segunda-feira, agosto 22, 2011

Do Lado de Baixo... O Conciliador -parte 2 (Cap VI)

No segundo mandato, já com condições políticas mais favoráveis, e contas públicas em ordem, foram lançadas ações desenvolvimentistas. Uma forte crise econômica externa foi administrada internamente com danos poucos. Cresceram o nível de emprego e a inclusão social. No plano político, como de hábito, ânimos eram acalmados com o manejo de emendas e loteamento da máquina, deixando os canais abertos para que fluíssem os pagamentos necessários. Apesar disso, foi buscado o aparelhamento técnico da máquina governamental mediante a captação no mercado de profissionais habilitados, que fossem bem pagos a ponto de não se curvarem aos papéis anteriormente praticados pelos operadores de maracutaias, para garantir seus empregos. Foi a fase dos concursos públicos, cujos resultados somente poderão ser percebidos, se o forem, na próxima década.

No campo da projeção internacional do poder nacional, reconhecida nossa fragilidade de garantir a última área habitável não ocupada no planeta, assim como o viés de ascensão de novos eixos de poder em substituição aos existentes, foi desenhada a nova estratégia de defesa. Fortalecimento das relações e parcerias regionais, como redução de ameaças por países limítrofes, permitindo o aumento da presença na amazônia, pela transferência de efetivos da fronteira sul para a norte.. Desenvolvimento local de dispositivos e, quando inviável pelo tempo, ter acesso a tecnologias mediante parcerias comerciais. Vigilância eletrônica de fronteiras. E tudo de forma que todos esses movimentos não despertassem maior desconfiança. A consciência de que riqueza do pré-sal não será nossa se não for barganhada ao nível de que não compense alguém tomá-la pela força, na marra. Pois abdicamos do poder nuclear por dispositivo constitucional, este o único argumento capaz de dissuadir aventureiros e forçá-los a pensar duas vezes antes de mostrarem seus dentes para nós. Algumas manobras nesse sentido podem ter desviado o foco, como o episódio da Raposa, por exemplo.

Mas, estava na hora de preparar o segundo estágio do plano. Escolher o indicado para comandar a próxima fase e preparar as condições de que isso pudesse ser realizado. Não mais seria necessária a indicação de um articulador, porém de um grande gerenciador.

Sim, estava ali, ao lado. Destacava-se. Por que não?

A grandiosa popularidade poderia suprir o virtual desconhecimento do substituto. Amansada a mídia, aplacadas as vaidades congressuais, bastava-lhes convencer da continuidade, poderiam ficar tranqüilos.

De fato, as articulações prosseguiram nessa linha. Loteamentos futuros prometidos, mesmas práticas, mesmas rotinas, mesmos negócios. Mas nos bastidores, sempre os bastidores, já se executava as ações de inviabilização dos acordos. O levantamento das informações sobre as práticas passadas, os procedimentos dos mal-feitos, a fotografia do rabo-preso. Dossiês a serem usados como elemento de barganha, retirando a vinculação de compromissos dos canais até então utilizados.

Assim, o último ato antes da passagem do bastão foi municiar o sucessor com elementos tais que condenassem à morte, ainda que lenta, os mensalões futuros.

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