quinta-feira, outubro 29, 2009

Mercochavez

Lula ira venezuelar hoje. Também hoje está prevista a votação na Comissão de Relações Exteriores do Senado para aprovação ou não, pelo Brasil, do ingresso da Venezuela no Mercosul. Um dos dois relatórios elaborados pelos "coronéis" Jereissati ou Jucá, antagônicos em seu mérito, deverá ser aprovado.
O acordo do Mercosul determina que os seus participantes adotem regimes democráticos em seus países. É uma disposição interessante, em especial numa região com histórico caudilhesco e de salvadores da pátria. Por outro lado, não há uma definição clara e abrangente sobre o que é isso.
Regimes ditatoriais chegam a batizar seus países com a palavra democrático. Assim foi com a RDA. Assim foi com quase todas as ditaduras comunistas. Em contrapartida, países com regimes considerados democráticos nunca precisaram desse artifício para dizerem o que não são.
Reduzindo, poderíamos assumir que há democracia em um país quando regime prevê a alternância dos detentores do poder com ampla e livre manifestação e respeito à soberania popular; quando há livre manifestação de idéias; quando o direito de ir e vir é preservado.
O bolivariano Chavez vem arranhando sistematicamente alguns desss princípios, sem chegar a transgredí-los explicitamente. Flutua numa área cinzenta.
Sua reforma constitucional, que permite a releeição indefinida é uma transgressão à alternância no governo e torna suspeita a efetiva aplicação dos demais requisitos democráticos.
Há corrente de opinião, como a defendida inclusive por destacados membros da oposição na Venezuela, que vê na inclusão venezuelana um mal menor. Chega a se apegar à idéia de que a inclusão ao Mercosul é a única salvaguarda de que o regime do bolivariano mantenha-se razoavelmente democrático. à semelhança de uma meia gravidez. E que, sendo Estado e Governo figuras distintas, aquele permanente e este provisório, não deveria a Venezuela ser prejudicada pelas maluquices do bufão.
Mesmo assim, é contestável o ponto de vista, pois toda a exclusão de países de comunidades internacionais também são provisórias, enquanto duram os governos. Ações, inclusive as bélicas, não são desencadeadas contra países e sim contra governos.
Torço pela não aprovação do ingresso. O povo venezuelano deve sentir o desagrado regional com seu governo, fonte de tensões, e soberanamente, mantê-lo ou exigir sua mudança.
Uma coisa é manter relações comerciais, outra é adotar como parceiro político. Deixe-se o bufão com sua Alba e restrinjamos nossa participação ao comércio bilateral. Do jeito com que Chavez governa, não pode haver agenda política conjunta, sem que nos maculemos com ela.
Enquanto isso, ao que se noticia, Lula irá colher soja de tecnologia brasileira na Venezuela. Nada contra.
Mas preferia que fosse colher arroz na Raposa - Serra do Sol. Plantada por brasileiros.

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