segunda-feira, agosto 22, 2011

No Lado de Baixo... O Gerente (Cap VII - Epílogo)

Sim, o sucessor foi escolhido nos requisitos institucionais. No panorama das composições. No ambiente de continuidade. Mas, ainda não havia caído a ficha de que existia um plano de longo prazo. Não perceberam o engodo, o ovo da serpente.

Passadas as alegrias, conchavos e bate-palmas nas primeiras horas, o gerente começou a manifestar-se. Determinou um profundo corte orçamentário, que afetou diretamente a execução das emendas aprovadas. Primeiro choque. A reação não demorou. Defenestraram-lhe auxiliar próximo, um dos articuladores mais hábeis e participante da formulação do plano central. Mostraram-lhe sua força, seu poder. O gerente assimilou o golpe, mas, no tabuleiro desse xadrez, preparou o cheque.

E o cheque não era o costumeiro. Lembram dos levantamentos dos mal-feitos? Bem, limitadamente, nos limites de danos suportáveis sem rupturas, começaram a surgir, como demonstração de força. Baixas ocorreram nas hostes dos cooptados. O gerente demonstrou que tem suas armas, suas unhas pintadas e afiadas, que não foge ao combate. Recuo dos adversários, pelo menos até entenderem o novo cenário e, se possível, saberem se o arsenal do gerente é grande o suficiente. Jogo de blefes.

Blefes que não se limitam à tradicional polarização partidária de situação e oposição. Por ter gerado novo ambiente, inédito, há uma confusão no ar. Caciques partidários perdem ascendência sobre congressistas. Deixa de haver um governo sustentado por um partido ou uma coligação partidária e a polarização se forma agora entre os que apóiam esse novo estilo de gestão e os que o repudiam. Em verdade, sobre a maioria que o repudiar, cairá a pecha de que o fazem porque se beneficiavam pessoalmente do velho estilo de política. Estarão politicamente comprometidos em sua imagem, porque alinhados com o politicamente incorreto, convivendo em bloco com congressistas de imagem manchada por escândalos.

Nesse cenário, não é desprezível o fogo partidário, teoricamente amigo, assim como não é impossível a defesa do modelo, originada dentro das fileiras inimigas. É o festival implantado dos quintas-colunas. De lado a lado. De um lado quem não tem a temer, ou acha que não tem. Do outro, os que têm e os que ideologicamente farão oposição, mesmo que nada temam. Independentemente de partidos e lideranças de bancadas. Não é improvável uma reacomodação partidária, embrião de futura reforma política.

Fará isso também parte do plano? É possível, faz sentido. E este é o momento rico que o país, aquele surrealista, vive. Teria caído na real?

O fato é que os tradicionais atores estão aturdidos, Eles nunca acreditaram em um plano de prazo longo, seus horizontes sempre foram curtos, ao alcance de sua visão míope de que sempre poderiam confundir seus interesses com os nacionais, sem ônus. Agora por medo, terão que se contentar com os pagamentos já recebidos, e quitá-los com atos, ou votos. Única forma de serem preservados da vala-comum. Chantagem? Sim, mas por que não fazer o chantagista provar de seu próprio veneno? Ditadura? Sim, métodos ditatoriais por usar meios públicos para constranger. Mas, constranger ladrão é crime? São muitos “mas” pra uma cabeça tão limitada quanto a minha.

E os próximos passos do plano, onde querem chegar? Sei lá, também ultrapassa meu QI. Mas tomara que resultem em um novo país, mais responsável, mais solidário, mais consciente de si mesmo e do papel do poder público a serviço do público, não servindo-se dele. Quem viver, verá.

Bem, isso tudo é ilação, uma criação mental. Mas bem que poderia ser verdade.

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home