terça-feira, março 25, 2014

Escarro no Prato

Há falhas de caráter das mais diversas. Nenhuma, porém, maior do que a ingratidão. Essa compromete ao ponto da despersonalização, da perda de identidade, do repúdio ao ser. O vira-latas completo.

O JB reproduziu um artigo publicado na Fifa Weekly, Brasil para Iniciantes. Poucas novidades para nós, algumas de nossas mazelas ou características estão ali retratadas, aumentadas muitas vezes na retórica jocosa. Nada contra, poderíamos também relacionar facilmente mazelas e características dessa organização notadamente corrupta, bem como de qualquer país do mundo.
http://www.jb.com.br/opiniao/noticias/2014/03/24/o-jornal-do-brasil-e-a-fifa/
Porém, para minha surpresa, li alguns comentários que causam náusea, de tão vagabundos. E escritos por brasileiros.
Pior, os mais agressivos assinados com sobrenomes estrangeiros, denunciando claramente tratarem-se de descendentes de imigrantes recentes, cuja origem talvez não passe da segunda geração de brasileiros.
E a primeira ingratidão é com sua origem.
Seus ascendentes vieram da Europa e Ásia em busca de melhores condições de vida, em sua maioria. Muitos conseguiram aqui o que tinham dificuldade em seus países. Outros tantos, fugindo de guerras e destruições, não poucos com o rabo entre as pernas, por uma questão de sobrevivência mesmo. Não deve ter sido uma decisão simples, nunca é fácil trocar sua terra de origem por uma adotada.
Seus filhos, brasileiros, integraram-se e interagiram culturalmente com a sociedade que aqui encontraram. Ajudaram em sua transformação, modificaram costumes. Foram recebidos de braços abertos e, salvo um pequeno período durante a segunda guerra em que tiveram alguns imigrantes bens indisponíveis, todos mereceram o carinho, a receptividade, os braços abertos, a solidariedade do que somos. Pouco importou se eram italianos, portugueses, poloneses, alemães, espanhóis ou ucranianos. Por isso, a primeira ingratidão por parte de alguns de seus filhos é com sua memória.
A segunda ingratidão é exatamente com a sociedade que recebeu seus pais e que agora é estigmatizada com o ódio incontido, a frustração emocional, a inferioridade assumida de quem, por obrigação, deveria contribuir com o aprimoramento de nossa nacionalidade. Pois que aqui, nessa terra em que escarram sua tuberculose de alma, são tão brasileiros como qualquer outro. Mas em sua covardia consideram-se apátridas.
Somente cafajestes cospem no prato que comeram. Consideram que a Europa é o paraíso? Façam o caminho de volta que seus pais, avós ou bisavós fizeram. Enfrentem as crises em Portugal, Itália, Grécia e Espanha. O xenofobismo crescente na França, a arrogância germânica, A tirania russa e os vendilhões da Ucrânia. Se é o paraíso, só o Atlântico os separa dele. Com os recursos que amealharam, alguns em decorrência de seus estudos em universidades públicas, não terão dificuldade em pagar suas passagens. Não deixarão saudade de sua má-caratice.

Os mais cruéis guardas dos campos de concentração eram judeus que renegavam sua origem. Os maiores homofóbicos são homossexuais enrustidos. Os maiores traidores encontram-se no combate feroz à sua Pátria, em mecanismo como se lhes lavasse o fedor que sentem em si.
Não tenho dificuldade pessoal na convivência com opiniões contrárias; até as aprecio. Mas não aceito, me recuso a conviver com brasileiros que sentem prazer orgásmico de considerar o Brasil o pior lugar do mundo, o mais corrupto e degradado, o mais vagabundo, inerte e preguiçoso e nem generalizar o brasileiro como escória, colocando-se à parte desse todo, como se ungido por sua origem "aristocrática".
Me recuso a conviver com gente desse quilate. Meu limite da tolerância é meu País.

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