terça-feira, julho 12, 2011

Lobos

LUCIANA COBUCCI
Direto de Brasília

"O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desistiu oficialmente de participar da operação de fusão entre os grupos Pão de Açúcar e Carrefour. Em nota divulgada nesta terça-feira, o BNDES cancelou a participação, que chegaria a R$ 3,8 bilhões, na operação, e justificou a decisão por "não atendimento às condições estabelecidas" Fonte:Site Terra

A diretoria do BNDES deve estar respirando aliviada. Arrumou uma saída honrosa para o lobby que levou à declaração de financiamento da (con)fusão dos grupos Pão de Açúcar e Carrefour. A desculpa seria evitar a desnacionalização do varejo no Brasil.

Nada mais falacioso. Mais falso que títulos da dívida americana.

O Diniz já havia vendido parte substancial do capital para o grupo Cassino, francês, com a promessa de entregar-lhes a gestão em 2012. Do tipo daquele cara que é capaz de vender a mãe, mas não entrega.

Com toda a aparência nacionalista, com bandeirinha do Brasil e o orgulho de ser brasileiro, acredito que esteja pouco se lixando com isso. A ética nos negócios também é questionável.
Pensei que era só contra os pequenos. Não é. O affair Cassino mostra que a gana predatória ignora o tamanho da presa.

O Grupo Pão de Açúcar retém parcela de pagamentos devidos a fornecedores a título de desconto financeiro. Nunca vi um comprovante dessas retenções nem emissão dos correspondentes documentos fiscais. Pura e simplesmente, retém os valores e pronto, mesmo cumprido o prazo ajustado de 55 dias para liquidação das faturas.
Essa é a ética nos negócios do grupo com os pequenos. Com os grandes, parece que não é muito mais transparente, a acreditar no presidente do grupo Cassino, que também não deve ser de brincadeira.

É lobo comendo lobo. E o BNDES ia entrar nessa furada.

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