segunda-feira, agosto 22, 2011

No Lado de Baixo ... A Caminhada (Cap III)


O escolhido haveria de ser submetido à exposição. Não seria um processo rápido, a estratégia estava escolhida. A do bode na sala.

Primeiro, uma exposição agressiva, radical, que amedrontasse os temerosos por sua própria natureza. E que esse medo começasse a quebrar os medos dos que medrosos eram, não por conservadorismo, mas por sua própria condição sócio-cultural subalterna. Aos donatários das capitanias, esses têm faro apurado para ameaças. A esses, a única mensagem que poderia fazer sentido seria a da cooptação, da vantagem mesmo. E as duas posturas eram inconciliáveis naquele momento.

Foram exposições planejadas. Uma, duas, três candidaturas. Marchas pelo país. Ocupação de espaços na mídia. Polarização em todos os confrontos possíveis. Bandeiras de despertar de sonhos, de consciências, de anseios. Paulatinamente, quebrando medos e bloqueios, tornando-se familiar, aceito. Falando o que se pretendia ouvir, que era possível. Martelar constante até tornar-se familiar o barulho do martelo. Insistência em desmascarar, em retirar pelegos que cobriam lobos, mesmo que fictícios. Em clarificar que os verdadeiros patrões dos donatários de sempre não eram nem a classe média, com seus medos, nem a camada mais básica, com sua submissão e falta e oportunidades de se esclarecer sobre sua real condição servil.

No tempo certo, uma carta aberta retirou o final dos medos da classe média e acalmou a ansiedade que permeava os donatários sobre a ameaça que sentiam, porque se sentiam já menores em seu poder. Muitas máscaras haviam caído no percurso. Naquelas condições, a inevitabilidade da perda parcial do poder era a melhor estratégia para mantê-lo. Claro, nunca lhes passou pela cabeça um plano de longo prazo para o país. Seus interesses sempre foram imediatos, estavam acostumados com isso.

Assim, a caminhada chegou a seu termo. Chegaram ao poder legítimo. O passo próximo seria o como exercê-lo dentro do plano. E que viabilizasse os passos seguintes.

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