segunda-feira, agosto 22, 2011

No Lado de Baixo do Equador

Nos próximos dias, na razão de um por dia, publicarei capítulos de uma história vivida ou imaginada. É a mesma coisa. Serão 7 capítulos, sendo, além da introdução de hoje, A Escolha, A Caminhada, O Político I, O Mensalão, O Político II, O Gerente I.

Cap I - No Lado de Baixo do Equador

Sempre foi um país interessante. Com complexo de vira-lata, em cáustica definição de conhecido jornalista. Um país de planos efêmeros, desde que inventaram uma república mal copiada de um vizinho mais ao norte. O curto prazo, ontem; o longo, a semana que vem.

Um país do camuflado, do jeitinho, do levar vantagem, nesta exata escala de progressão. Um país infraequatorial, onde o pecado, se existe, é relativo. Um país que institucionalizou a corrupção, quando construiu uma constituição de fundamentos parlamentaristas num regime presidencialista. Um país rico, mas pobre de espírito. Um país de enormes contrastes.

Um país de paradoxos, onde dos mais admirados políticos foi um ditador. De revoluções sucessivas, promovidas por arrogantes donos de verdade, a desmancharem com os pés o que construíam com as mãos.

Um país que gosta de fingir-se revoltado contra roubalheira, mas à boca pequena, nas rodinhas de chopp ou no anonimato da internet. Um país que adora ser tutelado por um Estado opressivo, que lhe regule em lei a rotina diária. Que quer lei para tudo, talvez na motivação de ter sempre uma nova lei para violar. Um país que aceita como verdadeiras as avaliações de tribunais de faz-de-contas, dirigido por políticos, sem qualificação técnica e de idoneidade discutível.

Sem dúvida, um país interessante. Como interessantes foram seus sucessivos governantes, sempre jogando pra platéia, especialmente a sentada nas poltronas de Wall Street ou da City.

Mas aí surgiu uma turma esquisita. Uma juventude disposta a levar suas crenças a todos os sacrifícios, até o de sua vida. Claro que foram usados por espertalhões que se valiam de seus sonhos e indignações juvenis. Acontece que os espertalhões já morreram e aqueles jovens, ficaram velhos. O inexorável tempo, que a todos presenteia com a velhice. Menos aos que morrem antes.

E resolveram, em algum momento, que havia chegado a hora de transformar sua indignação do passado em realizações no futuro. Por incrível que pareça, gente que ainda acreditava em seu surrealista país. E formularam e resolveram implementar, talvez, o primeiro plano nacional de longo prazo.

1 Comments:

Anonymous Marco Almeida said...

Excelente texto Frega. Estou curioso para ler o segundo capitulo da verdadeira "novela" brasileira.

10:18 AM  

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