segunda-feira, maio 25, 2009

Casa do Genro

Tenho muito recebido críticas sobre uma possível visão cáustica acerca das atitudes dos agentes públicos. Em especial, de que desconheço, ou procuro desconhecer, as razões de seus atos, decretos e resoluções.
Nesse caso, porém, por mais que me esforce, não consigo ver nada além da alienação conjugada com a prepotência e má-intenção.
Ontem, na Record, Paulo H Amorim apresentou pequena reportagem sobre ato que estabelece quotas de multas a serem aplicadas pelos policiais rodoviários, além de sistema de méritos baseados também no cumprimento dessas metas.
Tenha vindo de onde for, recebeu o aval do Ministério da Justiça e até os policiais rodoviários estão se insurgindo contra essa atitude prepotente do estado policialesco em que nos estamos transformando.
Quotas de multas, vejam só!
O agente público tem assegurado diversos poderes, dentre eles a presunção da verdade em suas declarações. E essa verdade estará comprometida com a pressão pelo cumprimento de quotas. Baseados ou não na verdade, notificações de multas serão expedidas, pois estará assegurado o aforisma "arde no Tadeu, mas não no meu". Digno da Stasi ou KGB, da qual o Sr Ministro por muito tempo foi vassalo.
Que a PRF é uma entidade inútil não tenho dúvida alguma. Mas agora, para suprir os cofres corporativos (e talvez individuais), institui-se o comércio de multas e o policial, de agente público, vira vendedor. Vendedor de um produto ao qual o comprador não quer comprar, não pode recusar e resta-lhe somente pagar, sem comprometimento ao salário fixo compulsoriamente já pago mensalmente ao dito vendedor.
Essa corja dos trans, com o apoio inconseqüente da burocracia ministerial e amparada pela autoridade dada ao agente público descaracteriza totalmente a sociedade democrática e o estado de direito ansiado por todos nós.
As multas têm a mesma natureza do trabalho escravo. Alguém, o penalizado, sofrendo o confisco de seu rendimento, é submetido à uma jornada de trabalho escrava, ou seja, trabalhou de graça.
Comparem uma multa de R$ 105,00 aplicada a um cidadão que aufira 1 salário mínimo mensal. Mais de 20% das 240 horas de sua jornada teriam sido confiscadas pelo estado. Mais de uma semana trabalhou de graça. É ou não escravatura? Ainda mais se abstrata, inverídica, baseada somente no cumprimento de quotas comerciais.
Assim, só nos resta lembrar do tempo em que nosso Brasil era considerado a casa da sogra.
Piorou. Hoje é a casa do Genro.

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