sexta-feira, março 20, 2009

Aires

Os ayres no son buenos. Exceto na Argentina, mesmo que por definição. Aqui no Brasil, também não o são, ainda que, o arcaico, troquem o "y" à emprestar nobreza ao nome, substituindo o proletário "i", pé-de-chinelo explícito por homófono mais importante.
O radical é o mesmo. Perspassou o português, o espanhol, o francês e inglês. Esbarrou no alemão - luft - inspirador do nome do principal remédio libertador de ventos intestinais, o Luftal.
Pois bem, o nosso Ayres daqui desesperou-se ao ver desmontada a farsa jurídica que embasou seu relatório sobre a Raposa-Serra do Sol. Teve que ser colocado em seu devido lugar pelo Min Marco Aurélio. "Me respeite", foi o gentil cala-boca ouvido pelo plenário e deglutido pelo destinatário.
Entrou em desespero, nosso Ayres. Como explicar a inconsistência de sua argumentação sem cair no ridículo da incompetência ou no escracho da má-fé? Interesses de quem defenderia nosso Ayres?
O estudo desenvolvido pelo Min Marco Aurélio, o único a realmente se debruçar a fundo na questão, abordou desde a fraude na elaboração dos relatrórios antropológicos aos aspectos relativos à segurança nacional, navegando ainda pelas águas da violação do pacto federativo e da irrazoabilidade da área demarcada.
Brilhante foi o Ministro.
E, como o que choca não é a miséria, antes o contraste, entrou em pânico nosso Ayres, que nada tem do personagem machadiano.
Aquele, um observador da vida. O atual, uma coisa vaidosa e rancorosa. No mínimo.
Aproveitando a inspiração portenha, passarán más de mil años, mucho más, antes que as deletérias conseqüências dos atos do nosso Ayres sejam absorvidas pelo Brasil.
Se, por acaso, o forem algum dia.

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