimo perdedor.
Em caso de derrota, pode estimular seus sequazes a promover desordem tamanha que resulte numa guerra civil.
Uma guerra civil nos Estados Unidos pode ser a oportunidade única de evitar, ou ao menos retardar, a hecatombe nuclear.
Muita viagem? Talvez.