quarta-feira, novembro 04, 2009

Belo Monte

Em dezembro está prevista a licitação para a construção da UHE de Belo Monte, na altura do município de Altamira, no Pará. É prevista uma potência de 11.233 megawatts e será a segunda maior do País, atrás de Itaipu.
Pelo porte pode-se depreender a importância estratégica para a Amazônia oriental e seu reflexo direto no desenvolvimento da região. O Brasil precisa de energia e a geração hidríca está aí, para ser usada. Ponto para o governo ao tocar o projeto que dormita há 30 anos nas gavetas, nos embargos, nos protestos dos greenpeaces, nos movimentos de agitadores plantados na Funai.
Acontece que índios brasileiros de 14 etnias ameaçaram nesta terça-feira empreender ações guerreiras e matar operários, caso o governo inicie as obras da central hidroelétrica de Belo Monte, que exigirá investimentos da ordem de R$ 16 bilhões.
Em carta endereçada a Lula, há a ameaça: "Exigimos que o governo cancele definitivamente a implementação desta central. Se decidir iniciar as obras de Belo Monte, haverá uma ação guerreira dos povos indígenas do Xingu". Continuam com o ultimato: "a vida dos operários e dos índios estará em risco" e prosseguem com a chantagem ao atribuir as conseqüências dessa guerra, liminarmente, ao governo federal.
Para mostrar que não estão brincando, bloquearam a travessia do rio Xingu com a interrupção do serviço da balsa da estrada que corta a região, no limite da amazônia.
A primeira ação de protesto, iniciada e sem data de conclusão, foi o bloqueio de uma balsa utilizada para atravessar o rio Xingu em uma zona onde uma estrada corta uma região do Mato Grosso, no limite da Amazônia. Segundo eles, o projeto da usina é uma "violação dos direitos dos povos ancestrais do rio".
O que surpreende em tudo isso é que essas populações dependem das ações do Estado brasileiro para sua ascenção da idade da pedra ao século XXI. Sem entrar na discussão teórica de que a qualidade de vida deste século é pior do que a experimentada na idade da pedra, o fato é que o tempo flui, as sociedades modificam-se e adaptam-se aos tempos novos e mesmo eles dependem de ferramentas e utensílios de metal, desconhecidos em sua cultura original.
Eles também dependem da energia, das vacinas, dos remédios, das escolas, dos aviões da FAB, da Funasa. Dependem de uma sociedade que lhes propicie o contato por rádio, a antena parabólica, a luz em casa. Dependem que o Brasil se desenvolva, que produza, que arrecade pela produção, que gere a renda necessária para que mais meios sejam alocados a eles mesmos.
E o Brasil só pode se desenvolver com energia farta e disponível.
Esse assunto é sério demais para ser tratado romanticamente.

ET: Até parece que Lula leu o escrito de ontem. Em discurso, reconheceu que a guerra contra as drogas, na forma como executada, não surte resultados. É pouco, mas é um começo. Pena que qualquer medida mais forte esbarre na nossa Constituição "cidadã".

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home