segunda-feira, agosto 22, 2011

Do Lado de Baixo... O Conciliador -parte 1 (Cap IV)


Os estrategistas sabiam as ameaças que causavam, origem das próprias ameaças que sofriam. Em tal amplitude que poderiam inclusive inviabilizar a etapa. Haveria que ser aplacado o pavor dos donatários quanto a seu patrimônio, capaz de comprometer a capacidade econômica do mandato. Haveria que ser administrado o interesse de seus representantes, alimentados para assegurar a cristalização da estrutura de poder e capazes de levar à inviabilização do plano.

Avalizando a integridade dos ganhos e lucros, uma figura confiável, do meio. Alguém que velasse por seus interesses no centro nevrálgico do dinheiro, no banco central. Tranquilizaria raposas, daqui e de lá.

Outras ameaças, externas, precisavam ser administradas. Atingiam diretamente nossa capacidade agrícola, pela ameaça às safras internacionais; a nossa capacidade de exploração de ouro e de metais raros, capaz de subverter o mercado internacional; a ocupação por brasileiros da última área habitável no mundo, a amazônia. Um ministro do meio-ambiente dócil e comprometido com tais teses aplacaria pressões internacionais.

Para acalmar os representantes, firmemente instalados e enraizados no jogo de influências políticas, a linguagem que entendiam, por hábito, e praticavam, por conveniência. Esse instrumento seria utilizado pelos representantes no momento oportuno, como forma de interromper institucionalmente o plano. Chamaram-lhe mensalão, mas merece capítulo à parte.

Neutralizadas as reações mais ameaçadoras ao plano, foram perseguidas algumas linhas de ação.

Campo Assistencial

- aplacar a fome da população em situação de miséria;

- apoiar grupamentos marginalizados, como catadores e moradores de rua;

- apoiar movimentos marginais, como forma de manter a sensação de ameaça, como MST;

Campo Sócio-econômico

- promover o crescimento da classe média pela inclusão de baixo para cima, complementarmente congelando as camadas superiores pré-existentes;

- incrementar o empreendedorismo, com linhas de crédito oficiais.

Campo Macroeconômico

- liquidar dívidas que implicavam na capacidade de geração de crises oportunistas como elemento de interferência política, como FMI;

- promover retomada de atividades econômicas com efeito de capacitação de infraestrutura ou de forte geração de empregos, como a indústria naval e construção civil;

- promover o desenvolvimento agroindustrial.

Campo Psicossocial

- promover resgate de orgulho nacional, configurado por instrumentos como o chavão nunca antes nesse país e eventos como olimpíada e copa do mundo.

- materializar no dia a dia da população a imagem de novos tempos, facilitando-lhe acesso a bens de consumo.

Campo Geopolítico

- reduzir o alinhamento terceiromundista às potências dominantes, redirecionando sua política externa ao mundo dos considerados párias, como a África, e dissidentes, como Irã. Aproximação com a China, no reconhecimento de sua rápida ascensão no conjunto do poder mundial;

- neutralização de ameaça ao isolamento continental pela insulação por países com hostilidade latente;

- forte promoção comercial para ampliação de número de parceiros;

- atuação em forças de paz internacional e pressão para obtenção de vaga permanente no CS da ONU, porém sem real intenção de concretizá-la;

Campo Político Interno

- gerar as condições de entregar o mandato a um sucessor que desse seqüência ao plano.

Esses objetivos foram planejados para serem executados em etapas pelo político conciliador escolhido.

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