quarta-feira, março 05, 2014

Humanuvírus

Nosso planeta azul dá os sinais de reação orgânica à infecção virótica que nós, os humanos, lhe acometemos. Sim, porque a mera quantidade de seres humanos, por si e por suas necessidades vitais, é maior do que a capacidade de suporte terreno. São os sinais que a Terra nos dá, independente de qualquer juízo de valor ou de providências que tomemos.
É simples.

Os gelos, principalmente os do Ártico estão derretendo. A estimativa mais atual é que em 50/60 anos não exista mais gelo no Ártico e esteja substancialmente reduzido na Antártida. E a velocidade de derretimento é crescente.
Para cada quilo de gelo, são absorvidas 500 cal para o aumento de 1 grau centígrado, em temperaturas abaixo de zero grau.
Para fundir-se, o mesmo quilo de gelo necessita de 80 Kcal, 160 vezes mais, mantendo a mesma temperatura de zero grau.
A partir daí esse mesmo quilo, só que de água, exige somente 1 Kcal para aumentar o mesmo grau de temperatura.
A conta passa a ser simples. A partir do derretimento, a temperatura dos oceanos subirá mais rapidamente do que o até agora. Como se desligado um freezer.
Há a redução do albedo, o que aumenta ainda mais a absorção do calor do sol. Mas esse ainda é o efeito menor.

Os oceanos, já com o nível ligeiramente aumentado pelo derretimento, aquecerão. E, em aquecendo, dilatarão, aumentarão seu volume invadindo terras e fronteiras. Tudo bem, mudarão os litorais, continentes serão redesenhados. mas isso ainda é pouco para combater a infecção virótica.
Oceanos aquecidos  mudarão as correntes de convecção, tornando-se menos vivos. Todos sabemos que águas quentes são menos piscosas eque o equilíbrio térmico está exatamente na circulação vertical da água, decorrente de sua aproximação com o gelo dos pólos gerando a circulação global. Essas correntes serão bastante atenuadas.
O esses fatores aumentarão a temperatura da atmosfera, mas também aumentará em muito a evaporação nos oceanos, e isso traz chuvas. Diferentes dos regimes e regiões atuais, mas provavelmente chuvas intensas, tempestuosas. Chuvas que correm em enxurradas e que secam rapidamente numa atmosfera aquecida. Não são chuvas adequadas à agricultura e produção de alimentos. A fome, e aí sim, a infecção será combatida com a redução majoritária da vida até níveis inferiores à capacidade de suporte.

E isso tudo, pelo visto, não ocorrerá em prazo tão longo como os que os modelos meteorológicos e geofísicos indicam. Talvez em 100 anos, já na geração de nossos netos, seja uma realidade.
Podemos fazer alguma coisa? Não sei, mas penso até que não. Não é tempo mais de firulas nem de paliativos, por inúteis nesse estado de coisas. A guerra de extermínio não será preventiva, mas desesperada pela posse dos últimos campos, das últimas fontes, da última comida disponível. Dos humanovírus poderão restar alguns, novos adões e evas para recomeço, transformando a infecção de aguda em crônica. Ou não.

Mas o certo é que a Terra sobreviverá, curada da infecção que lhe causamos. E se recomporá no adorável planeta azul por alguns bilhões de anos a mais. Talvez depois de uma nova era glacial, num servo-mecanismo de equilíbrio progressivo. Talvez.


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