segunda-feira, junho 09, 2014

O Chute da Copa

Um jogo de futebol  só existe com chutes na bola. Uma Copa do Mundo, com 31 jogos, o que pressupõe milhares de chutes.
Muita gente tentou chutar a Copa. Não vai ter Copa, diziam uns. Aplaudiam outros, ambos por motivação eleitoral.
Mas esta Copa de 2014, ainda que surfando na onda de protestos mundiais, trará um chute importante, talvez o mais importante da história conhecida da humanidade. O chute de um paraplégico, que dará início às solenidades de abertura.

O projeto Andar de Novo, liderado pelo professor Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro, resulta no desenvolvimento de uma vestimenta robótica que permita a sustentação corporal e obedeça aos impulsos cerebrais de seu portador. É um projeto ambicioso e que representa, antes de tudo, o passo inicial de libertação de tantos, hoje aprisionados a cadeiras de rodas.
Pessoas com danos graves em sua medula espinhal e que perderam a capacidade de transmitir os comandos cerebrais para a execução pelas pernas de suas vontades. A interface cérebro-máquina desenvolvida é capaz de promover a decodificação da atividade cerebral e convertê-la em sinais digitais para ser processada pelo exoesqueleto. Trata-se de um robô-vestimenta com o atributo de, além de sustentar o corpo, executar os movimentos de acordo com os comandos neurais.
No dia 12, às 17 horas, um brasileiro paraplégico se levantará de sua cadeira de rodas, caminhará até a bola e dará o chute inicial na Arena Corinthians. Vai ser difícil segurar as lágrimas neste que é o primeiro passo da libertação.

Palmas para a ciência dedicada não à destruição e guerras, mas à humanidade.
Se de nada mais valesse a Copa, ela já estaria ganha e justificada.

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