terça-feira, novembro 17, 2009

País dos Petralhas

Concluí hoje a leitura do livro do Reinaldo Azevedo. Confesso que resisti iniciar sua leitura em razão de não me agradarem, em geral, suas colunas. Entretanto, considero exercício intelectual saudável escutar, ler, buscar entendimento na diversidade, no controverso. É a única forma de mudarmos ou consolidarmos nossas opiniões : escutarmos as diferentes.
Resisti também pelo título. Não gosto das generalizações, nem as bem-humoradas. Petralha é uma dessas. PT e Metralhas (irmãos); PT e canalhas ou trocadilhos do gênero.
De forma geral, o livro é interessante. O Reinaldo é fluente nas palavras e suficientemente culto para fundamentar e expressar suas idéias com a coerência que sua intelectualidade permite. Olha eu - muita audácia - ficar comentando esse autor.
Reinaldo bate forte, o que é bom. Há aspectos que concordo integralmente, como, por exemplo, sua crítica ao Estado-tutor, pai de todos os totalitarismos, divorciado que é da liberdade de escolha, mãe de todas as liberdades. Nós, seres humanos, estamos sempre alternando a moradia em que passamos o cotidiano e as férias.
Não concordo quando generaliza, os comentários com essa natureza são diversos. Vejo na generalização uma forma de tutela, à qual ele tem todo o direito de tentar exercer como indivíduo. Nesse caso, a opção é do tutelado em sê-lo ou não, problema dele. Fosse o Reinaldo Estado, a coisa seria diferente.
Prós e contras, há um particular que efetivamente não gosto, por entender demodé, superficial e ultrapassado. Trata-se da polaridade esquerda x direita. Nada é mais de esquerda do que uma ditadura que se diz de direita. Nada é mais de direita do que um Estado tutor, bandeira da dita esquerda. Isso se associarmos o conservadorismo e o transformacionismo das expressões originais.
Reinaldo considera esquerda governos que tutelem, inibam, perpetuem-se e valham-se da máquina estatal inclusive para o roubo robinhoodiano, preferencialmente sendo eles os pobres. Assim, teríamoss que considerar a plêiade de ditaduras que assolaram a América, África e Ásia como ditaduras de esquerda. E nessa panela, o ensopado é plural. Cabe desde Pol Pot a Dgo Dim Diem. Idi Amim Dada à Anastacio Somoza.
Penso que não é por aí.
Reinaldo defende com ênfase seus pontos de vista. Assume-se preconceituoso, o que pode ser uma forma entrelinhada de se dizer sem preconceitos. No fundo, acho até que é isso mesmo. Reinaldo tem conceitos e discute preconceitos, inclusive os seus, na tentativa de contextuá-los, descaracterizá-los, dissolvê-los.
A defesa apaixonada feita por Reinaldo arranha, às vezes, o messianismo, o monopólio da verdade. Só arranha, de fato. Mas fico eu pensando qual o limite entre a defesa intransigente de idéias e o fundamentalismo fanático.
O radicalismo generaliza, segrega, discrimina. Reinaldo generaliza, segrega e discrimina, mas não transparece fanatismo.
Concorde-se ou não com o Reinaldo, é um livro que merece ser lido sem abdicar da avaliação crítica, de não considerá-lo a bíblia da verdade, mas lê-lo na sua verdadeira grandeza.
Uma coletânea de opiniões pessoais.

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