segunda-feira, outubro 19, 2009

Olimpíadas

O Rio prepara-se para 2016. Claro, admitindo que sobreviva até lá, sem que a Vila Olímpica transforme-se num quartel-general do crime, tal como cenários de uns desses filmes de ficção que roteirizam a luta individual de um bom-caráter remanescente contra gangues armadas e seus exércitos de zumbis craqueados.
Mas, sejamos otimistas. O Rio ainda lá estará.
Essa deve ser a razão do treinamento - na melhor intenção olímpica - dizia, do treinamento de tiro ao prato moderno praticado pelos exércitos traficantes. Atingiram seu ápice agora, miram em helicópteros. E já estão até acertando.
A sociedade carioca deve estar orgulhosa. Não foi pequena a estrada percorrida. Não foi pequeno o esforço de seu segmento mais favorecido em participar do financiamento dos atletas, seja pelo consumo próprio, seja pelo incentivo à sua pimpolhada, mesmo que por omissão ou superproteção, a comprar drogas dos traficantes.
E lá, especialmente lá, o negócio é tão bom e tão paralegal que os comerciantes estão estabelecidos territorialmente, só lhes faltando o alvará, documento aliás negado a uma multidão de trabalhadores que buscam sobreviver na informalidade fora do tráfico.
"Infelizmente, alvará virtual só para o tráfico e o prezado quer ser ambulante. Assim não dá. Ainda se o prezado resolvesse vender umas trouxinhas ao invés de picolé. Assim não dá.", esclarece o prestimoso servidor de posturas.
De minha parte - não gosto somente de criticar - tenho algumas sugestões de ordem prática. A primeira, dado a impossibilidade de pôr ordem na zona, incentivar a invasão de áreas entre quadrilhas rivais. Deixar que se matem. As bocas-de-fumo devem ser cercadas sim, mas para impedir que o perdedor fuja. O ideal seria que, ao final dos embates, somente ocorresse uma prisão, a do último sobrevivente. Não esperemos, claro, que se repita Massada.
A segunda e última: coloquem na linha de tiro das batalhas os usuários. Nossa Constituição proíbe a pena de morte, mas os traficantes insistem em não obedecê-la. No mínimo, esses alienados voltariam para Ipanema e adjacências com as calças borradas a ponto de esquecerem a maconha e a cocaína.
Seria, aliás, uma ótima oportunidade do Min Minc comandar uma dessas colunas, ao invés de fazer a apologia à distância, e colocar à prova suas convicções.
Enquanto isso, os atiradores do tráfico são sérios candidatos a medalhas em 2016, por sua pontaria. Essas sim, com mais glamour do que as medalhas póstumas destinadas aos infelizes mortos do helicóptero.

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