quarta-feira, novembro 11, 2009

Belo Monte II

Esses dias atrás o Brasil acordou amedrontado. Sob ameaças de guerra, bordunas e flechadas, o povo tremeu. Recorrer à ONU não surtiria resultados. Afinal, os greenpeaces da vida e os WWF poderiam defender, em tribunais internacionais, a tese da legítima defesa dos agressores e o Conselho de Segurança endossar sua tese.
Meu Deus, o que fazer?
Os caciques, de calças jeans e camionetes do ano, ameaçavam guerra sem quartel, caso o Brasil insistisse em construir a UH de Belo Monte, no Xingu.
Ontem tivemos um apagão e sentimos na pele o que pode significar a carência de energia elétrica. Mas, para os caciques, pouco importa. Suas casas dispõem de geradores próprios, provavelmente com recursos da FUNAI.
O governo insistiu e até o IBAMA, surpreendentemente, considera que as audiências públicas realizadas foram suficientes.
Porém, assim não entendeu o juiz federal Edson Grillo, da justiça federal em Altamira, no Pará, que determinou a realização de novas audiências públicas, para ouvir as comunidades que serão atingidas pela obra. Para ele, as quatro audiências realizadas foram "mero ato ritualístico" do processo de licenciamento.
Fica, assim, suspensa a licença ambiental para a construção da hidrelétrica, até que sejam cumpridos os dispositivos da sentença.
Deve ter razões jurídicas o magistrado, convencido que foi pelos argumentos dos patronos da causa. Infelizmente, não sei quem são.
Talvez o Ministério Público, por meio de um promotor impressionado com a ameaça da guerra. Fique-se no escuro, mas salve-se a vida. Pode ser uma tese interessante.
Talvez algum ambientalista que, no seu fundamentalismo, prefira que toda a sociedade sobreviva compulsoriamente em barracas, à luz de fogueiras pra espantar mosquitos.
É possível, ainda, que alguma ONG, dessas que não falam português, pugnem por uma indenização menor por suas matrizes quando tiverem sucesso na divisão territorial do Brasil.
Ou, pode ser tão somente alienação. Por que não?
Soubéssemos o patrono, saberíamos o interesse na suspensão da licença.
Ainda bem que o governo premanece acreditando que a licença prévia será assinada ainda neste mês, em tempo hábil para cumprir a previsão de leilão da hidrelétrica, marcado para o dia 21 de dezembro. Mesmo com o ultimato recebido.
Tomara!

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